Quarta-feira, Março 11, 2026
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Espanha: “Alojamento Local é a solução para revitalizar as cidades e não a causa da falta de habitação”

“O alojamento local é a solução para a revitalização dos centros das cidades em todo o mundo”. Quem o diz é Miguel Angel Sotillos, presidente da Federação Espanhola de Associações de Moradias e Apartamentos Turísticos (FEVITUR), a dois dias da realização da maior cimeira ibérica do setor do Alojamento Local, apartamentos e moradias turísticas, o Vitur 2023.

De 10 a 12 de maio, a cidade de Málaga volta a ser o epicentro do setor de apartamentos e moradias turísticas com a celebração do Vitur Summit 2023, um evento profissional que reunirá este ano mais de 700 líderes empresariais, administrações e instituições em torno de três grandes desafios: a profissionalização do setor, como alcançar o crescimento sustentável e a aplicação da inovação e dos últimos avanços tecnológicos.

O presidente da FEVITUR defende que há 15 anos “muitos apartamentos e prédios estavam em ruínas no centro das cidades e ainda hoje se vê isso no centro de Barcelona, por exemplo”. Esses investidores renovaram ruas e até bairros onde ninguém queria morar e os negócios estavam a fechar.”

O responsável aponta para um relatório apresentado pela FEVITUR e realizado pela Universidade de Salamanca, que calcula a despesa dos turistas domésticos em Espanha em 20.388 milhões de euros, dos quais 80% é gasto na comunidade local e apenas 20% vai para o alojamento. O setor está convicto de que este é o rácio mais elevado quando comparado com as opções de alojamento turístico.

Sotillos até acha um pouco “irónico” que aqueles que revitalizaram os centros das cidades agora sejam criticados. “Relativamente às denúncias de ruído e problemas de convivência, a percentagem do total de reservas em habitação para uso turístico é praticamente inexistente, no entanto o setor trabalha ativamente para minimizar este tipo de impacto negativo nas comunidades vizinhas, através de tecnologia, investimento, formação e informação. Todos os tipos de atividade trazem algumas consequências negativas, que no caso do setor do Alojamento Local são ampliadas e, ainda por cima, agora no período eleitoral, são utilizadas para ganhos políticos, quando a realidade é que o próprio setor é que tem ativamente implementado testes-piloto para minimizar possíveis impactos negativos nas comunidades locais”.
 
Respondendo diretamente à questão de que o Alojamento Local é a causa da falta de habitação nos centros das cidades hoje, ele comenta: “definitivamente não é a causa da falta de casas nos centros das cidades. O uso turístico de acordo com as estatísticas do governo espanhol representa 1,2% do número total de casas construídas e nas cidades não excede 3-4% do total, enquanto o número médio de casas vazias em qualquer momento é entre 8% e 16 %. Muitos dos apartamentos do Alojamento Local são alugados por alguns meses do ano, quando o proprietário está ausente. Estas não são casas turísticas que poderiam ter sido alugadas por um inquilino permanente. Da mesma forma, há muitos proprietários de apartamentos que não querem arrendar em regime de permanência, pelo risco de ter um inquilino que não pague a renda ou que destrua a casa”.

Observando que, neste momento, em Espanha há eleições autárquicas, Miguel Angel comenta que os políticos estão a usar a questão da habitação para captar votos, sem basear os seus argumentos em dados verificáveis – a questão da habitação é importante para muitos eleitores, por isso os políticos culpam os outros pelas suas falhas”.

Relativamente às ameaças de proibição de Alojamento Local em algumas cidades, o responsável alerta que “isso promoveria um mercado negro, que não beneficia em nada o consumidor, o mercado ou os destinos – e pode criar a mesma situação das Leis Secas nos EUA, que pioraram a situação, todos nós vamos perder, principalmente o consumidor final”.

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