Luís Araújo, ex-presidente do Turismo de Portugal, afirmou em entrevista recente ao ECO que o problema de Lisboa não reside no excesso de turistas, mas na má gestão da cidade. Embora admita que o setor do turismo enfrenta desafios, como a privatização da TAP e questões de mobilidade, Araújo refuta a ideia de que o turismo seja o principal responsável pela crise habitacional na capital.
Durante a conversa, Araújo destacou o crescimento sustentado do turismo em Portugal, que deverá alcançar, já em 2024, as metas da “Estratégia 2027”, com receitas superiores a 27 mil milhões de euros e 70 milhões de dormidas. Contudo, sublinhou a necessidade de uma gestão mais eficiente em Lisboa, apontando para a falta de clareza sobre o uso das taxas turísticas e a insuficiência de políticas para melhorar a mobilidade e segurança na cidade.
O ex-responsável também expressou preocupações sobre o impacto da privatização da TAP no setor turístico, enfatizando a importância de manter a companhia aérea como um elemento chave na conexão de Portugal com mercados externos. Araújo destacou ainda a necessidade de um maior investimento em infraestruturas ferroviárias para melhorar a acessibilidade dentro do país.
Sobre a gentrificação e o alojamento local, Araújo criticou a falta de uma gestão mais estratégica, defendendo que o problema da habitação não pode ser exclusivamente atribuído ao turismo. Apelou, assim, a uma abordagem mais equilibrada e baseada em dados, ao invés de decisões precipitadas influenciadas por opiniões populares.
Araújo terminou a entrevista destacando a importância de uma responsabilidade social no setor do turismo, especialmente no que diz respeito à mão de obra, defendendo melhores condições para atrair trabalhadores qualificados e garantir a sustentabilidade do setor a longo prazo.



