Sábado, Novembro 26, 2022
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“Existe no país algum preconceito contra o turismo. Não podemos aceitar isso”, afirma Ministro da Economia

O ministro da Economia e do Mar, António Costa e Silva, defendeu esta sexta-feira, dia 8 de setembro, que o modelo de organização do turismo deve ser replicado noutros setores de atividade para criar “diferentes motores de desenvolvimento” em Portugal.

Na Batalha, onde participou na iniciativa de reflexão política para jovens do PS, Academia Socialista, o ministro vincou a importância do turismo, que considerou “um dos grandes motores da nossa economia, representando cerca de 20% das exportações”.

“O turismo vai neste ano bater o recorde em termos de receitas que atingimos em 2019. Muita gente pensava que só em 2023, 24 chegaríamos lá, mas o turismo reinventou-se em função da qualidade dos operadores, da dinâmica do mercado, das políticas públicas que foram desenhadas, do apoio muito constante que existe entre as autoridades, as empresas, o Ministério da Economia e as campanhas de promoção”, elogiou.

Isso contribuiu para o crescimento, “de forma significativa”, de mercados como “os EUA, o Canadá, a Alemanha, o Reino Unido”, com números que fazem do turismo um exemplo. Mas, apesar disso, “existe no país algum preconceito contra o turismo”, lamentou esta manhã António Costa e Silva.

“Não podemos aceitar isso. O que precisamos de fazer é reproduzir a excelência dos operadores, das empresas, das políticas públicas, noutras áreas para criar diferentes motores de desenvolvimento e de crescimento da economia portuguesa”.

“Infelizmente vivemos num país que exponencia todos os dias, na galáxia mediática, aquilo que são problemas e dá pouca atenção ao que são as respostas da sociedade em múltiplos setores de atividade”, afirmou.

Como exemplo deu “números que podem surpreender muitas pessoas”, caso do crescimento em 2022, que “revelam a nossa tendência de subestimar a dinâmica endógena da economia portuguesa”.

“No primeiro trimestre deste ano a economia portuguesa cresceu 11,9%”, o que, descontando que “compara com o fraco crescimento do primeiro trimestre de 2021”, “foi o maior crescimento da União Europeia”. “Surpreendentemente no segundo trimestre foi na ordem dos 7,1%”, e a razão está “no consumo interno e na procura externa líquida”, ou seja, “os serviços e sobretudo o turismo”.

António Costa e Silva defende, assim, que é preciso “olhar não só para o que o país tem em termos de facilidades, mas também para o que o país faz bem”, sobretudo para responder a grandes desafios que identificou.

Um deles será, “provavelmente, algum abrandamento, em função das tensões inflacionistas e do [conflito] que está a acontecer na Europa”.

Na aula que deu hoje sobre “Economia e Crescimento: desafios e oportunidades”, o ministro deu como exemplo a guerra na Ucrânia para lembrar que não se pode “subestimar a amplitude da estupidez humana”.

Entre vários indicadores que atestam a “espécie de capitalismo financeiro desregulado” que predomina no mundo, “modelo predador dos recursos naturais do planeta”, Costa e Silva advertiu para a “ação devastadora” a que estamos a assistir.

Considerando que “estamos a transformar recursos em lixo a uma velocidade sem precedentes”, que “1% da população mais rica do planeta controla 46% da riqueza mundial – o que é inaceitável”, e “o impacto que está a ter a devastação ambiental do planeta”, o ministro sustentou que “não se pode transigir”.

“Não podemos subestimar a amplitude da estupidez humana. Quando a humanidade se devia unir para fazer face à maior ameaça existencial que temos à nossa frente, há uma guerra que deflagra na Europa. Esta guerra mudou muitas coisas, e arrisca-se a por as questões ambientais e de sustentabilidade em segunda ou terceira prioridade. O que será um erro fatal”, alertou.

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