O Turismo de Portugal abriu as candidaturas à 8.ª edição do FIT 2.0 – Fostering Innovation in Tourism, que disponibiliza 1,05 milhões de euros para apoiar programas de aceleração e inovação aberta no setor. Os incentivos são não reembolsáveis, podem financiar até 80% das despesas elegíveis e abrangem áreas como inteligência artificial, alojamento, agências de viagens e operadores turísticos, aeroportos, mobilidade e transição verde.
As candidaturas decorrem até 12 de outubro e devem ser submetidas através do Sistema de Gestão de Projetos de Investimento (SGPI), segundo informação publicada pelo Turismo de Portugal. A 8.ª edição do FIT 2.0 foi aprovada pela Deliberação n.º 918/2026, publicada a 11 de agosto em Diário da República.
A nova edição concretiza a aplicação da dotação do programa para 2026: 450 mil euros destinam-se a programas de aceleração e 600 mil euros a programas de inovação aberta. O TNews já tinha noticiado a dotação prevista para estas duas vertentes, agora regulamentadas pelo Turismo de Portugal.
Segundo o Diário da República, os novos regulamentos procuram promover “o empreendedorismo e a inovação no setor do turismo”, desenvolver estratégias de rejuvenescimento do tecido empresarial ligado à atividade turística e criar condições favoráveis ao desenvolvimento de conceitos de inovação e sustentabilidade.
No caso dos programas de aceleração, o financiamento pode cobrir até 80% do investimento elegível, com um máximo de 5.000 euros por startup participante e até 15 startups por programa ou promotor. Os projetos deverão envolver um mínimo de dez empresas emergentes e não poderão ultrapassar um ano de duração.
Os programas deverão enquadrar-se numa de seis áreas prioritárias: agências de viagens e operadores turísticos, alojamento, experiência seamless, gastronomia, inteligência artificial e transição verde.
Para as agências de viagens e operadores turísticos, o regulamento aponta, entre outras áreas, para soluções de automatização da faturação e dos pagamentos B2B, gestão de reservas e relação com os clientes. Está também previsto o desenvolvimento de ferramentas que permitam “compreender as necessidades únicas dos seus clientes e criar experiências personalizadas”, contribuindo para aumentar a retenção e a satisfação.
No alojamento, são identificadas soluções como sistemas de reserva inteligente, tecnologias destinadas à eficiência energética e ferramentas de otimização de preços com recurso a inteligência artificial, aplicáveis não apenas aos quartos, mas também a áreas como restauração, spas e salas.
A inteligência artificial constitui, por si só, outra das prioridades. O regulamento prevê o desenvolvimento de soluções de IA e IA generativa capazes de “transformar a experiência do turista e do prestador de serviços e/ou produtos”, nomeadamente através da personalização das compras e da gestão de inventário. Entre as aplicações previstas estão ainda a formação, a automatização de tarefas e a análise de grandes volumes de dados para compreender padrões de comportamento dos turistas e antecipar resultados.
Na transição verde, o foco recai sobre tecnologias e processos de baixo carbono, redução das emissões dos transportes, minimização do desperdício alimentar na hotelaria e restauração, abastecimento local de alimentos e redução dos plásticos de utilização única.
600 mil euros para testar soluções em empresas
A segunda vertente do FIT 2.0 disponibiliza 600 mil euros para programas de inovação aberta, destinados a aproximar startups de empresas e outras entidades do setor e a desenvolver soluções para desafios concretos através da realização de projetos-piloto.
Neste caso, as áreas prioritárias são aeroportos, agências de viagens e operadores turísticos, alojamento, experiência seamless, mobilidade e transição verde, segundo o Turismo de Portugal.
O incentivo pode igualmente financiar até 80% das despesas elegíveis, mas o limite é de 4.500 euros por startup, podendo cada programa integrar até 20 empresas emergentes. Está ainda prevista uma majoração de 10% do financiamento caso pelo menos metade das startups participantes concretize um projeto-piloto junto dos parceiros até à apresentação do relatório final.
Em ambas as modalidades, os limites máximos por startup podem ser excecionalmente ultrapassados quando esteja em causa o envolvimento comprovado de “parceiros internacionais de referência” ou programas desenvolvidos nos Açores e na Madeira, mantendo-se a exigência de 20% de capitais próprios.
Podem apresentar candidaturas as entidades que desenvolvam iniciativas de inovação e que tenham assinado, ou venham a assinar até à data-limite de submissão, o protocolo de colaboração do FIT com o Turismo de Portugal.
Promovido pelo Turismo de Portugal em parceria com uma rede de incubadoras nacionais, o FIT é apresentado pelo organismo como a “iniciativa pública de referência” para o empreendedorismo e a inovação no setor do turismo. O programa procura aproximar startups, empresas e outros intervenientes do ecossistema de inovação e apoiar o desenvolvimento e teste de novas soluções aplicadas à atividade turística.




