GEA projeta futuro e assume: “A liderança na criação de valor para as agências é nossa”

A GEA Portugal quer continuar a afirmar-se, nos próximos anos, pela capacidade de inovar e transformar o pensamento do setor das agências de viagens. A garantia foi dada na conferência de imprensa realizada esta sexta-feira, na Madeira, durante a 21.ª Convenção do grupo. “Sabemos qual é o nosso posicionamento. Nunca nos colocámos em bicos de pés e não é agora que o vamos fazer, mas claramente a liderança na transformação do pensamento dos próximos 20 anos, na criação de valor para as agências, essa é nossa — e vamos reclamá-la e lutar por ela sempre”, afirmou Carlos Baptista, administrador da GEA.

A conferência contou ainda com os administradores Pedro Gordon e Carlos Baptista, com o coordenador de Contratação e Produto, Paulo Lages, e com o diretor comercial, Nuno Tomaz, que traçaram o presente e futuro da operação do grupo.

Pedro Gordon lembrou as origens da GEA em Portugal: “O grupo iniciou atividade em 2003 e, dois anos depois, já tínhamos massa crítica suficiente para realizar a primeira convenção, que aconteceu na Madeira, em outubro de 2005.”

Por sua vez, Carlos Baptista destacou o simbolismo de regressar à Madeira 20 anos depois: “A GEA soube passar estes 20 anos e trazemos um pouco disso para o futuro: voltamos à Madeira para projetar o que aí vem. Esperamos ter pelo menos o mesmo sucesso, se não mais. O sucesso aqui não é medido pelo número de agências, mas pela capacidade de ultrapassar os tempos, ultrapassar os próximos 20 anos e continuar a ser um grupo relevante para as agências de viagens e com valor para o mercado. É aquilo que nós pretendemos.”

O administrador explicou ainda o conceito da convenção, centrada no tema “Glocal Thinking”: “Estamos num dos momentos mais críticos da globalização. Nunca fomos tão dependentes uns dos outros, e simultaneamente temos enfrentado crises políticas, económicas e conflitos internacionais que afetam a vida local. Há muitos desafios globais que se colocam ao setor e que não são diferentes daqueles que se colocam a nível local. Muitas vezes fechamos naquilo que é o mercado português e esquecemos ameaças que vêm de mercados internacionais. Por isso, este pensamento global e ação local é fundamental.”

“O sucesso na GEA não é medido pelo número de agências, mas pela capacidade de ultrapassar os tempos, ultrapassar os próximos 20 anos e continuar a ser um grupo relevante para as agências de viagens e com valor para o mercado”, Carlos BaPtista

A convenção, que decorre de 13 a 16 de novembro, conta com mais de 540 participantes. “É o maior evento de sempre da GEA e, por consequência, também o maior evento de sempre de um grupo de gestão do trade. Estamos muito satisfeitos porque isto é sinal claro de crescimento e consolidação do projeto”, destacou Carlos Baptista.

Crescimento, ecossistema e inovação tecnológica

Paulo Lages detalhou o desempenho comercial e a estratégia da GEA Portugal: “Em termos de vendas globais, estamos a crescer 15,7% em todas as categorias de operadores. Entre o top 15 de parceiros, todos registaram aumento de vendas em relação ao ano passado. Damos grande destaque aos nossos parceiros MundiGEA, incluindo o TravelGEA Booking, que já participa como parceiro MundiGEA, e, à exceção de um operador, todos estão em crescimento.”

O coordenador de Contratação e Produto acrescentou que, apesar de algumas exceções, os produtos turísticos continuam a apresentar evolução positiva. “Alguns parceiros registam quebras de vendas. Em termos de bed banks, todos estão a crescer em relação ao ano passado, e nos cruzeiros a MSC destaca-se como líder.” Carlos Baptista complementou: “Algumas quebras de vendas existem, por exemplo na Sonhando, que se retirou do mercado, mas operadores como a Solférias, Ávoris e W2M consolidam a sua posição no top 3. Os cruzeiros continuam a crescer acima da média, 21,4%, mostrando cada vez mais relevância junto das agências.”

Paulo Lages sublinhou ainda a política de retribuições às agências: “Estamos a antecipar cada vez mais a devolução de rapéis por parte dos operadores. Pagámos quase todos os valores de 2024 e, analisando 2023 e 2024, todos os anos registamos crescimento nesta devolução. Nos últimos dois anos, já devolvemos mais de três milhões de euros em rapel, reforçando a rentabilidade das agências.”

Outro eixo estratégico destacado por Paulo Lages é a personalização de viagens: “Temos vindo a criar acordos com DMCs, para que as agências possam organizar viagens à medida dos clientes, especializando o destino e as características de cada experiência. O objetivo é que não fiquem apenas limitadas à oferta dos operadores, mas tenham parceiros de confiança para desenvolver soluções personalizadas.”

“Nos últimos dois anos, já devolvemos mais de três milhões de euros em rapel, reforçando a rentabilidade das agências”, Paulo Lages

Toda esta estratégia assenta num ecossistema integrado, segundo Paulo Lages: “A base de tudo é o produto, seja de operadores ou próprio, distribuído através de GEA webs — páginas na internet — e televisões instaladas nos balcões das agências, que funcionam como montra para os clientes. Durante este ano, realizámos cerca de 18 campanhas que permitiram às agências usufruir plenamente deste ecossistema, aproveitando o material que disponibilizámos, desde PDFs de montra a stories automatizadas para internet.” Atualmente, existem 347 GEA TVs implementadas nos balcões, cerca de 53% do total de agências GEA, e 246 páginas web já entregues às agências, detalhou, por sua vez, Nuno Tomaz.

O diretor comercial da GEA Portugal destacou a expansão orgânica do grupo e o investimento em tecnologia: “O crescimento do grupo foi mais orgânico do que comercial. Apostámos muito no serviço. No final de 2024, tínhamos 477 agências com 584 balcões; agora, em 2025, já contamos com 545 empresas e 659 balcões, com ainda um mês e meio para o final do exercício.”

“O crescimento do grupo foi mais orgânico do que comercial. Apostámos muito no serviço. No final de 2024, tínhamos 477 agências com 584 balcões; agora, em 2025, já contamos com 545 empresas e 659 balcões, com ainda um mês e meio para o final do exercício”, Nuno Tomaz

Formação, projeto de CRM e IA

No que diz respeito ainda a 2025, Nuno Tomaz destacou também a aposta na formação: “Este ano realizámos 21 ações de formação, com mais de 441 formandos e mais de 115 horas de formação certificada. Entre os cursos oferecidos estão marketing digital, Excel, técnicas de turismo, redes sociais, criação de conteúdos e IVA nas agências. Algumas ações contaram com a participação do Turismo de Portugal, fortalecendo a ligação com os recursos humanos da rede de distribuição.”

Quanto a projetos futuros, Carlos Baptista tomou da palavra para apresentar ainda o projeto de CRM, que será integrado no ecossistema da GEA: “O projeto de CRM vai entrar no ecossistema que montámos para as agências, complementando TVs, webs e materiais de comunicação, como newsletters. O objetivo é potenciar e fechar todo o ciclo, desde a angariação de clientes até ao fecho das reservas.”

O administrador destacou que a eficácia do CRM depende da integração completa: “Um CRM não pode funcionar isoladamente. Tem de estar sincronizado com sistemas de gestão e todos os canais de comunicação da agência — e-mail, voz, chats, WhatsApp, redes sociais — para criar uma centralidade de informação que permita gerir de forma eficiente toda a atividade.”

Carlos Baptista detalhou ainda os benefícios para as agências: “Este projeto permitirá qualificar a base de dados, tratar leads de forma eficaz, potenciar a relação com o cliente e aumentar automatismos e eficiência. É um trabalho que já iniciámos, desvendado às agências este ano, mas que ainda terá uma execução longa. A nossa expectativa é lançar um CRM completamente estruturado dentro de um ano. Estamos confiantes de que esta ferramenta transformará o apoio que prestamos às agências, aumentando eficiência, automatismos e qualidade no relacionamento com o cliente — exatamente o que micro e pequenas empresas precisam para competir no mercado.”

A esta evolução junta-se agora um segundo pilar: a incorporação de Inteligência Artificial (IA) em todo o ecossistema GEA. O administrador revelou que o tema, apresentado no ano passado de forma conceptual, entrou agora numa fase totalmente prática. “Neste momento já não estamos a falar de IA como conceito. Estamos a trabalhar de forma concreta sobre onde e como vamos aplicá-la para melhorar os processos das agências”, explicou.

À semelhança do CRM, Carlos Baptista sublinha que a IA só gerará resultados reais se estiver integrada transversalmente: “Para ser efetiva, a IA tem de estar incorporada em todo o ecossistema. Caso contrário, os outputs não são efectivos.”

Este trabalho inclui parceiros externos e, tal como o CRM, também a IA está num processo evolutivo exigente. Sobre o prazo, Baptista admite ambição, mas com cautela: “Tenho a expectativa de que dentro de um ano possamos ter algo implementado. Mas é uma expectativa, não uma certeza. Há muitos desenvolvimentos que dependem do CRM e de outras estruturas que ainda estão a ser consolidadas.”

GEA Brasil

Questionado sobre o balanço da atividade da GEA Brasil, cuja entrada no capital foi anunciada há um ano, Carlos Baptista explicou: “Estamos muito satisfeitos com o caminho que estamos a fazer. O Brasil é um mercado exigente, mas temos o conforto de contar com dois parceiros com profundo conhecimento do negócio na América Latina e no Brasil: a GEA LATAM e a Interamerican, nosso sócio local. Isso dá-nos muita confiança na evolução do projeto.”

O administrador explicou que a prioridade não é apenas aumentar números, mas garantir agências comprometidas: “O mercado brasileiro é, de certa forma, anárquico, com muitas agências associadas a dois ou três grupos de gestão. Para nós, é fundamental criar valor, tal como fazemos em Portugal e na Argentina. Por isso, realizámos uma limpeza rigorosa, reduzindo de cerca de 250 para 90 agências efetivamente comprometidas. A partir daí iniciámos um novo crescimento, que nos leva hoje a 162 agências alinhadas com a estratégia. Refizemos totalmente o objetivo de chegar às mil até 2026, pois é preferível um crescimento sustentável.”

Carlos Baptista destacou ainda o impacto do ecossistema GEA no Brasil: “Estamos a implementar o mesmo modelo de Portugal, com grande impacto nas agências. Realizámos a primeira convenção em agosto, com cerca de 300 participantes. E, portanto, é um passo de consolidação do projeto no Brasil e estamos a fazer o caminho”, concluiu.

“O mercado brasileiro é, de certa forma, anárquico, com muitas agências associadas a dois ou três grupos de gestão. Refizemos totalmente o objetivo de chegar às mil até 2026, pois é preferível um crescimento sustentável”, Carlos BAptista

*Na Madeira a convite da GEA Portugal

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