Sexta-feira, Maio 15, 2026
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Governo admite impacto no turismo caso haja escassez de combustível para a aviação

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O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, alertou esta terça-feira, 5, que uma eventual escassez de querosene para a aviação teria “um impacto negativo muito significativo” na economia portuguesa, devido à forte dependência do turismo aéreo.

As declarações foram feitas em Bruxelas, no final de uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia, numa altura em que cresce a preocupação com possíveis perturbações no abastecimento de combustível para aviões, na sequência da escalada de tensão no Médio Oriente.

“Mais de 90%, 96% ou 97% dos turistas que chegam a Portugal, e no caso das regiões autónomas até mesmo 100%, vêm de avião”, afirmou o governante, citado pela agência Lusa.

“Se não houver ‘jet fuel’ a nível europeu, mesmo que haja nos aeroportos portugueses, os aviões não chegarão a Portugal e, portanto, os turistas não chegarão a Portugal”, acrescentou.

O ministro admitiu que, caso o cenário se concretize durante o verão, o impacto económico poderá ser particularmente grave. “Se isso suceder, e tendo em conta que poderá suceder no verão, terá um impacto muito significativo na economia portuguesa”, referiu.

Apesar do alerta, Joaquim Miranda Sarmento disse esperar que a situação não avance para um cenário de ruptura no abastecimento.

“Se isso acontecer, nós teremos um choque económico muito significativo e teremos de procurar responder a esse choque, porque temos uma economia onde o turismo é uma indústria muito importante, quer na receita, quer no emprego”, afirmou.

As preocupações surgem depois de o comissário europeu para a Energia, Dan Jørgensen, ter confirmado que a União Europeia está a preparar-se para uma eventual escassez de querosene.

“Continuamos a preparar-nos para uma situação em que possam surgir problemas de segurança do abastecimento. Ainda não chegámos a esse ponto, mas pode acontecer, especialmente no que diz respeito ao querosene”, declarou o responsável europeu.

O agravamento da instabilidade no Médio Oriente, envolvendo EUA, Israel e Irão, tem aumentado a pressão sobre os mercados energéticos, sobretudo devido às perturbações no estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás.

O bloqueio parcial daquela passagem tem contribuído para a subida dos preços da energia e para uma maior volatilidade nos mercados internacionais.

Questionado sobre possíveis impactos no processo de privatização da TAP Air Portugal, Miranda Sarmento considerou que o interesse estratégico demonstrado por grupos como Air France-KLM e Lufthansa deverá prevalecer sobre a atual conjuntura.

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