Diogo Fonseca e Silva, diretor de operações do Grupo Altis, revelou aos jornalistas, durante uma press trip ao recém-inaugurado Altis Porto Hotel, os planos do grupo para os próximos anos, destacando dois projetos: a transformação do antigo Petit Palais by Olivier, em Lisboa, num boutique hotel de luxo e a gestão de um resort na Madeira.
O Grupo Altis vai inaugurar um novo boutique hotel de luxo no edifício do antigo Petit Palais by Olivier, na Rua Rosa Araújo, em Lisboa, com a abertura ao público prevista para 2026. A futura unidade hoteleira conta com um investimento de sete milhões de euros.
Localizado junto à Fundação Medeiros e Almeida, o palacete do século XIX será transformado num hotel de 23 quartos com a adição de dois pisos. A unidade hoteleira vai dispor ainda de um restaurante, bar, piscina e um pequeno spa.
“Já começou a obra, estamos na fase de demolição e brevemente iremos iniciar a fase de construção”, disse Diogo Fonseca e Silva, acrescentando que o projeto de arquitetura e o design de interiores estão a cargo do gabinete de Frederico Valsassina.

Altis aposta na exploração de resort na Madeira
Além do interesse em Lisboa, o Grupo Altis mantém o foco na expansão fora da capital, nomeadamente no Porto e na Madeira. “As localizações que nós temos mais interesse são o Porto, Lisboa e Madeira. São destinos consolidados em termos turísticos”, afirmou Fonseca e Silva, reforçando que o grupo vê muito potencial na Madeira, destino onde já possui um contrato de exploração de um futuro resort junto ao mar, localizado “entre o Funchal e o aeroporto”.
“Temos um contrato assinado para a exploração do hotel, mas é um projeto que tem demorado muito por alterações societárias e questões de autorizações”, explicou o diretor de operações, indicando que o promotor “é uma empresa que é formada por uma pessoa da Madeira e por um dinamarquês. Neste momento, o dinamarquês saiu e veio esta alteração na parte societária. Tem havido mais uma questão de conseguir um financiamento, das autorizações da câmara”.
Este projeto, cujo início ainda não tem previsão, será composto por um hotel de 100 quartos e 248 apartamentos, ficando o Grupo Altis responsável pela gestão hoteleira. De acordo com o executivo, a Madeira, descrita como “um destino muito consolidado e com uma baixa sazonalidade”, consubstancia-se como uma aposta estratégica para o grupo.
Setembro de 2024 foi o “melhor mês de sempre”
Diogo Fonseca e Silva afirmou que o ano de 2024 “tem corrido muito bem”, ainda que tenham existido dois meses “um bocadinho atípicos”: “o mês de julho e agosto foram um bocadinho mais baixos do que o ano passado e nós não perspectivávamos isso”, revelou. Entre vários fatores influenciadores, o diretor de operações atribuiu estes resultados aos Jogos Olímpicos em Paris e ao campeonato Europeu.
Já o mês de setembro foi “o melhor mês de sempre”, com “recordes de vendas em quatro hotéis do grupo”. Em termos de faturação, o grupo rendeu cerca de seis milhões de euros em setembro, o que “representa um crescimento de quase 20% [face ao mesmo mês do ano passado], que é repartido 90% em preço médio e 10% de ocupação”. Também o mês de outubro “se perspetiva ser muito forte”, acrescentou Diogo Fonseca e Silva.
Em 2023, o grupo Altis registou uma taxa de ocupação média do grupo de 76% e, este ano, deverá terminar o ano com um valor entre os 74% e 75%. “A questão da ocupação tem um bocadinho a ver com o equilíbrio do preço e com a procura. Em alguns meses do ano, Lisboa não teve a mesma procura que teve nos anos anteriores”, constatou o responsável do grupo, sublinhando que esta oscilação “faz com que o ano não seja exatamente o que esperávamos. Vai ser um bom ano e vai ser superior a 2023, mas não a chegar aos números que nós tínhamos em orçamento”.
“Apesar das informações que vêm a público dizerem que está a crescer o número de entradas e turistas, o que se nota, pelo menos na nossa realidade em Lisboa, é que o tipo de turista que entra não é o turista que vai tanto para os hotéis de cinco estrelas. Entram turistas com menos capacidade financeira e, por isso, apesar de se ver a cidade cheia, nota-se uma diminuição no consumo nestes segmentos mais elevados”, analisou Diogo Fonseca e Silva.
Para combater o desafio da procura, a estratégia do grupo tem passado por “aumentar [o rendimento] pelo preço médio e não pela ocupação”, sendo “daí que vem a maior rentabilidade”. Atualmente, o preço médio do grupo ronda os 260 euros, existindo unidades tanto a 400 euros como a 150 euros. Para 2025, o objetivo será “crescer o preço médio em 5%.



Principais mercados do grupo
No que diz respeito aos principais mercados do grupo Altis, os Estados Unidos continuam a liderar “de há dois anos para cá” e, “dependendo das unidades”, seguem-se os mercados inglês, alemão, francês e brasileiro. O diretor de operações adiantou que, na zona do Porto, o mercado norte-americano também tem uma forte presença, destacando ainda a aposta nos mercados brasileiro e espanhol.
“O único hotel que tem o maior peso do mercado nacional é o Altis Grande, porque tem uma componente forte da parte de corporate. Os outros hotéis são maioritariamente estrangeiros”, disse, detalhando que “95% é mercado internacional”.
Diogo Fonseca e Silva esclareceu ainda que “estamos a perceber qual é a soft brand que vamos utilizar aqui no hotel [Altis Porto], que nos vai ajudar também a promover nesses mercados internacionais. As duas marcas que estamos a ponderar são marcas muito fortes no mercado americano, o que faz sentido, porque é um mercado muito forte e que ainda tem muita possibilidade de crescer aqui no Porto”.
Quanto aos principais canais de reserva, verifica-se “uma grande percentagem de reservas pelos canais habituais da Booking e Expedia”, de acordo com Diogo Fonseca e Silva. O website do grupo tem sido objeto de “grandes investimentos” com vista “o desenvolvimento do nosso website para crescer as vendas do nosso canal próprio”, que atualmente representam 25% das vendas totais. “Queremos atingir os 35% agora nos próximos dois anos e estamos a fazer investimentos nesse sentido”, acrescentou.
Para 2025, o grupo Altis tem como objetivo manter a mesma ocupação, o que “exige novas formas de vender”. Neste sentido, estão a “explorar canais para ir encontrar o cliente que nos interessa de uma forma mais direta”, indicou o executivo. “São clientes que habitualmente não vêm pelos canais normais. São clientes que vêm através de agências de luxo e são esses canais que nós tentamos trabalhar para fugir de onde toda a gente tenta vender”.
Altis Porto Hotel assinala estreia do grupo na Invicta com foco no wellness
A decisão de avançar com o Altis Porto Hotel remonta a uma vontade antiga do grupo. “Há bastantes anos, o grupo Altis chegou a ter aqui uma localização que foi adquirida, mas acabou por haver uma reviravolta”, referiu Diogo Fonseca e Silva.
Mais recentemente, antes da pandemia, surgiu a oportunidade de adquirir o atual espaço, um antigo armazém que já tinha um projeto aprovado para hotel. “Nós comprámos o terreno com o projeto aprovado e ainda conseguimos fazer algumas alterações. A localização é excelente”, situando-se ao lado dos Jardins do Palácio de Cristal e a 10 minutos dos Aliados.
O Altis Porto Hotel, com 95 quartos, foi concebido para apelar tanto ao segmento de lazer como ao de negócios. “Temos três salas de reunião. Já temos muitos pedidos de grupos, por causa de eventos no Palácio de Cristal. Estamos muito confiantes que esta é a localização certa para nós”, acrescentou o diretor de operações.
Além disto, o Grupo Altis considera novas expansões na cidade do Porto. “Gostaríamos de ter mais uma ou duas unidades no Porto. Estamos sempre abertos a analisar novas propostas de negócios”, afirmou.
Uma das grandes apostas do Altis Porto Hotel é o seu foco no bem-estar dos hóspedes. “Posicionamo-nos como um hotel ligado ao wellness e ao bem-estar”, explicou Diogo Fonseca e Silva. O hotel oferece um spa completo com piscina interior, salas de massagens, sauna, banho turco, ginásio e uma zona para aulas de yoga e pilates.
“Criámos uma parceria com a nutricionista Mafalda Almeida, que achámos que era a pessoa certa e que nos ajudou também na definição do menu e no conceito do restaurante [Exuberante]”, detalhou o executivo. “Temos já alguns programas definidos, um que se chama Detox e outro que é o Reset Intestinal”.
Para promover um estilo de vida saudável, o hotel disponibiliza ainda tapetes de yoga nos quartos, bicicletas elétricas e irá organizar workshops ao longo do ano. “Mesmo para a parte de empresa, as ofertas que temos para coffee breaks, para os almoços, para os jantares também passam por essa vertente”, acrescentou.





