Herdade de Montalvo cresce 19% na procura e prepara expansão. “Queremos captar outros segmentos”

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A Herdade de Montalvo registou um crescimento de cerca de 19% na procura em 2025 face ao ano anterior e prepara-se para avançar com a ampliação da unidade. “Estamos a iniciar o licenciamento da ampliação do aldeamento turístico com unidades de alojamento de menor tipologia para captar clientes de outros segmentos”, afirmou João Jacinto, presidente do conselho de administração da Herdade de Montalvo, em entrevista ao TNews, sublinhando o objetivo de alargar a atividade à primavera e ao outono.

Localizada entre Alcácer do Sal e a Comporta, junto ao Estuário do Sado, a unidade entrou em operação em 2009 e integra uma propriedade com 1052 hectares. Atualmente, a oferta turística é composta por 102 vilas, num total de 594 camas, inseridas num ambiente de natureza que inclui floresta, montado, lagoa e zonas de estuário. A unidade dispõe ainda de infraestruturas como restaurante, mini-mercado, polidesportivo e centro equestre.

Segundo o responsável, o desempenho positivo de 2025 reflete uma tendência crescente de valorização de destinos ligados à natureza. O responsável sublinha que esta evolução acompanha uma “tendência mais ampla de valorização de unidades com forte identidade territorial, oferta de espaço exterior, atividades ao ar livre e maior ligação ao património natural”.

O mercado nacional continua a ser o principal emissor, representando 51,2% dos hóspedes. Entre os mercados internacionais, destacam-se Espanha (15,9%), Reino Unido (12,7%), França (6,9%) e Alemanha (6,9%). No total, a herdade recebeu mais de mil hóspedes ao longo do ano. Segundo João Jacinto, os segmentos predominantes incluem famílias, casais e viajantes que procuram estadias em ambiente tranquilo, com forte ligação à natureza, com acesso a atividades como caminhadas, ciclismo, passeios a cavalo e observação de aves.

“A diversidade de tipologias das villas e os amplos espaços exteriores tornam o empreendimento particularmente apelativo para quem procura experiências de lazer fora do turismo massificado”, explica.

A procura apresenta um comportamento sazonal, com maior incidência no verão, embora se verifique um crescimento nas épocas intermédias, como a primavera, Páscoa, Natal e passagem de ano. Segundo o responsável, esta distribuição está associada ao facto de a herdade “não depender exclusivamente do turismo de praia”.

João Jacinto, presidente do conselho de administração da Herdade de Montalvo.

A sustentabilidade ambiental assume um papel central na gestão da herdade, com várias práticas implementadas ao nível florestal, agrícola e de gestão de recursos. “Este é um dos pilares centrais da identidade e da operação diária da Herdade de Montalvo”, afirmou.

Entre as medidas destacam-se a utilização de soluções energeticamente eficientes, como energia solar, a monitorização do consumo de água, “a valorização de recursos locais, como resina, o mel e o arroz”, e a adoção de práticas fitossanitárias com recurso a produtos naturais. “Toda a operação está estudada para garantir a maior sustentabilidade ambiental possível”, afirmou João Jacinto, explicando que a herdade privilegia “soluções ambientalmente responsáveis”, nomeadamente no controlo de pragas e na gestão da floresta. O responsável sublinha ainda a importância da preservação do ecossistema: “A Herdade de Montalvo é também um importante refúgio para centenas de espécies de fauna e flora”, assumindo-se como uma “ilha de biodiversidade” numa zona de elevado valor ecológico.

Expansão e novos projetos em preparação

Além da ampliação do alojamento, a Herdade de Montalvo prevê investir na valorização da experiência turística, com novos projetos ligados à natureza e ao lazer. Estão em preparação iniciativas como a criação de percursos interpretativos, valorização da duna paleolítica existente na propriedade – elemento que está na origem do nome “Monte Alvo” – e o licenciamento de novos campos de padel.

“A herdade pretende continuar a investir na valorização da sua oferta turística e ambiental”, referiu João Jacinto, acrescentando que o crescimento será feito “de forma sustentada”, respeitando as características do território.

Entre os principais desafios identificados para o setor do turismo de natureza em Portugal estão a necessidade de equilibrar crescimento e preservação ambiental, a gestão de recursos como a água e a redução da sazonalidade. “Torna-se essencial garantir uma operação sustentável sem perder competitividade”, sublinhou, apontando também a crescente “exigência dos hóspedes” e a “pressão sobre os ecossistemas” como fatores a considerar.

A médio prazo, a estratégia passa por “consolidar a notoriedade enquanto referência no turismo de natureza em Portugal e reforçar a captação de hóspedes nacionais e internacionais”, afirmou João Jacinto, acrescentando que o crescimento será feito “de forma sustentada, respeitando os limites e características do território”, com foco na sustentabilidade e na valorização do território.

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