Hotéis portugueses viram o jogo: mais canal direto, menos dependência das OTAs

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Os hotéis portugueses estão a recuperar controlo sobre a distribuição das suas reservas, invertendo uma tendência de forte dependência das plataformas intermediárias que marcou a última década. As reservas diretas representam hoje 36% do total, quando há cinco anos não ultrapassavam os 22%, o que corresponde a um crescimento de 64%.

Os dados constam de um estudo da Bedsrevenue, divulgado esta quinta-feira, 15 de janeiro, que analisa a evolução dos canais de distribuição no setor hoteleiro nacional entre 2020 e 2026.

Segundo o estudo, “as reservas diretas (através de website, telefone e e-mail) representam atualmente 36% do total de reservas, um crescimento expressivo face aos 22% registados há cinco anos — uma evolução de 64% que marca uma inversão estratégica no setor”.

Menor dependência das OTAs, mas ainda dominantes

Apesar desta evolução, as agências de viagens online (OTAs) continuam a concentrar a maioria das reservas, com uma quota de 64%. Ainda assim, o peso destes intermediários caiu de forma significativa face a 2020, quando representavam 78% do total.

De acordo com a Bedsrevenue, esta mudança resulta de “um investimento renovado dos hotéis na relação direta com o cliente, aliando práticas tradicionais de hospitalidade a estratégias de pricing dinâmico e experiências digitais otimizadas”.

No mercado português, três plataformas digitais continuam a destacar-se no panorama das reservas intermediadas. A Booking.com posiciona-se como “líder absoluto” em reservas urbanas e mercados europeus, enquanto o Expedia Group apresenta uma “posição forte em clientes norte-americanos”. Já a Airbnb regista um “crescimento relevante” nas estadias de lazer prolongadas.

Reservas diretas geram até mais 18% de margem

O estudo destaca ainda o impacto do novo paradigma nas margens operacionais, cujo impacto é descrito como “substancial”. Enquanto as OTAs aplicam comissões entre 15% e 22%, o custo associado ao canal direto situa-se entre 3% e 6%, incluindo marketing digital e tecnologia.

“Na prática, cada reserva obtida através de canal direto pode gerar até 18 pontos percentuais adicionais de margem líquida comparativamente a uma reserva intermediada — um diferencial crítico num setor caracterizado por margens apertadas”, explica a Bedsrevenue, em comunicado.

Diferenças por tipologia de hotel e perfil do cliente

A análise revela comportamentos distintos consoante o tipo de unidade e o segmento de procura. Os hotéis urbanos, de três e quatro estrelas, continuam mais dependentes das OTAs, sobretudo para captar “clientes internacionais e estadias curtas, onde a visibilidade nas plataformas globais é determinante”.

Já os hotéis de lazer e boutique apresentam um “crescimento expressivo do canal direto”, apoiado por estratégias de branding e programas de fidelização. No segmento corporate, o controlo do canal direto é maior, através de acordos negociados e gestão de contas empresariais.

Por outro lado, os segmentos de famílias e lazer internacional permanecem “fortemente orientados para as OTAs, valorizando a comparabilidade e segurança nas plataformas agregadoras”.

Tendência deverá manter-se

A Bedsrevenue antecipa que o crescimento do canal direto continuará nos próximos anos, impulsionado por “investimentos continuados em tecnologia, personalização da experiência do hóspede e estratégias de revenue management mais sofisticadas”.

Para o mercado B2B, o estudo aponta oportunidades claras para “fornecedores de soluções tecnológicas, plataformas de CRM e parceiros especializados em marketing digital para hotelaria”.

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