Hoti Hoteis fecha 2025 com “crescimento sólido” de 7% e prevê 130 milhões em 2026

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O Grupo Hoti Hoteis alcançou uma receita total de 121 milhões de euros em 2025, resultando num crescimento de 7% face a 2024. Durante um almoço de imprensa esta terça-feira, dia 6, o CEO Miguel Proença destacou que se tratou de um ano com um “crescimento sólido”, que permitiu atingir “com grande precisão” os valores previstos nos orçamentos, “seja em termos de receitas globais, seja em termos de resultado”.

Na apresentação dos resultados, Miguel Proença sublinhou que as novas aberturas e as remodelações realizadas têm sustentado “uma parte importante do crescimento”, mas nem todos os mercados apresentam um cenário favorável. “Não são tudo notícias cor-de-rosa”, alertou, explicando que, de forma gradual, têm vindo a aumentar os destinos considerados problemáticos. Após dificuldades sentidas em Leiria, seguidas pela região do Grande Porto e por Peniche, Lisboa surge agora como a principal preocupação.

No Grande Porto, o principal fator tem sido “o excesso de aumento de oferta”. Em Lisboa, o impacto resulta da situação aeroportuária. Já Peniche enfrenta um problema estrutural de sazonalidade e de dependência excessiva de um único segmento. “Peniche afirmou-se muito através de um segmento de procura ligado ao surf, mas estar dependente apenas de um segmento de mercado é algo bastante complicado e preocupante”, explicou, recordando que o dinamismo vivido em 2017 e 2018 já não se verifica atualmente.

Também Leiria foi apontada como um destino frágil. “É um destino com um posicionamento difícil e onde se sente muito a abertura de cada novo hotel”, afirmou, sublinhando que o aumento da oferta tem tido um impacto direto no desempenho.

Estas quebras têm sido compensadas por outros mercados. “A Madeira, claramente”, respondeu Miguel Proença quando questionado sobre os destinos que equilibram os resultados, destacando ainda o bom desempenho de algumas localizações secundárias. “O caso de Braga, por exemplo, é um desses casos”, afirmou, referindo que a abertura do hotel INNSiDE, no ano passado, teve uma resposta positiva do mercado. São João da Madeira, onde a Hoti Hoteis abriu um hotel em 2024, foi também apontado como uma aposta estratégica e de “sucesso”.

Preço médio sobe para 106 euros, ocupação recua para 74%

Ao nível comercial, o grupo manteve uma estratégia focada no aumento do preço médio em detrimento da ocupação. “A evolução das vendas, globalmente, foi bem posicionada, mais uma vez muito em cima de preços e menos em cima de ocupação”, afirmou Miguel Proença, sublinhando que esta foi “uma aposta deliberada”. Em 2025, o grupo fechou o ano com um preço médio de 106 euros, “mais 5% do que em 2024”, depois de no ano anterior ter ultrapassado a fasquia dos 100 euros. A taxa de ocupação registou uma ligeira quebra de 0,5%, fixando-se nos 74%.

Num contexto de maior estabilização das receitas, o CEO destacou a importância da eficiência operacional. “Gradualmente estamos a entrar num período de maior estabilização de receitas, o que obriga a irmos além dos raciocínios que vão apenas pela otimização de venda”, explicou, referindo um reforço dos esforços de otimização da gestão e dos custos, que permitiram “manter os níveis de retorno” e continuar a pressão para “gradualmente conseguirmos retomar os valores que tínhamos na pré-pandemia”.

Entre 12 e 14 milhões investidos em remodelações

No plano dos investimentos, Miguel Proença revelou que estão em curso “as remodelações totais do Meliá Ria, em Aveiro, e do Golden Residence”, na Madeira, estando também prevista ainda este ano a obra de ampliação e remodelação total do Tryp Montijo. “Isto são os grandes valores e os grandes desígnios operacionais para este ano”, afirmou. Globalmente, o investimento em remodelações deverá situar-se “à volta de 12 a 14 milhões de euros”.

Para 2026, o Grupo Hoti Hoteis está a trabalhar com um orçamento de cerca de 130 milhões de euros, o que representa um crescimento de 7% face a 2025. “Temos de ter em consideração o facto de efetivamente termos alguns destinos relativamente aos quais seria completamente irrealista manter as expectativas de crescimento que tivemos em 2023 e 2024”, explicou Miguel Proença.

Num cenário de maior realismo, o CEO destacou que, em muitos mercados, o crescimento terá de ser mais equilibrado. Para 2026, o grupo pretende repartir o aumento da receita entre preço e ocupação, uma vez que “não temos já tanta margem de crescimento de preço”, mas existe maior margem para recuperar níveis de ocupação.

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