O Grupo Hoti Hoteis mantém uma estratégia de crescimento sustentada e de reinvestimento contínuo, apoiada numa estrutura financeira sem dívida e numa forte aposta em projetos de raiz. Durante um almoço de imprensa realizado esta terça-feira, dia 6, Manuel Proença, presidente da Hoti Hoteis, sublinhou que o grupo pretende continuar a crescer, com especial enfoque em dois grandes projetos mistos (hotelaria, residence e imobiliário) — na Avenida da Boavista, no Porto, e em Aveiro — ambos já anunciados no ano passado.
“Nestes 25 anos conseguimos ter um total de 22 hotéis. Vamos prosseguir, temos mais unidades para fazer e estamos numa fase em que vamos sempre reinvestindo”, afirmou Manuel Proença, destacando que o grupo “não tem dívida” e está, por isso, disponível para avançar com novos investimentos. “É uma atividade que nós gostamos e vamos prosseguir para os filhos, para os netos”, acrescentou.
Segundo o presidente do grupo, 2025 foi “um ano muito bom”, com novos recordes de receita e de resultados, o que reforça a confiança na execução dos projetos em carteira. Entre estes, destacou o novo hotel Meliá na Avenida da Boavista como uma prioridade estratégica. “É uma grande unidade e é prioritária, é uma das unidades que nós vamos avançar”, afirmou.
Boavista: hotel de 222 quartos e entrada no turismo residencial
O projeto da Avenida da Boavista, no Porto, representa a entrada da Hoti Hoteis no segmento do turismo residencial com serviços hoteleiros integrados. A primeira fase prevê um investimento de cerca de 60 milhões de euros, num conjunto que inclui um hotel de 222 quartos, sob a marca Meliá, e um residence com cerca de 120 apartamentos.
“Vamos arrancar com esta unidade de grande porte, uma unidade de 222 quartos, e em frente, praticamente, o segmento residencial, para pessoas que querem ter um apartamento, mas também serviço de hotel”, explicou Manuel Proença. “Estamos a dar início a esta fase também deste turismo residencial como serviço do hotel.”
A abertura do hotel da Boavista está prevista, pelo menos, para 2028, com o início da construção apontado para um horizonte de cerca de dois anos.
Aveiro: complexo misto com investimento de cerca de 80 milhões
Em Aveiro, a Hoti Hoteis está a desenvolver outro grande projeto, também de uso misto, com um investimento estimado em cerca de 80 milhões de euros. O complexo, localizado junto à ria, integrará hotelaria e residencial, com cerca de 180 unidades residenciais, além de um hotel, e deverá arrancar com a construção no próximo ano, apontando igualmente para uma abertura entre 2028 e 2029.
“É um grande projeto, com um investimento elevado, estamos a falar de 80 milhões de euros só nesse projeto”, sublinhou Manuel Proença, referindo que Aveiro será também um dos mercados onde o conceito de residence com serviços hoteleiros será aplicado.
No conjunto, os projetos da Boavista e de Aveiro representam, numa fase inicial, um volume de investimento próximo dos 140 milhões de euros.
Licenciamentos e justiça continuam a ser os principais entraves
Ricardo Gonçalves, administrador da Hoti Hoteis, explicou que a capacidade financeira do grupo não é o principal obstáculo ao investimento, mas sim os processos administrativos e judiciais. “Os maiores desafios que temos são os processos de licenciamento e os processos de justiça”, afirmou, apontando como exemplos os projetos de Monte Gordo e do Largo do Rato, ambos parados há vários anos sem horizonte de resolução.
“Quando falamos de investimento e da alocação de capital por ano, o contexto dificulta muitas vezes a materialização da ambição dos acionistas”, explicou, sublinhando que, apesar disso, o grupo tem “músculo para agarrar” os projetos quando existem condições para avançar.
Ricardo Gonçalves destacou ainda que a Hoti Hoteis tem privilegiado o desenvolvimento de raiz em detrimento da compra de unidades existentes. “Neste momento não temos nenhuma operação a ser estudada para compra, todas as operações que temos são de desenvolvimento raiz”, explicou, alertando para os preços inflacionados dos ativos hoteleiros e para o carácter cíclico da indústria do turismo.
Residence como complemento à hotelaria
Sobre o conceito de residence, Ricardo Gonçalves explicou que se trata de um produto imobiliário com serviços autónomos, associados ao hotel, mas com flexibilidade para o proprietário. “O investidor pode usar ou não usar os serviços, adaptando-se ao seu ciclo de vida”, afirmou, destacando vantagens como o acesso a serviços de housekeeping, restauração, wellness e outras facilidades de um hotel de cinco estrelas.
Segundo o administrador, este modelo permite “desenvolver a hotelaria para fora do hotel” e responde melhor a contextos onde a dimensão prevista seria excessiva para um projeto exclusivamente hoteleiro, evitando impactos negativos no mercado e contribuindo para a sustentabilidade do investimento.
Apesar do forte pipeline, Manuel Proença deixou claro que o grupo mantém uma abordagem prudente. Questionado sobre o concurso de concessão das Pousadas, afirmou: “Vamos olhar para isso, vamos analisar se se justifica, mas não é uma prioridade nossa.”




