“O sucesso não é um acaso e dá muito trabalho, há que preparar os alunos para o mundo empresarial”
O alinhamento entre a formação e a realidade empresarial é crucial para o desenvolvimento económico e dos recursos humanos. Hoje é comum perguntar-se na sala de aula: “para que serve este conhecimento?”, com a geração que frequenta o ensino superior a assumir claramente que não quer ficar horas intermináveis a ouvir teoria. E, eu concordo, se não tem aplicabilidade prática, para quê perder tempo? O tempo tornou-se mais valioso, tal como o balanço entre a vida profissional/estudantil e a vida pessoal.
Este alinhamento entre o conhecimento adquirido e a realidade empresarial contribui para que os estudantes adquiram profissionalismo e competências que serão realmente valorizadas pelas organizações, o que lhes permite uma integração e progressão de carreira mais fácil. Além disso, o reconhecimento pelas empresas de que são uma mais-valia aumenta a taxa de empregabilidade e retenção de talento.
No caso concreto de hotelaria e turismo, é fundamental criar uma proximidade da academia a entidades de referência, a nível nacional e internacional, através de estágios. Bem integrados, facilita a integração no mundo empresarial e cria uma maior motivação junto dos alunos. Com isso, será possível criar uma situação “win-win”, em que as entidades empregadoras conseguem encontrar colaboradores que se identificam com a instituição, oferecendo vínculo contratual após o estágio. Refira-se que salários na hotelaria subiram em 2025 quase 7%, pressionados pela escassez de mão-de-obra (Randstad, 2025). Assim, as empresas agradecem quando conseguem encontrar um estagiário com potencial de crescimento para integrar os seus recursos humanos.
O sucesso não é um acaso e dá muito trabalho, há que preparar os alunos para o mundo empresarial. Tal exige do ensino superior uma seleção criteriosa dos seus docentes, os quais, mesmo com um percurso académico de referência, deverão ter, também, conhecimentos práticos. Áreas, como por exemplo, Gestão de Alojamento e Gestão de F&B (comidas e bebidas) ou Gestão de Eventos, deverão ser lecionadas por profissionais com vasta experiência e em que o “saber-fazer” e a formação on-the-job é levada muito a sério. Os alunos não adquirem apenas conhecimentos teóricos, mas contactam com a realidade nos hotéis, na cozinha, na elaboração de um evento. Convidados especialistas e visitas de estudo a instituições são também importantes, com o intuito de ver, não só o que um cliente vê, mas também tudo o que está por detrás. Hospitalidade, sustentabilidade, saúde e bem-estar são temas abordados que preocupam as empresas e os jovens de hoje.
Com a importância deste setor para a economia nacional, é fulcral formar de forma criteriosa, com qualidade. Ao mercado urge responder às necessidades que se têm identificado nos últimos anos. Especialmente, em torno de uma oferta que se pretende mais sofisticada e direcionada a um público com maior poder de compra; o que exige a todos capacidade de cumprir um determinado papel. No caso da academia, cabe preparar os profissionais do futuro, que mantenham Portugal na linha da frente desta indústria. Porque o sucesso constrói-se nas bases.
Por Paula Tavares de Carvalho
Coordenadora do Mestrado em Hospitalidade e Licenciatura em Gestão Hoteleira do ISEC Lisboa



