O investimento hoteleiro em Espanha e na Europa enfrenta um novo ciclo marcado pela necessidade de prudência, ambição e capacidade de adaptação, num contexto de incerteza macroeconómica e geopolítica. Esta foi uma das principais conclusões do VI Spanish Host-In, que reuniu cerca de 300 executivos do setor na passada terça-feira, em Madrid.
O fórum decorreu no Eurostars Madrid Tower e contou com a presença de representantes de cadeias hoteleiras, fundos de investimento, entidades financeiras e consultoras. A sessão de abertura esteve a cargo de Amancio López Seijas, presidente do Grupo Hotusa, e de Clara López, diretora de investimento e desenvolvimento da cadeia hoteleira, sublinharam a importância de interpretar corretamente o atual enquadramento económico para antecipar decisões estratégicas no setor.
Na sua intervenção, Clara López destacou que “o ano passado foi relevante para o investimento hoteleiro em Espanha, ultrapassando os 4 mil milhões de euros”, acrescentando que “as cadeias hoteleiras realizaram uma em cada três compras no mercado”. A responsável alertou, no entanto, para um cenário com múltiplas incertezas, defendendo que “o desafio é compreender essas incertezas, geri-las e tomar decisões informadas”.
Estratégias de expansão das cadeias hoteleiras
A primeira mesa redonda foi dedicada às estratégias de crescimento das cadeias hoteleiras e contou com a participação de Raúl González, do Barceló Hotel Group, e de José Theotónio, do Pestana Hotel Group.

José Theotónio afirmou que 2025 foi “um ano muito bom” para o Pestana, sublinhando que o grupo continua a crescer na Europa, nos Estados Unidos e em Portugal, com recentes operações na Madeira e em Paris. Já Raúl González destacou o peso internacional das empresas hoteleiras espanholas, que gerem cerca de 11% da oferta mundial, defendendo estratégias diferenciadas por região geográfica e apontando maiores oportunidades de rentabilidade fora dos grandes centros urbanos.
A segunda mesa abordou as estratégias de investimento para 2026, com a participação de Javier Arús, da Azora; Ulf Pleschiutschnig; e Jacopo Burgio, com moderação de Patrick Saade.
Os oradores concordaram que o setor não dá sinais de retração, embora o novo ciclo exija maior disciplina financeira, ajustamentos de preços e uma abordagem mais seletiva aos investimentos, com foco na rentabilidade e na liquidez dos ativos.
O financiamento hoteleiro esteve em destaque na terceira mesa, com Donato González e Ricardo de Armas, num debate moderado por Carlos Tusquets. Foi consensual a ideia de que a banca continua disponível para financiar projetos sólidos, enquanto os fundos alternativos ganham espaço ao oferecer maior flexibilidade e rapidez.
O encerramento ficou a cargo de Ignacio de la Torre, que apresentou uma análise macroeconómica, salientando que a Europa e a Espanha superaram as previsões de crescimento e que o turismo voltou a surpreender, com um aumento de 7% nos gastos dos turistas. Um desempenho que, segundo o economista, cria uma base favorável para o próximo ciclo do investimento hoteleiro, ainda que num ambiente que exige maior prudência estratégica.




