Quinta-feira, Setembro 29, 2022
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Les Roches aposta cada vez mais na inovação: “Não nos estamos a transformar numa escola de engenharia”, garante CEO

A escola Les Roches, membro afiliado da Organização Mundial do Turismo (OMT) desde 2017, assinou na semana passada um acordo com a organização para o apoio ao desenvolvimento da inovação e da tecnologia nas escolas. Em declarações ao TNews, Benoit-Etienne Domenget, CEO da Sommet Education – grupo educacional líder em formação hoteleira e artes culinárias, que integra a Les Roches, o Glion Institute of Higher Education, a Ecole Ducasse, a Indian School of Hospitality e a Invictus Education – falou sobre a importância deste acordo. Estratégias para atrair talento para as escolas, planos de expansão e falta de mão-de-obra no setor foram outros temas abordados na passada quinta-feira, 8 de setembro.

Que resultados espera do acordo entre a Sommet Education e a OMT?

Muito simples, ambas somos organizações internacionais. O Secretário-geral da OMT mencionou que uma das suas prioridades é a educação e o que fizemos, e continuaremos a fazer no futuro, é sensibilizar para as tendências, para a atratividade do setor, para as novas tecnologias, inovação, empresas, apoio à incubação de projetos, etc. Hoje estamos a unir forças, também muito para apoiar o que Les Roches está a fazer quando se trata de inovação, como parte do Spark Project. Isto, em suma, é o que temos vindo a fazer recentemente e o que estamos a consolidar e a querer acelerar no futuro.

Como tem sido a procura nestes dois anos de pandemia pelas escolas da Sommet Education? Houve crescimento ou decréscimo?

No geral, a procura aumentou, além de que também aumentamos a nossa pegada, temos mais campus do que tínhamos antes da pandemia. Abrimos escolas em Paris, África do Sul e Índia e o que vemos, e que segue a tendência da indústria do turismo em geral, é que há muitos estudantes dispostos a ter exposição a educação internacional. Mas também há alunos dispostos a estudar nos seus respetivos países, e o que fazemos é levar a nossa educação a esses países, o que é o nosso foco por exemplo na África do Sul ou na Índia. Dirigimo-nos tanto à audiência internacional como à doméstica e regional. Se agregarmos tudo, a procura tem aumentado.

Que estratégias é que as escolas da Sommet Education utilizam para atrair talentos?

As escolas que temos estão presentes no mercado há décadas, têm uma longa história, uma longa reputação, uma grande rede de contactos, e o que temos feito e continuamos a fazer no futuro é tentar ser relevantes tanto para os estudantes como para a indústria, assegurando que os nossos programas são constantemente adaptados e ajustados às necessidades do mercado. Hoje em dia, trazemos e colocamos muita ênfase na inovação nas nossas escolas. Mas, atenção, a Les Roches não se está a converter numa escola de engenharia, o que queremos assegurar é que os estudantes que se formam na Les Roches estarão, no decurso do seu percurso escolar, expostos a compreender profundamente como é que a tecnologia e a inovação podem ajudá-los a ser melhores, mais eficientes, mais empregáveis e a ter impacto no sector. As competências que são necessárias amanhã para ser um grande líder em ‘hospitality’ estão em constante evolução. Uma das maiores evoluções dos últimos 20 anos é a inovação, a tecnologia, o acesso aos dados e a forma de gerir esses dados, e é nisto que estamos a concentrar-nos neste momento.

“o que queremos assegurar é que os estudantes que se formam na Les Roches estarão, no decurso do seu percurso escolar, expostos a compreender profundamente como é que a tecnologia e a inovação podem ajudá-los a ser melhores, mais eficientes, mais empregáveis e a ter impacto no sector

Quais são as novas tendências em termos de ensino e como é que as vossas escolas se estão a adaptar a essas tendências?

As novas tendências são a tecnologia e os dados, como falei anteriormente. Também oferecemos nas nossas escolas programas híbridos, com aulas presenciais e online, e programas remotos. Mas é importante dizer que o feedback dos estudantes, da indústria e do governo é que ter um modelo académico bem equilibrado, em que se ensinam ‘hard e soft’ skills, é ainda mais válido agora do que antes da pandemia e, para fazê-lo, é preciso estar presente fisicamente, os alunos precisam de estar no campus. Isto não significa que não tenhamos programas remotos ou híbridos, mas, na nossa opinião, tem de ser feito em conjunto com uma grande exposição a situações da vida real no campus.

“O feedback dos estudantes, da indústria e do governo é que ter um modelo académico bem equilibrado, em que se ensinam ‘hard e soft’ skills, é ainda mais válido agora do que antes da pandemia”.

Quais são os planos de crescimento da Sommet Education?

Vemos crescimento em todas as nossas marcas: Les Roches, Glion, École Ducass, Indian School of Hospitality e Invictus Education na África do Sul, e observamos dois tipos de oportunidade. A primeira é que o termo ‘hospitality’ refere-se a muito mais do que restaurantes e hotéis, abrange basicamente todos os setores que são extremamente centrados no cliente e que estão a mudar a sua própria organização para maximizar a satisfação do cliente. Se amanhã fosse a uma marca de retalho numa das principais capitais do mundo, encontraria todos os códigos de ‘hospitality’ e isso é algo que está fundamentalmente a impulsionar um maior crescimento no futuro. Por este motivo, alargámos o leque de programas e a definição de ‘hospitality’ e criámos novos cursos, como o mestrado em Luxury Management da Glion, ou o mestrado em Innovation and Digital Information da Les Roches.

A segunda oportunidade, é um maior crescimento nas regiões onde tal acontece. Não é surpresa que as nossas duas recentes aquisições tenham sido feitas na Índia e em África, onde existem um total de dois mil milhões de pessoas com um apetite crescente por ‘hospitality’, viagens, turismo, luxo, e é isso que vamos continuar a fazer no futuro. Desde que adquirimos a Invictus na África do Sul, abrimos três novos campus; na Índia duplicámos a capacidade do campus existente, para fazer face à crescente procura de programas de culinária e pastelaria. É importante estar onde há uma forte procura e onde só pode ser enfrentada ou abordada localmente. 80% dos estudantes na África do Sul vêm da África do Sul e os outros 20% vêm de outras partes do continente.

Vamos abrir também uma École Ducass em Banguecoque este ano e acabámos de anunciar com a presidência da República de Benim, na Guiné, a futura abertura de uma École Ducass em Cotonu.

Como é que vê o facto de existir falta de mão de obra na Europa e os países estarem a ponderar recrutar fora do continente europeu?

Em primeiro lugar, é uma realidade. Em segundo lugar, apenas reforça o que já se passava antes da pandemia, que é a guerra pelo talento. As empresas estão a lutar para atrair os melhores talentos. Para os nossos futuros licenciados, eles terão ainda mais escolha do que anteriormente, pelo que esta é realmente uma grande notícia para eles. Os alunos têm enormes oportunidades de emprego e é também por isso que, do nosso lado, vemos uma expansão contínua do currículo do programa para garantir que os nossos licenciados vão para o mercado com as melhores competências possíveis e sejam bem sucedidos, mas também para abordar a educação contínua, a aprendizagem ao longo da vida, porque para preencher a falta de mão-de-obra serão necessários novos licenciados, mas também pessoas vindas de outros setores dispostas a trabalhar na hotelaria.

“As empresas estão a lutar para atrair os melhores talentos. Para os nossos futuros licenciados, eles terão ainda mais escolha do que anteriormente, pelo que esta é realmente uma grande notícia para eles.”

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