O regresso das viagens de longo curso, a flexibilidade e a segurança são três dos principais fatores que marcarão a evolução do setor nos próximos meses, segundo os agentes de viagens presentes na Cimeira Mundial das Associações de Agências de Viagens, que se realizou na semana passada em Granada, Espanha.
Durante o evento, Jean-Philippe Monod de Froideville, vice-presidente sénior de governação e assuntos corporativos do Grupo Expedia, afirmou que as viagens de longo curso estão a regressar, ao mesmo tempo que as exigências dos viajantes, após a pandemia, apontam para uma maior flexibilidade e segurança durante as suas viagens. “De facto, os seguros de viagem aumentaram cerca de 20 a 50%, devido a uma maior consciencialização dos riscos”, referiu.
Relativamente à escolha do destino final, os especialistas consideraram que os viajantes sabem “muito bem” para onde querem ir. “Enquanto 60% dos turistas não sabe qual destino escolher, cerca de uma pequena minoria viaja para participar em determinados eventos, como um concerto ou uma competição desportiva”, acrescentaram.
Para 2024, será necessário pensar em fatores decisivos que, de alguma forma, afetarão o futuro das viagens. Jean-Philippe Monod de Froideville acredita que no próximo ano as viagens irão aumentar, mas de uma forma mais reduzida.
Oliver Zahn, diretor da área de turismo da associação alemã de agências de viagens DRV, concorda que a procura de destinos mais longínquos está a aumentar. “As viagens de longo curso estão de volta ao nosso negócio e, embora ainda não atinjam os valores de 2019, vão aumentar. Em simultâneo, a capacidade de voos de curta distância continua a aumentar”, acrescentou.
Para antecipar as tendências dos próximos 10 anos, a Amadeus realizou o estudo “Traveller Tribes”, que Christian Boutin, diretor geral da Amadeus Espanha e vice-presidente sénior da gestão de clientes da EMEA, apresentou na Cimeira Mundial das Associações de Agentes de Viagens.
Durante a sua intervenção, o responsável da Amadeus sublinhou que, após a pandemia, “os viajantes vivem de forma diferente e querem experimentar novas atividades e novos destinos”
Além disso, Christian Boutin acredita que as novas tecnologias, como a inteligências artificial, irão afetar a forma como planeamos as viagens. “As pessoas querem desfrutar mais da natureza e viajar mais devagar. Estamos à procura de uma experiência enriquecedora”, afirmou.
Diversificar os destinos
No entanto, Oliver Zahn referiu que os destinos menos conhecidos representam uma oportunidade para os agentes de viagens, especialmente para aqueles que já viajaram muito ou que desfrutaram frequentemente de destinos de sol e praia.
No que diz respeito à diversificação dos destinos, Jean-Phillipe Monod salientou a limitação das infraestruturas no acesso a muitos destinos. “Se não existem infraestruturas adequadas para levar os viajantes a novos destinos, estes acabam por optar por aqueles que têm mais possibilidades para facilitar a viagem, como Londres e Paris”, explicou.


