A Lufthansa foi a escolhida pelo Governo para entrar no capital da TAP, num processo que prevê a aquisição de até 49,9% da companhia aérea por 1.201 milhões de euros. Mas o que espera o setor do turismo desta decisão e que garantias considera essenciais para o futuro da transportadora? O TNews reuniu as primeiras reações à escolha anunciada esta quarta-feira, recolhidas junto dos representantes do setor ou divulgadas publicamente. A notícia está em atualização.
O Governo anunciou esta quarta-feira a escolha da proposta do grupo Lufthansa para a privatização parcial da TAP, prevendo concluir a operação até ao início de 2028. O processo entra agora numa fase final de negociação, seguindo-se a assinatura dos acordos contratuais e a obtenção das aprovações regulatórias necessárias.
Em causa está a venda de até 49,9% do capital social da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros. Deste total, 44,9% destinam-se ao investidor selecionado e até 5% estão reservados aos trabalhadores, mantendo o Estado português a maioria do capital nesta primeira fase.
Entre as primeiras reações à decisão estão as da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, do candidato à presidência da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), e da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), bem como do operador turístico Solférias.
CTP defende privatização a 100%
Num comunicado enviado à imprensa, a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) saúda a decisão do Governo, considerando que a integração da TAP num grande grupo internacional poderá reforçar a competitividade da companhia aérea portuguesa, embora defenda a sua privatização total.
Francisco Calheiros, presidente da CTP, afirma que a “integração da TAP num grande grupo de aviação internacional vai beneficiar a companhia aérea, o turismo e o país”, frisando que “a TAP já não poderia continuar isolada neste mercado tão competitivo”.
“Aplaudo a decisão de hoje anunciada pelo Governo e continuo a frisar que a CTP defende uma segunda fase da venda da TAP, para que se concretize uma privatização a 100%”, sublinha.
A confederação considera que a entrada do grupo Lufthansa representa uma “mais-valia” para a companhia, ao garantir capacidade financeira e reforçar a sua competitividade internacional, “o que na atual conjuntura de mercado é essencial para o desenvolvimento da companhia aérea portuguesa”.
“Espero que, depois de terminadas todas as fases da operação de venda, se conclua que o novo acionista da TAP virá a garantir empregos, o hub de Lisboa, as ligações às regiões autónomas e à diáspora, a preservação das atuais rotas estratégicas, assim como fique garantido o ADN da marca TAP”, conclui Francisco Calheiros.
AHP vê sinal positivo para Portugal e para a hotelaria
Em declarações ao TNews, Bernardo Trindade, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), afirma que a escolha da Lufthansa constitui “um sinal positivo para a companhia e para Portugal”.
“O interesse de um dos maiores grupos de aviação do mundo em adquirir uma participação na TAP demonstra o reconhecimento internacional da companhia e do seu potencial. É também um sinal de que o esforço financeiro feito pelo país para apoiar a companhia contribuiu para preservar o seu valor”, refere.
Salvaguardados o hub de Lisboa e as ligações às regiões autónomas e à diáspora, a AHP acredita que “esta operação poderá criar condições para uma TAP mais sólida, competitiva e com maior ambição internacional”.
Para o setor da hotelaria e do turismo, “importa sobretudo que esta nova fase se traduza num reforço da conectividade aérea, contribuindo para o crescimento da atividade económica, do emprego e das receitas fiscais em Portugal”, defende.
Turismo do Alentejo e Ribatejo destaca reforço da competitividade de Portugal
Ao TNews, José Santos, presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo, destaca que a escolha da Lufthansa para a privatização parcial da TAP é “um importante resultado da ação do Governo” e uma “boa notícia” para a companhia aérea, o país e os contribuintes.
“A inclusão da TAP no quarto grupo mundial de aviação irá certamente fortalecer também a posição do país como destino turístico, conferindo-lhe maior competitividade”, afirma.
Marco Sequeira alerta para a importância dos compromissos contratuais
Marco Sequeira, candidato à presidência da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), defende que o essencial no processo de privatização não é a identidade do comprador, mas as garantias que ficarem estabelecidas no contrato.
“O que interessa às agências de viagens e ao turismo português não é tanto o nome do parceiro, mas os compromissos que ficarem escritos no contrato. Desde logo, a manutenção do hub de Lisboa, o crescimento real da operação no Porto e a garantia das rotas estratégicas para as Regiões Autónomas, o Brasil, a África lusófona e a diáspora. São estas ligações que sustentam o turismo e a economia nacional”, disse ao TNews.
Marco Sequeira destaca igualmente a importância de preservar a relação comercial entre a TAP e as agências de viagens. “Há um ponto que as agências não podem deixar cair: a TAP tem no canal agência um dos seus principais parceiros comerciais, e essa relação tem de ser preservada. A distribuição tem de continuar justa, transparente e sem custos adicionais impostos às agências e aos seus clientes”, sublinha.
“Se for eleito, a APAVT estará atenta e disponível para um diálogo construtivo com a TAP e o novo acionista, para que esta operação reforce, e não fragilize, a conectividade de Portugal”, garante Marco Sequeira.
ANAV pede envolvimento das agências de viagens
Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), considera que a entrada do grupo Lufthansa poderá conferir maior solidez à companhia aérea portuguesa, mas defende que as agências de viagens devem ter um papel ativo no processo de privatização.
“A escolha da Lufthansa pode dar à TAP maior solidez e capacidade para crescer. Mas, na perspetiva do mercado e das agências de viagens, o sucesso desta operação dependerá das garantias que trouxer: preservar e reforçar o hub de Lisboa, aumentar a conectividade e proteger a livre concorrência”, afirma ao TNews.
“Como já defendemos publicamente, as agências de viagens têm de ser ouvidas e envolvidas neste processo. Precisamos de acesso transparente às tarifas e de condições comerciais que valorizem a distribuição e permitam servir melhor os consumidores”, reitera.
A integração num grande grupo de aviação “deve traduzir-se em mais opções e melhor serviço, sem criar novas barreiras à intermediação”, defende o presidente da ANAV. “É por esses resultados que avaliaremos esta operação durante os próximos tempos”.
Solférias espera crescimento da TAP e continuidade da relação com o operador
Nuno Mateus, diretor-geral da Solférias, considera que a entrada da Lufthansa no capital da TAP poderá contribuir para o crescimento da companhia aérea portuguesa, esperando que a operação reforce a sua dimensão sem comprometer a relação com o mercado turístico.
“Em termos de dimensão, vai ser excelente para a TAP porque [a companhia portuguesa] tem argumentos muito fortes na Europa, em África e no Brasil, principalmente”, afirma. O facto de ambas as companhias integrarem a Star Alliance é também visto como uma vantagem: “não há uma mudança a esse nível, o que é mais fácil”.
Apesar das expectativas positivas, Nuno Mateus defende que o novo acionista deve ter em conta as especificidades do mercado português. “Não tenho dúvidas nenhumas que a TAP vai crescer e, acima de tudo, o que precisamos é que, independentemente do acionista, ele saiba ouvir o mercado”, afirma.
A Solférias utiliza os voos regulares e a rede da TAP para construir e comercializar pacotes de viagens e operações especiais, pelo que o diretor-geral espera que a parceria seja fortalecida. “A operação turística da Solférias tem uma ligação muito forte com a TAP e espero que isso se mantenha e, se possível, que ainda melhore, porque a TAP é o nosso principal parceiro”, salienta.
Nuno Mateus deixa ainda uma avaliação positiva da atual administração da companhia aérea. “Toda a equipa têm feito um excelente trabalho connosco. Esta administração acabou por reconquistar o trade. Estamos muito satisfeitos e esperemos que se mantenha”, defende.
“Cada nova casa tem regras diferentes. Estamos a falar de uma companhia de grandes dimensões. Não tenho dúvidas nenhumas que a TAP será uma mais-valia dentro do grupo Lufthansa, senão não teriam ido à sua aquisição”, conclui.
Notícia atualizada às 21h54, com as declarações de José Santos, presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo.




