A Agência Abreu entra em 2026 com a convicção de que pode crescer mais do que em 2025. Depois de um ano que “correu bem” e em que todos os negócios registaram crescimento, Pedro Quintela, diretor-geral de Vendas da Agência Abreu, sublinha que “suficiente não é suficiente” e que o grupo quer passar do suficiente ao bom, com mais ambição e uma aposta continuada no produto diferenciado.
À margem do Abreu Summit 2026, que decorreu este sábado no Estoril, Pedro Quintela explicou que o encontro assume um papel central para o alinhamento interno do grupo, funcionando como momento de balanço e de lançamento do ano seguinte.
“O evento é importante porque ajuda as pessoas a perceber qual é a visão global de 2025, a conhecer o que cada área atingiu, mas também o que o grupo fez como um todo”, afirmou, lembrando que a Abreu integra realidades distintas, desde a rede de lojas ao negócio online, bed bank, Abreu Events e Abreu Logistics.
Mais do que apresentar metas fechadas, o Summit serve para definir o enquadramento do ano. “O objetivo não é tanto apresentar objetivos, porque isso é trabalhado depois com cada equipa, mas lançar o mote para o ano. E este ano o mote é atitude, ambição e ação.”
2025 foi positivo em todos os negócios
Questionado sobre o desempenho de 2025, o responsável confirma que foi um ano positivo para o grupo, ainda que com ritmos diferentes entre áreas.
“Correu bem, e quando dizemos correu bem, é porque correu mesmo bem. Em Portugal, todos os negócios cresceram, uns mais do que outros”, explicou, destacando o crescimento mais acentuado no bed bank e no corporativo, sem deixar de sublinhar que também houve crescimento no lazer.
Ainda assim, Pedro Quintela insiste que a ambição é fazer mais. “Para nós, suficiente não é suficiente. Queremos mais e por isso queremos saltar do suficiente para o bom.”
Ao longo de 2025, a Abreu foi-se adaptando às condicionantes do contexto internacional, seja por razões geopolíticas ou de perceção de segurança por parte dos clientes.
“O que sentimos ao longo do ano foi que as pessoas foram-se adaptando às condicionantes que o mundo apresentava: não dá para viajar para Israel como dava antes e passaram a viajar para outros sítios”, afirmou, acrescentando que o mesmo sucede quando surgem receios associados a outros mercados. “O que sentimos é que os clientes procuram outros caminhos, e nós também.”
Essa adaptação passou por apresentar destinos diferentes, formas de vender diferentes e novos modelos de contacto com o cliente. Um dos exemplos mais claros é a Abreu Experience, modelo de venda por videochamada.
“De um ano para o outro, dobrámos a equipa. Começámos com três ou quatro pessoas e hoje já temos mais de 12 a vender só por videochamada”, revelou, sublinhando que este modelo tem vindo a responder a novas necessidades do mercado. Em 2026, o objetivo passa por consolidar.
“Para nós, suficiente não é suficiente. Queremos mais e por isso queremos saltar do suficiente para o bom.”
Grandes viagens no melhor ano de sempre
Nas grandes viagens, 2025 foi mesmo “o melhor ano de sempre em termos de vendas”. Um resultado que Pedro Quintela associa a uma aposta consistente no produto diferenciado.
“É um produto onde estamos a investir muito, porque sabemos que a gestão das margens no produto mais massificado não é tão fácil”, explicou, acrescentando que esta aposta tem tido bons resultados.
A diversificação da procura foi visível em vários destinos. A Abreu lançou, por exemplo, uma viagem à Etiópia no âmbito do conceito Vamos Explorar o Mundo, que deu origem a um programa de televisão em parceria com a CNN e a TVI. O Japão manteve-se como um fenómeno, enquanto a Tailândia recuperou níveis próximos dos registados antes da pandemia.
“Duplicámos o número de passageiros em grandes viagens de um ano para o outro”, revelou, resultado de uma aposta iniciada em 2023 na construção de produto e reforçada em 2024. Destinos como Vietname e Nova Zelândia também registaram forte procura, com programas que esgotaram rapidamente.
185 anos celebrados ao longo de todo o ano
O ano de 2025 foi também marcado pela celebração dos 185 anos da Agência Abreu. Segundo Pedro Quintela, as comemorações decorreram ao longo de todo o ano e em diferentes momentos.
Entre os marcos destacados estão o regresso ao formato tradicional do Mundo Abreu e da Expo Abreu, após um período em que a empresa apostou num modelo descentralizado em centros comerciais. “Voltámos ao Mundo Abreu tradicional e correu muito bem”, afirmou.
Outro momento simbólico foi o regresso à BTL, numa altura considerada especialmente adequada para assinalar os 185 anos. A estratégia incluiu ainda uma forte aposta na comunicação da marca e na sua história, com iniciativas como t-shirts retro inspiradas em cartazes dos anos 60.
“Fomos lembrando a nossa história, mas também a mostrar o lado arrojado que temos de continuar a ter para fazer história”, explicou.
Quanto a 2026, o Mundo Abreu já tem data marcada para 14 e 15 de fevereiro, enquanto a Expo Abreu deverá realizar-se, como habitual, em outubro. Os formatos serão semelhantes aos de 2025, com ajustamentos pontuais.
Crescer de forma consciente, mas otimista em 2026
Apesar de os números finais de 2025 ainda não estarem fechados, devido ao desfasamento entre vendas e realização das viagens, as perspetivas para 2026 são claras. “Vamos crescer outra vez em 2026, porque estamos a criar condições para que isso aconteça, seja porque continuamos a ter cada vez mais portugueses a viajar, seja porque conquistamos quota de mercado, ou porque começámos a vender um produto diferenciado, com um valor mais alto do que um produto mais generalista e mais concorrencial. Esta é a mensagem que passamos às nossas pessoas, porque é a mensagem em que acreditamos”, afirmou.
O objetivo desejado passa por crescer cerca de 10% ao ano, embora reconheça que nem todos os negócios crescem ao mesmo ritmo. “Não é só o crescimento em vendas que nos interessa. Queremos sustentar um crescimento na margem também, não adianta crescer muito em vendas se a margem não acompanhar esse crescimento.”
“Vamos crescer outra vez em 2026, porque estamos a criar condições para que isso aconteça, seja porque continuamos a ter cada vez mais portugueses a viajar, seja porque conquistamos quota de mercado, ou porque começámos a vender um produto diferenciado, com um valor mais alto do que um produto mais generalista e mais concorrencial”
Pessoas no centro do investimento
Questionado sobre onde a Abreu vai concentrar mais investimento em 2026, Pedro Quintela não hesita: “O maior investimento que fazemos todos os anos é nas nossas pessoas.”
Esse investimento inclui remuneração, formação e experiências. Só no âmbito do Summit, o grupo vai oferecer mais de 100 viagens aos colaboradores, muitas delas com um objetivo formativo, permitindo conhecer destinos e produto.
Em paralelo, haverá investimento em tecnologia, incluindo inteligência artificial, novas ferramentas de booking, renovação de hardware e desenvolvimento de produto. “Estamos a levar cada vez mais pessoas das equipas a viajar para conhecer o produto, acompanhar clientes e ajustar a oferta.”
Atualmente, a área de viagens do grupo emprega cerca de 950 pessoas.
Novos clientes sem perder os históricos
Questionado sobre a aposta da Agência Abreu em novas gerações, sem descurar os clientes históricos, Pedro Quintela confirma que a renovação do perfil de clientes já está a acontecer, embora não apenas por critérios geracionais.
“Nós notamos novos clientes, mas não necessariamente só com diferenças geracionais. Nós vendemos a todo o tipo de clientes”, afirmou, sublinhando que a Abreu continua a vender a estudantes, jovens casais, famílias e viajantes solitários. Neste último segmento, destacou a crescente procura por viagens em grupo no âmbito das grandes viagens, como o conceito Vamos Explorar, sobretudo por parte de clientes que viajam sozinhos, mas preferem integrar grupos organizados.
Segundo o responsável, esta diversidade sempre existiu, mas nos últimos anos a empresa tem acelerado a renovação do perfil de clientes, procurando chegar a gerações mais jovens, mais autónomas na preparação das viagens.
“Temos avós que viajavam connosco, depois os filhos passaram a viajar e agora os netos viajam connosco, às vezes todos juntos, outras vezes em separado”, exemplificou, sublinhando que esta ligação intergeracional faz parte do ADN da marca. Ainda assim, reconhece que é necessário mostrar a diferença da Abreu a um público mais jovem, habituado a montar as suas próprias viagens.
Nesse contexto, Pedro Quintela destacou a importância de não se tratar apenas de comunicação, mas também de modelos de venda adaptados. A Abreu Experience, serviço de venda por videochamada, é apontada como um exemplo claro dessa abordagem.
“Este modelo toca claramente num segmento mais jovem, com algum poder económico, que não quer ir a um centro comercial às oito da noite comprar uma viagem e não tem tempo para ir antes”, explicou. “Se tiverem alguém que marca uma videochamada à hora do almoço e organiza a próxima viagem, funciona muito bem.”
Para o diretor-geral de Vendas, é precisamente esta combinação entre marca, proximidade e novos modelos de contacto que tem permitido à Abreu chegar a novos clientes, sem perder a relação com aqueles que acompanham a empresa há gerações.
Vender melhor num mercado competitivo
Sobre o mercado charter e a forte pressão sobre os preços, Pedro Quintela deixou um alerta claro para os riscos de uma estratégia excessivamente centrada no preço.
“Quanto mais baixamos a margem, menos importância damos ao produto”, afirmou, defendendo que a desvalorização do preço tem consequências difíceis de reverter. “Temos milhares de passageiros por ano a viajar para as Caraíbas, se colocamos hoje um preço que o cliente vê como baixo, nunca mais vamos conseguir colocar um preço mais alto. Estamos a desvalorizar o próprio produto.”
Segundo o diretor-geral de Vendas da Agência Abreu, este é um tema sensível: “Vamos continuar a vender esse produto, como é óbvio, mas vamos ter de nos diferenciar, porque as empresas não vivem de vendas, vivem de resultados. Se esmagamos as margens e desvalorizamos o produto, não vamos ter resultado.”
Essa diferenciação passa por retirar o foco exclusivo do preço e reforçar outros fatores de valor. “Se o mercado não se quer diferenciar e vende a preço baixo, nós temos de encontrar outras coisas para vender que se distingam”, afirmou, apontando o destino, a relação criada com os comerciais e a confiança na marca como elementos-chave.
É precisamente essa abordagem que a Abreu tem vindo a seguir. “Vender melhor, não necessariamente vender mais”, resume Pedro Quintela, sublinhando que esse caminho permite construir margens mais sustentáveis, equipas mais fortes e clientes mais satisfeitos.
O responsável ressalva que não está em causa a satisfação dos clientes que continuam a optar por destinos como as Caraíbas, mas sim o modelo de relação estabelecido. “Não estamos a fidelizar um cliente pelo serviço quando apenas estamos a discutir com ele o preço do produto”, concluiu.




