O turismo emissor português atingiu em 2025 um novo máximo histórico, com 3,858 milhões de viagens realizadas por residentes em Portugal ao estrangeiro, mais 12,5% do que no ano anterior. Os dados analisados pela ANAV – Associação Nacional das Agências de Viagens mostram também um aumento do volume de viagens organizadas por agências de viagens e operadores, que chegou a cerca de 1,03 milhões.
A análise, baseada em dados de 2016 a 2025, último ano civil já terminado, do Turismo de Portugal/TravelBI, Instituto Nacional de Estatística (INE), Eurostat e Banco de Portugal, aponta para “um mercado externo em forte expansão e com mudanças relevantes nos comportamentos de viagem”, refere a ANAV numa nota enviada à imprensa esta quinta-feira.
Em 2025, os débitos de viagens e turismo registados pelo Banco de Portugal alcançaram os 7,154 mil milhões de euros, mais do dobro do valor registado em 2016. Para a ANAV, estes resultados confirmam que o outgoing português entrou “num novo patamar de escala, depois da recuperação verificada no período pós-pandemia”.
Espanha mantém liderança, mas destinos alternativos ganham espaço
Espanha continuou a ser o principal destino dos residentes em Portugal, com 38,8% das viagens externas realizadas em 2025. França, Itália, Reino Unido e Alemanha completaram os cinco mercados individualizados com maior expressão.
Apesar da perda de quota relativa, Espanha recebeu mais viagens em termos absolutos. Entre os restantes destinos, o Reino Unido registou a maior aceleração anual em 2025, enquanto Cabo Verde se aproximou do top 5, aumentando a sua quota em 1,9 pontos percentuais.
Maioria das viagens já acontece fora do verão
A distribuição das viagens ao longo do ano é outro dos aspetos destacados pela ANAV. Em 2025, 65,6% das viagens ao estrangeiro aconteceram fora dos meses de julho, agosto e setembro.
Agosto continuou a ser o mês com maior peso individual, concentrando 16,3% do total das viagens externas. Ainda assim, os dados mostram uma procura cada vez mais distribuída ao longo do ano.
Para a ANAV, esta evolução demonstra que “o turismo emissor português deixou de ser um fenómeno exclusivamente associado aos meses de verão”, considerando que a procura durante a época intermédia representa “uma oportunidade crescente para consumidores e empresas, permitindo maior flexibilidade na escolha de datas e destinos e criando condições para uma distribuição mais equilibrada da atividade turística ao longo do ano”.
Viajantes gastam em média 803,2 euros
O crescimento do número de viagens refletiu-se também na despesa total. Em 2025, a despesa média por viagem foi de 803,2 euros, menos 4,8% do que em 2024. Contudo, o aumento do número de deslocações levou a despesa total estimada para cerca de 3,10 mil milhões de euros.
A evolução dos preços ao longo da última década também é destacada pela associação. Entre 2016 e 2025, os preços do transporte aéreo aumentaram 31,0%, enquanto os pacotes internacionais registaram uma subida de 29,6%, acima da inflação geral, que foi de 24,9% no mesmo período.
Viagens organizadas por agências aumentam 8,8%
“É precisamente neste contexto de maior complexidade, diversidade de destinos e pressão sobre os orçamentos que a ANAV identifica um reforço do papel da intermediação profissional”, afirma a associação.
Em 2025, 26,7% das viagens externas foram realizadas através de uma agência de viagens ou operador, uma proporção cerca de 4,1 vezes superior ao peso da agência no conjunto das viagens. Apesar de a quota ter recuado 0,9 pontos percentuais, o volume implícito de viagens organizadas aumentou cerca de 8,8%, para aproximadamente 1,03 milhões.
Segundo a ANAV, os dados demonstram que as agências de viagens assumem “uma importância particularmente relevante quando os consumidores viajam para o estrangeiro, onde a distância, a multiplicidade de opções e a complexidade da organização da viagem aumentam o valor do aconselhamento e da assistência profissional”.
Citado no comunicado, Miguel Quintas, presidente da ANAV, considera que os dados mostram que “o turismo emissor português deixou definitivamente para trás a lógica de um mercado concentrado no verão e confirma uma procura internacional cada vez mais diversificada e sofisticada”.
“O crescimento do número de viagens, a dispersão da procura ao longo do ano e o aumento do volume de viagens organizadas demonstram que existe um papel cada vez mais relevante para as agências de viagens na informação, comparação, aconselhamento e assistência ao viajante”, acrescenta.
Turismo continua a crescer em 2026
A tendência de crescimento do turismo emissor prolongou-se para 2026. No primeiro trimestre, os residentes em Portugal realizaram 923,8 mil viagens ao estrangeiro, mais 30,0% do que no mesmo período de 2025.
Já no primeiro semestre, os débitos de viagens registados pelo Banco de Portugal atingiram 3,159 mil milhões de euros, correspondendo a um crescimento homólogo de 5,3%.
A ANAV alerta, contudo, que “o crescimento trimestral não deve ser anualizado, uma vez que a Páscoa ocorreu em março em 2026 e em abril em 2025, influenciando a comparação homóloga”.




