Sexta-feira, Outubro 15, 2021
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“Medidas têm de chegar rapidamente, porque empresas estão em muito mau estado”

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, voltou a afirmar que os apoios públicos “têm de ser traduzidos de forma imediata em medidas específicas para o turismo, porque as empresas estão efetivamente em muito mau estado”.

Francisco Calheiros falava na cerimónia de abertura da Conferência do Dia Mundial do Turismo, organizada pela Confederação do Turismo de Portugal, esta segunda-feira, dia 27, em Coimbra.

Para o presidente da CTP, “o Governo esteve bem no início da pandemia, com medidas rápidas, eficazes e fundamentais para assegurar a sobrevivência das empresas,” no entanto, “atualmente poderia e deveria ir muito mais longe”.

Os apoios inerentes aos programas e investimentos já aprovados e anunciados pelo Governo tiveram destaque durante a conferência, mas Francisco Calheiros pediu que cheguem “rapidamente às empresas”.

O presidente da CTP enumerou no seu discurso uma série de medidas que devem merecer a atenção do governo, pedindo, nomeadamente, que as atuais condições do apoio extraordinário à retoma progressiva de atividade em empresas em situação de crise empresarial se mantenham até ao final do ano, mas não só.

“A implementação de medidas estratégicas para salvar postos de trabalho, entre as quais, a reativação do lay off simplificado é uma necessidade absoluta e o apoio à capitalização das empresas, fortemente abaladas por meses consecutivos de ausência de atividade, é urgente e deve ser imediato”.

O Código de Trabalho também mereceu destaque no discurso de Francisco Calheiros com este a dizer que “não pode regredir ainda mais em relação à reforma de 2019, que veio diminuir a capacidade de gestão das empresas no que diz respeito ao mercado de trabalho e à utilização da contratação a termo”.

“Desde que este Governo tomou posse não houve ainda uma visão estratégica para as relações laborais que permitam incutir mais flexibilidade de gestão às empresas; Não fosse a crise COVID e hoje podíamos estar a discutir a crise das relações laborais fruto da reforma de 2019. O nosso Código do Trabalho está a caminhar a passos largos para o período pré-2011”, afirmou.


Por sua vez, a falta de mão-de-obra, “que ameaça seriamente o crescimento do turismo e afeta a qualidade do serviço que nos distingue mundialmente, exige medidas sérias e
imediatas”, considerou.

Futuro

Francisco Calheiros não terminou a sua intervenção, sem antes falar de dois temas “fundamentais para o turismo”: TAP e SEF.

“A TAP e o SEF nas suas diferentes características e dimensões representam ativos fundamentais para o equilíbrio da atividade turística pelo que a resolução dos problemas que as afetam devem constituir uma preocupação de todos e uma prioridade para o seu
responsável direto – o Governo”.

“Mitigados os efeitos desta pandemia na economia e garantida a sobrevivência das empresas, o tempo será de recuperar dossiers estratégicos para a economia e sociedade portuguesa como são a reforma de estado e a sustentabilidade demográfica”, defendeu o responsável que teve ainda para perguntar ao governo “quanto mais teremos de esperar para ver decidido o futuro do aeroporto de Lisboa? Mais 50 anos, senhor Ministro do Estado, da Economia e da Transição Digital?”

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