Segunda-feira, Março 9, 2026
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Mirai acelera aposta em IA e motor 3D para reforçar o canal direto

Depois de um 2025 marcado por recordes na venda direta e pelo lançamento da Sarai, a sua solução de Inteligência Artificial conversacional, a Mirai entrou em 2026 com uma mudança estratégica: deixar de falar apenas de tecnologia e passar a falar de rentabilidade. Em entrevista ao TNews, Rui Maria, Country Manager da Mirai em Portugal, explica como o novo motor de reservas 3D, a IA agêntica e o projeto MCP estão a redefinir a relação entre hotéis e hóspedes — e porque acredita que o canal direto é hoje uma questão de “soberania financeira”.

Que balanço faz do último ano, tanto ao nível de resultados como das principais novidades apresentadas?

O balanço de 2025 é extremamente positivo, embora com uma nuance essencial: deixámos de medir o sucesso apenas em “vender mais” para passarmos a medir “vender melhor”. O foco esteve na qualidade da venda, e isso refletiu-se diretamente nos resultados dos nossos clientes.

Ajudámos os hotéis a alcançar quotas recorde de venda direta, mas o verdadeiro destaque foi o aumento significativo da margem líquida. Num contexto de custos operacionais crescentes, conseguimos reduzir o custo de aquisição por reserva e, ao mesmo tempo, impulsionar de forma expressiva o Net RevPAR — a métrica que realmente importa quando se avalia a rentabilidade da distribuição.

No que diz respeito ao produto, 2025 foi um ano de transformação profunda. Redefinimos por completo o nosso motor de reservas, introduzindo funcionalidades únicas no mercado, como experiências 3D imersivas e um novo nível de personalização, acompanhado por melhorias substanciais de velocidade e desempenho.

O ponto alto do ano foi, sem dúvida, o lançamento da Sarai: uma nova geração de agentes conversacionais de IA, multilingues e totalmente integrados no motor de reservas. A Sarai funciona como um verdadeiro concierge digital, capaz de esclarecer dúvidas e acompanhar o utilizador ao longo do processo — um salto qualitativo na experiência de reserva e na conversão.

“O sucesso da venda direta já não depende apenas de ter um motor de reservas, mas de gerir um ecossistema de IA coerente.”

Como está a ser este início de 2026 para a Mirai?

O início de 2026 está a representar um verdadeiro momento de viragem para a Mirai, marcado pela transição definitiva da reserva passiva para a Inteligência Artificial Agêntica. Mantemos um ritmo intenso de desenvolvimento, sustentado pela visão de que o sucesso da venda direta já não depende apenas de possuir um motor de reservas, mas sim de gerir um ecossistema de IA coerente, integrado e orientado para maximizar resultados.

A grande novidade deste arranque de ano é a plena operacionalização da Sarai 2.0 e a implementação do servidor MCP (Model Context Protocol) na Mirai, em conjunto com a manutenção de uma base de dados canónica SSOT (Single Source of Truth), que internamente designamos por Intelligence. Este conjunto de tecnologias permite ao hotel consolidar uma “única fonte de verdade”, fornecendo dados estruturados, atualizados e seguros aos novos assistentes de voz e motores de busca baseados em LLMs. O objetivo é simples e estratégico: garantir que o canal direto é o primeiro a responder ao utilizador com precisão, protegendo e reforçando a relação direta com o cliente.

Estamos também a lançar a Mirai immersEvents, a nossa nova solução imersiva que está a revolucionar a comercialização de eventos em Portugal. Esta ferramenta permite criar propostas altamente visuais e personalizadas em apenas alguns minutos, utilizando os espaços reais do hotel e integrando-se diretamente no processo de cotação. Facilita a personalização imediata, reduz a fricção comercial e oferece ao cliente final uma experiência visual 3D impactante. O resultado é claro: maior diferenciação das facilidades MICE do hotel, aceleração da conversão e uma proposta de valor muito mais competitiva.

Entre as principais novidades, destaca-se o lançamento do novo motor de reservas nativo 3D. O que torna esta solução tão inovadora e que benefícios concretos traz para os hotéis, em particular para o mercado português?

O novo motor de reservas nativo 3D da Mirai representa uma verdadeira rutura com o modelo tradicional, ao introduzir a exploração espacial diretamente no momento da reserva. A inovação está na integração totalmente fluida: ao contrário das visitas virtuais externas, esta tecnologia vive dentro do próprio fluxo de compra, permitindo ao utilizador explorar o quarto em 3D e reservar exatamente essa tipologia, sem interrupções nem redireccionamentos. É a evolução do “imaginar o quarto” para o “experienciar o espaço”.

Para os hotéis, o grande benefício é a valorização do produto real. No mercado português — onde o turismo de luxo, as unidades boutique e os resorts de referência têm um peso determinante — esta solução é particularmente estratégica. Estes hotéis vendem detalhes, vistas, atmosferas e sensações que as fotografias 2D simplesmente não conseguem transmitir de forma completa.

Ao disponibilizar esta tecnologia no canal direto, o hoteleiro português passa a oferecer uma proposta de valor que as OTAs não conseguem replicar. Isto permite destacar a singularidade da unidade, justificar tarifas mais elevadas pela qualidade demonstrada e criar uma ligação emocional com o hóspede desde o primeiro clique. Na prática, transforma o site oficial na montra mais fiel, envolvente e diferenciadora do hotel.

Que impacto esperam que o motor de reservas nativo 3D tenha ao nível da conversão e da experiência do utilizador?

O impacto do motor de reservas 3D é simultaneamente mensurável e transformador. Do lado da experiência do utilizador, o principal ganho é a eliminação da incerteza — um dos maiores obstáculos à reserva direta. Ao permitir que o cliente veja exatamente o espaço que vai reservar, reduzimos o ciclo de decisão e aumentamos a confiança no processo.

As nossas métricas iniciais para 2026 mostram um aumento médio de 18% na taxa de conversão do canal direto. A transparência visual acelera a decisão e encurta o caminho até ao pagamento. No que toca à rentabilidade, o efeito no upselling é ainda mais expressivo: os utilizadores expostos ao 3D escolhem tipologias superiores 26% mais vezes do que nos motores tradicionais, o que se traduz num aumento médio de 12% no valor por reserva.

Além disso, a experiência imersiva reduz o abandono do carrinho em cerca de 22%, porque o utilizador se sente mais envolvido com o produto e com a marca. Em suma, o motor 3D não é apenas um elemento visual; é uma ferramenta de performance que converte confiança em receita e garante ao hotel um retorno direto e imediato sobre o investimento tecnológico.

“A Sarai Não é um simples chatbot: é um assistente virtual avançado, totalmente integrado no ecossistema Mirai, que utiliza IA generativa para gerir a relação com o cliente em tempo real”

Uma das novidades recentes é também o lançamento da Sarai. O que é esta solução e que lacuna vem colmatar no setor hoteleiro?

A Sarai é a solução de Inteligência Artificial Conversacional da Mirai, criada especificamente para o setor hoteleiro. Não é um simples chatbot: é um assistente virtual avançado, totalmente integrado no ecossistema Mirai, que utiliza IA generativa para gerir a relação com o cliente em tempo real.

A Sarai vem colmatar três lacunas críticas que afetam a rentabilidade dos hotéis. Em primeiro lugar, reduz o abandono das reservas ao responder de imediato a dúvidas que os motores tradicionais não conseguem esclarecer, mantendo o utilizador no processo de compra. Em segundo lugar, diminui a carga operacional ao automatizar pedidos repetitivos, libertando as equipas de receção para tarefas de maior valor. Por fim, resolve o problema da baixa conversão dos bots convencionais: por estar integrada no motor de reservas da Mirai, consulta preços e disponibilidade em tempo real e, em breve, conseguirá concluir reservas diretamente na conversa, garantindo máxima eficiência ao canal direto.

Num mercado cada vez mais competitivo, o que diferencia a Sarai dos vossos concorrentes mais próximos?

Num mercado cada vez mais competitivo e repleto de soluções genéricas, a Sarai distingue-se por três pilares fundamentais: integração, especialização e foco na conversão.

O seu principal diferencial é a integração nativa com todo o ecossistema Mirai. Enquanto muitas soluções concorrentes funcionam como camadas externas que apenas “pairam” sobre o site, a Sarai comunica diretamente com o motor de reservas, o programa de fidelização e as regras de preços em tempo real. Isto permite-lhe não só informar, mas também aplicar descontos personalizados e, por enquanto, cotar e ver/cancelar reservas dentro da própria conversa, sem que o utilizador tenha de mudar de janela.

Em segundo lugar, a Sarai tem um ADN 100% hoteleiro. A sua IA generativa foi treinada especificamente para compreender a jornada do hóspede, as nuances da distribuição e os argumentos que reforçam a venda direta. Percebe a intenção de compra e sabe quando destacar benefícios exclusivos do canal direto para maximizar a conversão.

Por fim, o nosso foco está na rentabilidade real. Enquanto muitos sistemas medem sucesso pelo número de mensagens trocadas, nós medimos a Sarai pelo ROI, pela recuperação de reservas e pelo impacto direto na receita. Fornecemos métricas claras que demonstram como a assistência personalizada se traduz em vendas concretas, colmatando a lacuna entre a dúvida do cliente e a confirmação da reserva.

Na sua opinião, de que forma a Inteligência Artificial está a transformar a relação entre hotel e hóspede?

Na minha opinião, a Inteligência Artificial está a transformar profundamente a relação entre hotel e hóspede, e isso acontece através de quatro eixos principais. Em primeiro lugar, estamos a passar da simples transação para uma hiperpersonalização preditiva: ao analisar dados e padrões de comportamento, a IA permite antecipar necessidades e adaptar a experiência em tempo real, tornando a jornada muito mais relevante antes mesmo da chegada ao hotel.

Em segundo lugar, a IA garante disponibilidade total e eliminação de atrito, respondendo a dúvidas complexas 24 horas por dia, em qualquer idioma, o que cria um vínculo imediato de confiança. Paradoxalmente, esta automação devolve espaço ao fator humano: ao libertar as equipas de tarefas repetitivas e administrativas, permite que se concentrem no acolhimento genuíno e na empatia.

Por fim, a fidelização evoluiu para um reconhecimento em tempo real. Em vez de programas estáticos baseados em pontos, o hóspede passa a receber benefícios imediatos e relevantes, reforçando a sensação de exclusividade e proximidade com a marca.

Em suma, a IA tornou-se o tecido invisível que sustenta toda a jornada do cliente, elevando a experiência e fortalecendo a relação entre hotel e hóspede.

Como é que a Sarai utiliza a IA para melhorar a experiência do hóspede e otimizar a operação dos hotéis?

A Sarai utiliza Inteligência Artificial para transformar a operação hoteleira através de um duplo impacto: melhora a experiência do hóspede e aumenta a eficiência do hotel.

Para o hóspede, a Sarai funciona como um concierge digital. Graças a modelos de linguagem avançados, compreende o contexto de cada pergunta e oferece respostas imediatas, precisas e disponíveis 24 horas por dia, em qualquer idioma. Esta rapidez elimina a frustração das esperas telefónicas ou das trocas de e-mails, criando uma experiência de compra fluida e personalizada.

Para o hotel, a Sarai atua como um acelerador de eficiência. Automatiza pedidos repetitivos, reduz a carga operacional e permite que as equipas se concentrem em tarefas de maior valor. Além disso, identifica sinais de hesitação durante o processo de compra e intervém de forma proativa para evitar o abandono e fechar a venda.

Em suma, a Sarai utiliza inteligência preditiva para maximizar a rentabilidade e assegurar que o hotel não perde oportunidades de venda direta por falta de assistência no momento certo.

Quais considera serem os principais desafios e oportunidades para a hotelaria em Portugal nos próximos anos e de que forma a Mirai está a ajudar os hotéis a superar esses desafios e a capitalizar essas oportunidades?

A hotelaria em Portugal vive um momento de dualidade: enfrenta desafios estruturais importantes — como a escassez de mão de obra e o aumento dos custos operacionais — ao mesmo tempo que beneficia de uma procura crescente e de um posicionamento cada vez mais forte no segmento superior. O grande desafio para os próximos anos será garantir rentabilidade líquida sustentável, sobretudo num contexto em que a dependência excessiva das OTAs se torna cada vez mais penalizadora para hotéis independentes e cadeias.

É precisamente aqui que a Mirai assume um papel determinante. Para além da tecnologia, disponibilizamos um serviço de consultoria especializada que ajuda os hotéis a interpretar dados, otimizar estratégias e tomar decisões informadas. A nossa equipa acompanha cada unidade de forma contínua, identificando oportunidades, corrigindo ineficiências e garantindo que o canal direto se mantém competitivo ao longo de todo o ano.

Através das nossas soluções, devolvemos ao hoteleiro o controlo da distribuição e ajudamo-lo a capitalizar as oportunidades do mercado.

Ao mesmo tempo, a Mirai reforça a competitividade do canal direto através da integração com plataformas avançadas de Metasearch e de sistemas de controlo de disparidades, garantindo que o site oficial é sempre a opção mais atrativa e transparente para o cliente.

No fundo, ajudamos os hotéis portugueses a evoluir de uma postura reativa para uma estratégia de inteligência preditiva, onde cada reserva direta representa não só uma poupança em comissões, mas também a aquisição de dados valiosos para fidelizar o hóspede e construir relações duradouras.

Está previsto o lançamento de uma novidade relacionada com o vosso próprio MCP. O que nos pode adiantar sobre este projeto?

O projeto MCP (Model Context Protocol) da Mirai é uma iniciativa estruturante que redefine a forma como os dados circulam dentro do ecossistema hoteleiro. Ao adotarmos este padrão universal, estamos a criar uma arquitetura onde a inteligência artificial pode aceder, de forma segura e imediata, ao contexto completo do hotel, eliminando silos de informação e garantindo uma visão unificada.

Embora seja um dos pilares estratégicos para 2026, ainda não queremos avançar com muitos detalhes técnicos ou comerciais. O nosso foco, nesta fase, é assegurar que esta “ponte” de dados maximiza a precisão e a capacidade preditiva da Sarai, permitindo-lhe oferecer uma assistência cada vez mais contextual, eficiente e orientada para a conversão. O objetivo final é simples: colocar os nossos clientes na vanguarda da transformação digital da hotelaria.

Que expectativas têm para a próxima edição da BTL?

Para a próxima edição da BTL, as nossas expectativas são elevadas.

Acreditamos que será um momento decisivo para mostrar ao mercado como a Inteligência Artificial está a transformar a hotelaria de forma prática, mensurável e orientada para resultados. Este ano, esperamos um interesse particularmente forte em soluções que reforcem a rentabilidade e reduzam a dependência das OTAs.

Mas a BTL é muito mais do que tecnologia. É, acima de tudo, um espaço de partilha, de diálogo e de contacto humano, onde reencontramos parceiros, ouvimos os desafios reais dos hoteleiros e trocamos ideias que ajudam a moldar o futuro do setor. Para nós, este contacto direto é tão importante quanto apresentar inovação — porque é aí que percebemos verdadeiramente o que o mercado precisa.

Será também uma oportunidade para antecipar algumas das novidades que estamos a preparar para 2026. Mais do que mostrar ferramentas, queremos mostrar resultados e ajudar os hoteleiros a perceber como podem aplicar estas soluções no seu dia a dia.

Em suma, esperamos uma BTL muito orientada para a ação, mas também profundamente humana, onde a Mirai reforçará o seu papel como parceiro tecnológico de referência para a hotelaria portuguesa.

Que mensagem gostaria de deixar aos profissionais da hotelaria que procuram inovar mantendo o foco no hóspede?

A mensagem que deixo aos profissionais da hotelaria é simples: inovem com propósito e nunca percam o foco no hóspede. A tecnologia não deve ser um fim, mas sim um meio para libertar aquilo que há de mais humano nas equipas — o cuidado, a empatia e a arte de bem receber.

Estamos a entrar na era da “tecnologia invisível”. Soluções como o nosso MCP ou a inteligência da Sarai não servem apenas para automatizar processos; servem para remover o ruído digital que se interpõe entre o hotel e o hóspede. Ao sermos agnósticos em relação aos modelos de IA e ao integrarmos inteligência generativa, tratamos da complexidade transacional em milissegundos, para que as equipas possam voltar a dedicar tempo ao que realmente importa: criar relações autênticas.

Inovem também para proteger o vosso canal direto. Uma venda direta forte não é apenas uma poupança em comissões — é soberania financeira, é controlo sobre a experiência e é capacidade de reinvestir no cliente.

O meu conselho final é claro: que abracem a tecnologia, mas exijam que ela tenha propósito. Quando bem aplicada, a inovação não substitui o toque humano — amplifica-o.

Utilizem a IA para que, quando o hóspede finalmente cruzar a porta do vosso hotel, ele não seja apenas um número de reserva, mas sim alguém com quem já iniciaram uma relação personalizada, fluida e inteligente desde o primeiro clique.

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