As vendas da MSC Cruzeiros em Portugal para 2027 estão atualmente mais de 12% acima do registado no mesmo período do ano passado, num contexto em que a companhia observa uma maior antecipação das reservas por parte dos portugueses. A operação nacional será também reforçada na próxima temporada, com o MSC Sinfonia a substituir o MSC Opera nas partidas de Lisboa e o MSC Euribia a assumir, no inverno de 2027/28, os cruzeiros com embarque e desembarque no Funchal.
Os dados foram avançados esta quarta-feira, à margem do roadshow da MSC Cruzeiros em Lisboa. “Estamos a mais de 12% do year-to-date”, revelou Eduardo Cabrita, diretor-geral da MSC Cruzeiros Portugal, sobre as vendas para 2027, considerando que, apesar do atual contexto geopolítico, os dados mostram que “pelo menos no mercado português, as pessoas estão a antecipar a compra”. Segundo o responsável, esta tendência poderá estar relacionada tanto com o preço como com a intenção dos clientes de garantirem antecipadamente as férias, recorrendo depois a seguros de cancelamento para reduzir o risco associado à reserva.
O desempenho de 2026 tem sido, contudo, mais desafiante. Eduardo Cabrita admitiu que a companhia não se encontra “ao nível que gostávamos de estar”, depois de ter registado uma diminuição da procura entre março e maio, seguida por uma recuperação nos meses de verão. “Em junho, julho e agosto, houve uma grande euforia de last minute”, afirmou, associando parte desta evolução à incerteza geopolítica.
A geopolítica levou igualmente a MSC a reajustar a programação. A retirada do MSC Euribia do Dubai obrigou a companhia a procurar alternativas e reforçou a atenção sobre o Atlântico. “Há cerca de cinco anos não olhávamos para o Atlântico com novos itinerários. Hoje, estamos todos a olhar para essa região de outra forma.” explicou Cabrita.
Em Lisboa, a operação de 2026 ainda não terminou, mas a MSC deverá transportar aproximadamente o mesmo número de passageiros do ano anterior, apesar de ter reduzido o número de partidas de 20 para 15. Segundo Eduardo Cabrita, a companhia aumentou o allotment disponível para o mercado português em cada saída, numa estratégia que está a ser testada para perceber se é mais vantajoso concentrar a capacidade num menor número de partidas. “Ao fazermos isto, não aumentámos o número de passageiros. A ideia foi perceber o que poderíamos fazer com menos partidas”, explicou.
“Estamos a mais de 12% do year-to-date (…) pelo menos no mercado português, as pessoas estão a antecipar a compra”
Em 2027, o MSC Sinfonia substituirá o MSC Opera na operação de Lisboa e deverá realizar um número semelhante de partidas ao deste ano. Pedro Vasco, sales & commercial director da MSC Cruzeiros em Portugal, explicou que a programação poderá ter “talvez menos uma” saída, devido a ajustes no início e no final da operação, incluindo um cruzeiro de 14 noites entre Lisboa e Civitavecchia.
O Funchal é outra das apostas da companhia. O MSC Fantasia terá partidas da Madeira neste inverno e será posteriormente substituído pelo MSC Euribia. Para 2027/28, o número final de saídas do Euribia ainda não está fechado, embora Eduardo Cabrita tenha indicado que deverão ser “15 ou mais”. O navio começará também a operar mais cedo, abrangendo novembro e dezembro, o que deverá acrescentar cinco a seis partidas no ano civil.

A colocação do MSC Euribia no Funchal implica também um aumento significativo da capacidade disponível. A companhia pretende captar passageiros não apenas em Portugal, mas também em mercados como Alemanha, Escandinávia, Espanha, França, Itália e Estados Unidos. No mercado nacional, a MSC está a trabalhar com a TAP para conseguir tarifas mais baixas entre Lisboa e o Funchal e admite procurar soluções aéreas também a partir dos Açores.
Eduardo Cabrita considera que o próprio navio poderá funcionar como argumento de venda junto dos portugueses. “O Euribia é um navio completamente diferente. Acreditamos que isso possa fazer também a diferença”, afirmou. O responsável adiantou ainda que a consolidação da operação atlântica poderá, no futuro, abrir espaço a novas possibilidades para Portugal, incluindo cruzeiros de sete noites a partir de Lisboa, embora sem avançar qualquer programação concreta.
Questionado sobre a possibilidade de Cabo Verde vir a integrar os itinerários desta operação, Eduardo Cabrita explicou que a distância obrigaria a desenhar um produto diferente e que a prioridade passa, para já, por consolidar a operação no Atlântico. Ainda assim, classificou o destino como “mais uma hipótese” para o futuro.
Entre os portos de embarque mais procurados pelos clientes portugueses, Lisboa mantém-se entre os principais, juntamente com Barcelona e Veneza. A companhia está também a observar um novo crescimento da procura por Miami, que Eduardo Cabrita relaciona, entre outros fatores, com a capacidade aérea e com os preços das ligações.
Na programação internacional, uma das principais novidades será o MSC World Asia, o 24.º navio da frota, cuja estreia está prevista para o final deste ano. A MSC prepara ainda aquela que, segundo Eduardo Cabrita, será a sua maior operação de inverno até à data, abrangendo 168 destinos em 72 países.

Pedro Vasco destacou também a estreia da companhia nas Antilhas com uma operação a partir de La Romana, que arranca em novembro e deverá manter-se, pelo menos, até ao inverno de 2027/28. O responsável considera que o destino tem potencial no mercado português devido à sua notoriedade e às ligações aéreas. A MSC está a trabalhar com operadores para procurar compatibilizar lugares em voos a partir de Lisboa com as partidas dos cruzeiros. “Em breve, falaremos com mais novidades”, adiantou Eduardo Cabrita.
Explora Journeys prepara entrada nos cruzeiros fluviais
Na Explora Journeys, uma das principais novidades é a preparação da entrada no segmento dos cruzeiros fluviais. Renato Reis, sales manager da Explora Journeys em Portugal, confirmou que a marca estabeleceu uma carta de intenção com um estaleiro holandês para desenvolver “uma pequena frota de navios para rio”, embora o projeto se encontre ainda numa fase inicial.
Questionado sobre a dimensão prevista da frota, o responsável indicou que, “estão previstos quatro [navios]”, ressalvando que deverão ser divulgados mais detalhes posteriormente. A comercialização está prevista para começar em 2027. Sobre uma eventual operação em rios portugueses, Renato Reis afirmou não ter informação disponível, adiantando apenas que “a Europa será o principal foco da Explora para desenvolver esse segmento”.
Renato Reis afirmou que o desempenho da marca em Portugal “tem sido positivo”, destacando o trabalho realizado com os parceiros do trade.
O Mediterrâneo continua a ser o destino mais procurado pelos clientes portugueses da Explora Journeys, seguido pelo Norte da Europa, que, segundo o responsável, chegou a superar as Caraíbas. Renato Reis destacou ainda a procura pelo programa dedicado ao Grande Prémio do Mónaco de 2027: as opções Grandstand e Suite Only esgotaram nas primeiras 24 horas após o lançamento.
“A Europa será o principal foco da Explora para desenvolver o segmento [de cruzeiros fluviais]”
MSC defende maior gestão dos fluxos turísticos nas cidades
Questionado sobre o aumento das taxas aplicadas aos cruzeiros de curta permanência em Barcelona, Eduardo Cabrita evitou classificar a medida como positiva ou negativa e defendeu que a questão deve ser enquadrada na gestão global dos fluxos turísticos das cidades. “O problema que existe em Barcelona hoje em dia não é um problema derivado aos cruzeiros, é um problema de turismo de uma forma global”, afirmou.
O responsável apontou a distribuição dos visitantes pelas cidades como uma das questões a trabalhar, recorrendo ao exemplo de Dubrovnik e à utilização de tecnologia para gerir fluxos. Segundo Cabrita, “o turismo não vai parar” e os destinos terão de encontrar formas de gerir a sua capacidade, seja através de tecnologia, taxas ou limites ao número de cruzeiros. O responsável referiu ainda o papel da CLIA no diálogo entre o setor e as cidades sobre estas matérias.
Eduardo Cabrita destacou, por fim, a associação da MSC ao desporto e a realização do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1 em 2027, considerando o regresso da competição uma oportunidade para reforçar a notoriedade da marca no país. “Para nós é incrível que isso possa acontecer”, afirmou, referindo ainda a possibilidade de uma segunda edição em 2028.
“O problema que existe em Barcelona hoje em dia não é um problema derivado aos cruzeiros, é um problema de turismo de uma forma global”




