O Campeonato do Mundo de Futebol de 2026 já está a deixar a sua marca no setor turístico, com o interesse internacional a crescer nos três países anfitriões, Estados Unidos, Canadá e México, ainda que a ritmos distintos. Um novo estudo indica que o torneio poderá gerar cerca de 4,3 mil milhões de dólares (3,7 mil milhões de euros) em gastos turísticos.
De acordo com uma nova análise da Data Appeal e da Mabrian, em colaboração com a PredictHQ, a procura turística está “claramente a aumentar” devido ao Mundial 2026. No entanto, “a conversão deste interesse em chegadas dependerá da conectividade aérea, do ritmo das viagens domésticas e da eficácia com que os destinos se preparam para os períodos de pico”, aponta.
O México destaca-se pela consistência do crescimento, com uma média de aproximadamente 0,11 pontos percentuais em termos homólogos desde janeiro de 2026. Já os Estados Unidos apresentam uma aceleração mais acentuada no final do primeiro trimestre do ano, atingindo 0,31 pontos percentuais em março, enquanto o Canadá regista uma evolução mais estável e gradual.
A nível das cidades, a procura concentra-se sobretudo em destinos estratégicos como Boston, Cidade do México e Vancouver, com Nova Iorque a reforçar o seu posicionamento enquanto hub global.
As viagens domésticas surgem como um dos principais motores desta dinâmica, sobretudo nos Estados Unidos, onde a intenção de deslocação interna para as cidades anfitriãs aumentou, em média, 3,82 pontos percentuais face ao período homólogo. Em paralelo, a conectividade aérea será determinante: os Estados Unidos lideram com ligações diretas a 40 dos 48 países participantes, comparando com 32 no Canadá e 18 no México.
Na Europa, mercados como o do Reino Unido, França, Alemanha, Espanha e Países Baixos estão “entre as principais fontes de procura de longa distância, a par do crescente interesse dos mercados emergentes”, afirma o estudo.
Segundo Maria Pradissitto, market manager da América do Norte da Data Appeal, “espera-se que o formato do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026 distribua a procura e o impacto do evento por vários locais, cidades e países, criando picos simultâneos em diferentes locais e gerando oportunidades para cada país anfitrião”. A responsável sublinha ainda que “o sucesso não será definido apenas pela visibilidade, mas pela capacidade de um destino interpretar e agir de acordo com os sinais de procura em tempo real”.
O estudo prevê ainda que o Mundial 2026 poderá gerar cerca de 4,3 mil milhões de dólares (3,7 mil milhões de euros) em gastos turísticos relacionados com o evento. Mais de 80% da despesa prevista estará concentrada na hotelaria, seguida pelos setores de alimentação e bebidas.
Os preços dos hotéis já refletem esta pressão da procura, com subidas mais acentuadas associadas a jogos de maior relevância. Exemplos incluem a final em Nova Iorque/Nova Jérsia, com tarifas a ultrapassar os mil dólares, ou o jogo de abertura na Cidade do México, onde os preços registam aumentos de quase 50% face ao ano anterior.
Ainda assim, os especialistas alertam que o aumento da procura, por si só, não garante resultados positivos. “O que, em última análise, diferenciará os destinos (…) é a sua capacidade de oferecer experiências consistentes e de alta qualidade sob pressão”, refere um porta-voz da Data Appeal.
“Os viajantes já têm expectativas muito elevadas — sobretudo em relação às atrações e à gastronomia — mas aspetos operacionais como o transporte e a consistência do serviço estarão sob forte pressão nos momentos de pico. É aí que a reputação será conquistada ou perdida em tempo real”, acrescenta.
A análise baseia-se no relatório “FIFA World Cup 2026: Mapping Demand, Spend and Experience”, que combina dados sobre o comportamento global de pesquisa de voos, conectividade e capacidade aérea, preços de hotéis em plataformas de agências de viagens online (OTAs) e projeções de gastos associados ao evento.


