Nova associação do turismo algarvio diz que “é fundamental bater o pé a Lisboa” para defender a região

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A futura Associação de Empresas Turísticas do Algarve (AETA), que resultará da fusão entre a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) e a Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve (AHISA), quer afirmar-se como uma “voz mais forte” na defesa dos interesses do turismo algarvio junto do Governo, reforçando a representatividade do setor e a capacidade de influência da região nos principais dossiers estratégicos.

Em declarações ao TNews, o presidente da AHETA, Hélder Martins, considera que a nova estrutura permitirá aumentar significativamente o peso da representação empresarial. “Não tenho a menor dúvida de que uma associação que represente 300 empresas não terá o mesmo impacto de outra que represente mais de um milhar”, afirma, sublinhando que o turismo representa atualmente “praticamente 30% do VAB regional” e que, por isso, “tem de ser defendido para que continue a crescer com sustentabilidade”.

O responsável admite que o Algarve continua a enfrentar lacunas estruturais e defende que “é fundamental bater o pé a Lisboa” para chamar a atenção para essas necessidades. Entre as prioridades identifica o abastecimento de água, as acessibilidades, a criação de alojamento para trabalhadores, a formação profissional e a elevada carga fiscal.

A estes desafios junta ainda a gestão dos resíduos, que considera uma preocupação crescente para a região. Segundo Hélder Martins, as duas associações já estão a trabalhar com diversas entidades para encontrar soluções, alertando que “estamos longe dos objetivos de reciclagem e os nossos dois aterros estão nos limites”. A formação profissional deverá igualmente constituir “uma das apostas fortes” para melhorar a qualidade do serviço prestado aos clientes.

A fusão entre a AHETA e a AHISA, anunciada esta terça-feira, resulta de um processo que começou em setembro de 2024. Segundo o responsável, aquilo que faltava nas anteriores tentativas era apenas “a vontade das pessoas”.

“Iniciámos as conversações no Dia Mundial do Turismo de 2024. Havendo a vontade das duas partes, seguiu-se um processo burocrático, com a colaboração dos assessores jurídicos de ambas as associações e, facilmente, chegámos ao dia decisivo do primeiro passo para a fusão”, explica.

Para o dirigente, a criação da AETA representa também uma mudança de paradigma no associativismo empresarial algarvio. “No Algarve, durante muitos anos, o que acontecia era a criação de novas entidades sempre que alguém perdia uma eleição ou não se revia no caminho de qualquer associação. Chegou a hora de congregar esforços e dar peso às entidades essenciais para a defesa da região”, afirma.

O presidente da AHETA considera que a adesão registada na assinatura do memorando de entendimento demonstra o apoio do setor ao processo. “Este ato foi considerado por muitas pessoas e entidades como um dia histórico para a região. Contámos com quase 300 pessoas, 60 representantes de entidades oficiais, públicas e privadas, e um grande número de empresários, associados ou não, das duas associações”, refere.

“No Algarve, durante muitos anos, o que acontecia era a criação de novas entidades sempre que alguém perdia uma eleição ou não se revia no caminho de qualquer associação. Chegou a hora de congregar esforços e dar peso às entidades essenciais para a defesa da região”

AETA quer crescer e alargar base de associados 

Além da fusão entre as duas associações, a futura AETA pretende alargar a sua base de associados a outras empresas ligadas ao turismo.

“O objetivo será crescer”, afirma Hélder Martins, explicando que a nova designação permitirá integrar “empresas de diversas áreas de negócio”. Segundo o responsável, a associação recebeu “várias intenções de adesão” logo no dia da assinatura do memorando.

“Existem ainda muitas empresas que não são associadas de qualquer associação e será o trabalho de quem dirigir a futura AETA convencê-las das vantagens de se associarem”, acrescenta.

Entre os objetivos da nova estrutura está também o reforço dos serviços prestados aos associados. Hélder Martins adianta que a associação pretende “uma maior profissionalização” da sua atuação, disponibilizando novos serviços que facilitem a gestão das empresas e reforçando o trabalho em parceria com entidades como a CCDR Algarve, a Associação de Municípios do Algarve e a academia.

Numa primeira fase, a prioridade passará por consolidar a nova estrutura e preparar a associação para o início da atividade. No entanto, o responsável faz questão de sublinhar que a definição da estratégia para os próximos quatro anos caberá à futura direção da AETA. “As eleições devem realizar-se até novembro deste ano e competirá à equipa que for escolhida para liderar a futura AETA a preparação de um programa eleitoral, objetivo e eficaz. E estou certo de que o irão fazer”, afirma.

Depois da assinatura do memorando de entendimento, seguem-se agora os procedimentos necessários para formalizar a nova entidade.

De acordo com Hélder Martins, os próximos dois meses serão dedicados à elaboração dos estatutos da futura associação, seguindo-se os trâmites legais para o respetivo registo. As eleições deverão realizar-se entre outubro e novembro, permitindo aprovar o orçamento e o plano de atividades antes do final do ano. “O ano de 2027 já será de plena atividade da AETA”, conclui.

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