Nova geração | Turismo de Vida Selvagem

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” Gostaríamos efetivamente que nos estivessem constantemente a observar, a fotografar e a perturbar o nosso espaço? Iria causar-nos desconforto, aumentar-nos-ia o nível de stress, de ansiedade, de inquietação e talvez até o discernimento poderia ficar um pouco confuso”.

Por Joana Coelho

O turismo de vida selvagem baseia-se na participação em atividades que proporcionam experiências ligadas diretamente com animais selvagens. Estas experiências ocorrem tanto no habitat natural dos animais quanto nos cativeiros. É possível afirmar que o turismo de vida selvagem sofreu um notável crescimento, segundo Higginbottom (2004) in Auster, R. E. et. al., (2020).

Segundo Yerbury e Lukey (2021), o turismo de vida selvagem transmite ao ser humano um misto positivo de emoções, visto que a interação com os animais selvagem favorece o bem-estar humano. Mas o que é que a caça desportiva, um ato que para muitos é considerado bárbaro, faz sentir? Conforme Cassidy, D. (2023), a caça impacta a mente humana de uma forma bastante positiva, consegue criar uma ligação com a natureza. A natureza transmite ao ser humano sensações de relaxamento, reduz o stress, a ansiedade e os possíveis sintomas de depressão. Promove a saúde física e o aumento da autoestima se, eventualmente, conseguirem caçar um animal com sucesso. No meu ponto de vista, os benefícios que a caça desportiva proporciona aos seres humanos podem ser obtidos através de outras atividades, como em práticas que não envolvam a perseguição e o abate de animais só por puro divertimento, onde em nada beneficia para o ecossistema onde estes seres habitam.

No entanto, existem impactos negativos que o turismo de vida selvagem causa aos animais, basta colocarmo-nos no lugar destes pobres indefesos. Gostaríamos efetivamente que nos estivessem constantemente a observar, a fotografar e a perturbar o nosso espaço? Iria causar-nos desconforto, aumentar-nos-ia o nível de stress, de ansiedade, de inquietação e talvez até o discernimento poderia ficar um pouco confuso.

Após um estudo do centro de Bilogia Celular e Molecular, foi possível apurar os níveis de stress em tigres no Reservas Kanha e Bandhavgarh Tiger, na Índia, e que os mesmos são causados por movimentos humanos dentro do parque durante a época turística.

Consoante Khurana (2019), o turismo descontrolado faz com que os tigres carreguem um enorme stress, o que não é aquilo que se pretende de uma área protegida, visto que esta destina-se à preservação dos ecossistemas. O stress crónico pode causar efeitos prejudiciais nas fêmeas, o que pode levar um declínio progressivo nas reproduções e afetar negativamente a saúde dos animais.

As redes sociais têm um forte impacto atualmente no mundo em que vivemos, as pessoas são transportadas para ambientes selvagens, despertando assim o desejo de vivenciar estas aventuras pessoalmente. Não sabendo se o animal efetivamente sofre, ou não. Muita gente ao tirar uma selfie com um animal “selvagem” pode estar a compactuar com os maus tratos que em muitos lugares acontece, como é o caso da Tailândia. O templo dos tigres onde se podia passear tigres com uma trela e pegar nas crias ao colo, este local conta com uma história de maus tratos, inimaginável a estes animais. Consentimos com este tipo de comportamento?

Para terminar, ocorreram-me várias ideias para melhorar este tipo de turismo, de modo a que todas as partes envolvidas sejam beneficiadas. É crucial existir um maior controlo dos locais onde estão inseridos os animais, destacando os valores de conservação do ecossistema para evitar o sofrimento dos animais e o declínio da espécie. A interação direta com os animais deve ser proibida, são animais selvagens, não domésticos. Proibir a caça desportiva, visto que imensas espécies estão em vias de extinção e em nada contribui para o ecossistema. A prática de acorrentar animais para entretenimento deve ser proibida. Apoiar pesquisas científicas para melhor entender os ecossistemas. Realizar campanhas de promoção que destaquem o respeito à vida selvagem e à natureza, educar os turistas nesta situação e na escolha de possíveis experiências futuras, saber se um certo lugar realmente se preocupa com o bem-estar animal ou não, como por exemplo, através das leis que estes apoiam.

Joana Coelho é estudante do 2º ano da Licenciatura de Turismo na Universidade Lusófona.

Nova Geração é uma nova rubrica do TNews, na qual damos voz à opinião dos jovens estudantes de Turismo.

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