O presidente da Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, afirmou esta quarta-feira, dia 23, que “nunca tivemos tão boas condições em Portugal para dar o salto de crescimento”. Jorge Rebelo de Almeida, que falava numa conferência de imprensa sobre o balanço da atividade do grupo, referia-se à maioria absoluta do Governo.
“A maioria absoluta foi importante, porque não temos jeito para fazer coisas em conjunto, somos muito individualistas. Só espero que o Governo procure consensos mais alargados para fazer reformas profundas e urgentíssimas. Não vou falar do aeroporto, é algo que nos envergonha a todos, porque é um exemplo de uma ineficácia total, mas pelo meio do caminho temos muitas outras necessidades, como a justiça, que continua a funcionar mal, a reorganização do território e saúde”, apontou o presidente da Vila Galé.
Agora, que a pandemia “dá sinais de ir embora”, Jorge Rebelo de Almeida alertou, no entanto, para outros problemas no horizonte. O presidente da Vila Galé está preocupado com a inflação, escassez de produtos, especulação e, “mais grave”, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, embora, por enquanto, ainda não se sinta nas reservas.
“Hoje temos um mundo cheio de coisas complicadas, além de ser o mau para todos os cidadãos, isto é péssimo para o turismo”.
Voltando à situação do país, Jorge Rebelo de Almeida falou ainda da seca: “É um tema altamente preocupante, não é um problema de agora, é um problema que se vem a agravar e a acentuar nos últimos tempos. Este tema da seca é uma coisa dramática e mata o turismo completamente. Não há cultura para se poupar água. Não há previsão de chuva, isto começa a ser dramático e, se calhar, temos de tomar medidas e levar isto a sério”, alertou.
O presidente da Vila Galé deixou ainda a mensagem que “o turismo não precisa de nada muito específico, precisa que o país funcione e que seja um país desenvolvido, porque na área do turismo, se formos ver as coisas, temos uma oferta que é superior à generalidade do país. O setor do turismo, que foi talvez dos mais atingidos pela pandemia, está de pedra e cal e tem uma oferta muito consistente que não desapareceu”.
Resultados ainda aquém de 2019
2021 ainda foi um ano bastante difícil para o turismo, e apesar de ter sido melhor que 2020, ficou ainda bastante aquém de 2019, ano pré-pandemia.
De acordo com os dados apresentados por Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador da Vila Galé, o grupo terminou o ano com 59 milhões de receitas em Portugal, 50% abaixo do ano pré-pandemia, mas melhor que em 2020, em que as receitas caíram 70% face a 2019.
Ao contrário de 2020, em 2021, já se começou a sentir alguma retoma dos mercados internacionais, sobretudo europeus, principalmente em agosto, setembro, outubro e parte de novembro. No entanto, continuou a não haver praticamente fluxos do Brasil, EUA e Ásia, “que já tinham algum peso em algumas regiões”, afirma Gonçalo Rebelo de Almeida. O resultado da da diminuição de turistas estrangeiros em Portugal é evidente nos Hotéis Vila Galé. “Antes da pandemia, a diferença entre hóspedes nacionais e estrangeiros, era 35% e 65% respetivamente. Em 2021 foi o inverso”, constata o administrador.
No Brasil, o impacto da pandemia não foi tão dramático como em Portugal nos resultados do grupo. Em 2021, a Vila Galé obteve 325 milhões de reais de receita na operação hoteleira, 15% abaixo do ano pré-pandemia, enquanto que, em 2020, caíram 50%.
“O Brasil nunca foi tão abaixo como Portugal e recuperou mais rápido”, refere Gonçalo de Rebelo de Almeida, justificando os resultados devido aos períodos em que ocorreram as vagas da pandemia. “Enquanto que as vagas em Portugal atingiram os inícios do verão, tirando uma fatia do negócio, no Brasil, as vagas nunca aconteceram no período de verão”.
Desde a segunda semana de janeiro de 2022 que o grupo regista um aumento do fluxo de reservas, com Gonçalo Rebelo de Almeida a apontar o mercado inglês como o líder desta recuperação. “O mercado inglês é tipicamente o primeiro a reagir, mas os outros mercados, como a Holanda, Escandinávia, França e Alemanha começam a dar sinais. Fora da Europa, essa retoma é mais lenta”.
Com a estabilização das regras, a reposição de oferta aérea e o previsto fim da pandemia, as perspetivas “começam a ser positivas”. “Março será melhor que fevereiro. A partir de abril nota-se já hotéis com taxas de ocupação significativas, acima dos 60%”, afirma.
Em 2022, a previsão é ficar ainda 15% a 20% abaixo de 2019, por causa de alguns segmentos de mercado que não vão retomar no primeiro semestre, tais como os circuitos e autocarros turísticos, congressos e grandes eventos.




