“O Turismo tem de ser não apenas motor de crescimento, mas também um exemplo de inovação humana, integração e impacto social”
O turismo é um dos setores mais emblemáticos da economia portuguesa. Tem crescido, conquistado reconhecimento internacional e tem sido um motor de emprego. Mas também enfrenta desafios já sobejamente conhecidos: falta de mão de obra qualificada, dificuldade em reter talento, pressão ambiental, sazonalidade e uma forte dependência de modelos que já mostram sinais de desgaste.
Perante este cenário, a grande questão é: como encontramos soluções verdadeiramente inovadoras, com impacto duradouro?
Para dar este salto, é necessário algo disruptivo: sair do Turismo para pensar o Turismo. Isso significa inspirar-se em práticas de outros setores, aprender com modelos sociais, integrar perspetivas da educação, da psicologia, das ciências do comportamento e da responsabilidade social. Só assim se evita a estagnação e se constrói um setor preparado para os desafios globais que já estão à porta.
Uma das respostas passa por onde menos se costuma procurar: no desenvolvimento humano e organizacional. Em vez de olhar apenas para estratégias de marketing, infraestruturas ou captação de turistas, precisamos de investir nas pessoas que fazem o Turismo acontecer — mas com novas abordagens, novas práticas e novos protagonistas que tragam perspetivas diferentes e respostas alinhadas com os desafios do futuro. O setor exige novas vozes, novas perspetivas e práticas sustentadas em ciência do comportamento, inovação organizacional e impacto ESG.
Pessoalmente, acredito que a inovação no Turismo não depende apenas de tecnologia ou de grandes investimentos, mas de uma transformação cultural baseada em competências humanas e liderança consciente. O que propomos é claro: começar por compreender profundamente as pessoas e organizações através de diagnósticos comportamentais e, a partir daí, desenvolver programas contínuos de capacitação que trabalhem competências-chave como empatia, resiliência, comunicação, liderança colaborativa e visão sustentável.
Mas há um ponto crucial que o setor precisa de encarar de forma mais estratégica: a integração de migrantes.
Vou integrá-lo nesta crónica de forma alinhada com a minha visão e a par do impacto ESG pretendido dentro das nossas organizações, não apenas como recurso funcional para colmatar necessidades imediatas de trabalho, mas mostrando que os migrantes são pessoas que poderão ser capacitadas, motivadas e absolutamente estratégicas para o futuro do turismo.
Portugal tem recebido milhares de pessoas vindas de diferentes países, muitas das quais encontram no Turismo uma porta de entrada para o mercado de trabalho. No entanto, a sua integração não pode ser vista apenas como um processo burocrático — regularização de documentação, contratos de trabalho ou os desafios da habitação. O verdadeiro desafio para uma solução duradoura passará por reconhecê-los como pessoas capacitadas, com todo o infinito potencial de desenvolvimento humano, saber-estar cultural e consequente motivação, capazes de abraçar o setor com brio, determinação e empenho.
Integrar migrantes não é apenas uma questão de justiça social, é também uma oportunidade competitiva. Num setor que sofre com falta de recursos humanos, valorizar estas pessoas, investir na sua formação contínua e criar condições de pertença e crescimento pode ser uma das maiores vantagens de Portugal face a outros destinos. Mais ainda, é uma forma de enriquecer culturalmente a experiência turística, tornando-a mais diversa, autêntica e global.
Se este “ponto” não foi considerado no planeamento base para a criação da Estratégia do Turismo 2035, que sucederá à Estratégia do Turismo 2027, sugiro vivamente que seja contemplado e disponibilizo-me desde já, enquanto fundadora da empresa, mas também do modelo de impacto TEACH How to Fish, para colocar este processo em ação ao lado de todos.
Portugal pode continuar a ser referência mundial, mas, para isso, precisa de apostar não só nos destinos, mas nas pessoas que os sustentam — incluindo quem escolhe este país para viver e contribuir. O Turismo tem de ser não apenas motor de crescimento, mas também um exemplo de inovação humana, integração e impacto social.
O futuro do setor não se decide apenas em números de visitantes ou receitas, mas na capacidade de formar equipas motivadas, líderes inspiradores, organizações humanas mais resilientes e comunidades verdadeiramente inclusivas. Esse é o verdadeiro bilhete para o futuro do Turismo em Portugal.
Por Susana Garrett Pinto
Fundadora e CVO by THF | @ byTHF.pt



