Sábado, Fevereiro 24, 2024
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O turismo de neve tem futuro perante as alterações climáticas?

As alterações climáticas têm vindo a afetar, ano após ano, a temporada de turismo na neve e, por vezes, teme-se pela sua continuidade no futuro. Para esclarecer a situação real desta modalidade, o Hosteltur conversou com o presidente da associação setorial ATUDEM, Jesús Ibáñez, que detalhou as problemáticas reais e como estão a ser abordadas pelas estações de esqui.

Segundo o especialista da ATUDEM (Asociación Turística de Estaciones de Esquí y Montaña), “o início da temporada é quase sempre complicado, e os sistemas de neve produzida desempenham um papel fundamental nas primeiras semanas” devido à falta de precipitação que, se não for compensada, atrasaria a abertura, colocando em risco a viabilidade desta atividade turística que, de outra forma, “está em pleno crescimento”, pois “a procura por esqui continua muito alta”, sublinhou.

No entanto, Ibáñez quis esclarecer que “em algumas temporadas, a intervenção dos canhões [sistemas de produção de neve] é mais importante do que noutras, mas a sua presença nas estações de esqui é um elemento indiscutível para a indústria dos desportos de inverno”. Isto implica uma dependência técnica. Por outro lado, há estâncias que, na sua procura de maior sustentabilidade, decidiram retirá-los.

Uma questão crucial é se estão a ser tomadas medidas para garantir a continuidade da oferta de turismo de neve a médio prazo. Perante esta questão, o porta-voz da ATUDEM, que reúne as 34 estações de esqui espanholas, admite que o aumento das temperaturas “é um obstáculo sério para as estações e para todos os que estão relacionados com esta atividade”.

Investimentos em I+D+i (Investigação, Desenvolvimento e Inovação)

No entanto, Jesús Ibáñez frisou que a indústria da neve – ou seja, as estações de esqui e as grandes multinacionais do setor – estão a enfrentar a situação “da melhor maneira possível” com “fortes investimentos em I+D+i” e, por esse motivo, “os sistemas de produção estão cada vez mais eficazes a gerar neve e eficientes no uso de água e energia, mesmo em temperaturas marginais”, esclareceu.

“As pistas estão agora preparadas com máquinas híbridas e muitos centros de esqui são já pioneiros na redução da pegada de carbono”, acrescentou.

Apesar de tudo, a situação em Espanha é menos dramática do que noutros destinos clássicos do turismo de esqui: “As estações dos Alpes tiveram uma temporada passada complicada; no entanto, neste primeiro mês da temporada 2023/24, aquelas imagens das estações francesas, italianas, suíças e austríacas com pouca neve deram lugar a outras bem diferentes”, expôs o presidente.

E, de facto, a situação atual nesses destinos europeus é que contam com estações “repletas de neve e espessuras impressionantes, ao ponto de alguns eventos internacionais de esqui terem tido problemas para se realizarem devido ao excesso de neve. Esperemos que esta tendência se mantenha” nos próximos meses, afirmou Jesús Ibáñez.

Relativamente à última temporada que as estâncias espanholas completaram, a correspondente ao inverno de 2022-2023, o presidente da ATUDEM recorda que foi um ano “meteorologicamente difícil”, apesar disso, tiveram “uma das melhores temporadas da história recente em termos de números e de volume de negócios”.

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