Sexta-feira, Julho 1, 2022
Sexta-feira, Julho 1, 2022

SIGA-NOS:

“O turismo não é um dado adquirido, continuamos a precisar de recursos”, alerta Luís Araújo

O presidente do Turismo de Portugal (TdP), Luís Araújo, afirmou esta terça-feira, dia 17 de maio, que as perspetivas para o verão “são extremamente positivas”, estando o país, em termos de conectividade aérea, acima de 2019. “Os números são muito expressivos, principalmente nas ilhas, a Madeira com mais 46% [de ligações aéreas] só no verão. Temos números muito expressivos também em termos de motores de busca, continuamos a ser procurados acima da média de outros países nos motores de busca”, disse o presidente do TdP, na abertura da quarta edição do Cascais Tourism Forum, organizado pela ARHCESMO, em Cascais.

Para Luís Araújo, “finalmente começamos a ver uma luz mais forte ao fundo túnel, mas estas notícias recentes trazem riscos e responsabilidades”.

Segundo o responsável, os principais riscos “são muito simples”. “O primeiro é que o turismo seja entendido como um dado adquirido por muitos daqueles que gerem o nosso país, mas também a nível internacional e que têm influência naquilo que é a nossa atividade e o o nosso futuro. O turismo não é um dado adquirido, o turismo não recupera sempre. É preciso muita resiliência e um setor estruturalmente muito forte para conseguir fazer aquilo que o setor em Portugal está a fazer agora: ligar os motores e arrancar de um dia para o outro. Isto conseguiu-se porque, ao longo destes dois anos, todos nos estivemos a preparar para isso”, constata.

“Turismo continua a precisar de recursos”

De acordo com Luís Araújo, o segundo risco está em “considerar que agora, que tudo está bem, o turismo não precisa de recursos. Nada mais falso, o turismo continua a precisar de recursos”. Araújo sublinhou que “o plano Reativar o Turismo, de seis mil milhões de euros até 2027, tem de ser implementado e o Turismo de Portugal está a trabalhar nisso”, mas há mais, “são precisos recursos financeiros, não só do orçamento do TdP, cada euro que é gasto, não é despesa pública, é investimento público. No último ano, esse investimento quadruplicou relativamente ao que é normal num ano de atividadedo TdP. São precisos recursos da União Europeia e o próximo Quadro Comunitário de Apoio tem de considerar o turismo como prioridade máxima, do ponto de vista da oferta, da promoção e da capacitação”.

Por outro lado, o presidente do TdP apontou como último risco a ideia de que já não há limitações ao setor turismo. “Ainda há, ainda temos países que não podem entrar em Portugal, quando podem entrar noutros mercados, ainda temos exigências que outros países já não estão a exigir. A OMS já disse por, várias vezes, que qualquer limitação à mobilidade num caso em que já existe transmissão comunitária não tem os resultados pretendidos. Isto tem de ser repetido à exaustão, porque não estamos livres de uma outra vaga e de novas limitações”, defendeu.

“Continuamos a ter 20 a 30% dos salários mais baixos para as mulheres a nível mundial”

Quanto ao tema do fórum, ““Sustainability in Tourism. #Timetoact ”, o presidente do Turismo de Portugal fez questão ainda de sublinhar o papel do setor: “A nossa responsabilidade é combater estes riscos, mas também apostar num novo turismo, num novo modelo de turismo, daí a questão da sustentabilidade ser tão importante. O turismo tem de ser o motor de uma economia cada vez mais circular. A sustentabilidade não é só feita da componente da componente ambiental e da proteção do território, mas também é feita da sociedade, e de como conseguimos que este setor e a nossa sociedade seja ainda mais inclusiva”, afirmou o responsável. Luís Araújo referia-se, por exemplo à paridade de género. “Continuamos a ter 20 a 30% dos salários mais baixos para as mulheres a nível mundial. As 100 maiores empresas de turismo só têm 17% de mulheres nos seus quadros executivos e só quatro são presidentes dos Conselhos de Administração. Isto não pode continuar, não é sustentável e, principalmente, não é o turismo que queremos”.

Finalmente, disse o responsável, “se queremos ser competitivos, a aposta na Inovação e no digital, principalmente na maneira diferente de mostrar o nosso país, é essencial para esta retoma. Temos uma luz forte ao fundo do túnel, mas este é o tempo de lutar contra os riscos que estão pendentes sempre sobre esta atividade”, concluiu.

“Sustainability in Tourism. #Timetoact“

Embora o tema da sustentabilidade esteja a ser abordado há muito tempo, a direção da ARHCESMO entendeu trazê-lo novamente a debate na edição deste ano do Cascais Tourism Forum, como explicou José Branco, vice-presidente da associação, durante a abertura do evento. “Temos de atuar urgentemente, para conseguir parar um ciclo de destruição da vida do planeta. (…) Estamos a transitar para um modelo económico circular, a que hotelaria não pode fugir, pela sua natureza transversal. A ideia do debate que vos trazemos é termos consciência disso, e antecipar-mos as medidas que nos permitirão olhar a sustentabilidade não como uma obrigação, mas como uma oportunidade, aproveitando a criatividade que os nossos empresários do turismo já deram provas suficientes”. ” A criação de um ecossistema de sustentabilidade no turismo e nas nossas unidades vai proporcionar-nos uma continuidade no crescimento na nossa imagem de excelência e na procura de turistas, já que o mercado está cada vez mais consciente dessa necessidade e exigente no que respeita aos três pilares deste conceito: ambiental, social e económico”, considerou o responsável.

José Branco / Créditos: Henrique Casinhas

“É tempo de agir, mas agir com ideias inteligentes”

Doug Lansky, consultor de turismo baseado em Estocolmo, foi um dos oradores do fórum (veja a entrevista ao Tnews aqui), com o tema “Rethinking Tourism”. Doug Lansky defende que é necessário mudar de estratégia e repensar a abordagem do setor, para que o turismo possa desfrutar de um crescimento sustentável a longo prazo. “Se não protegemos uma experiência fantástica, essa experiência não existirá por muito tempo”, constata.

Doug Lansky / Créditos: Henrique Casinhas

Na sua intervenção, Doug Lansky desafiou o setor turístico a pensar em novas formas criativas para melhorar o serviço e aumentar o consumo dos visitantes, admitindo, no entanto, que “ter um pensamento disruptivo é algo complicado”. “É tempo de agir, mas agir com ideias inteligentes”, afirma, defendendo “pequenos passos” em direção a uma estratégia mais sustentável. O orador mostrou, através de vários exemplos, como a hotelaria pode melhorar o negócio a curto e a longo prazo, através de práticas ambientais mais inteligentes. Nos exemplos que mostrou, Lansky questionou sempre se os hotéis perguntam aos hóspedes se querem adotar medidas mais sustentáveis ou se os forçam a fazê-lo, lembrando que as pessoas gostam de se sentir envolvidas.

Doug prefere usar a expressão “turismo desequilibrado”, em vez de ‘overtourism’ porque, no final, é de equilíbrio que se trata. O sucesso do turismo está em encontrar um ponto de equilibro entre os interesses do setor turístico, a experiência do visitante, o ambiente, e a vida da população local.

O TNews foi media sponsor do evento.

Créditos: Henrique Casinhas

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img