Sexta-feira, Novembro 26, 2021
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“Onde é que trabalhas?”, “Eu? Everywhere.”

Num dos episódios da versão americana da série The Office, a personagem Mike, o chefe da empresa Dunder Mifflin Paper Company, interpretada brilhantemente por Steve Carrel, reúne os seus funcionários numa sala para perceber quem tinha ousado afirmar de que trabalhar naquela empresa era como estar numa prisão. Ofendido com tal rumor que lhe chegara aos ouvidos, Mike encarna o personagem, inventado por si, ‘Prison Mike’ e, do alto da sua ignorância perante a vivência numa prisão, tenta provar aos seus ‘subalternos’ de que a experiência prisional é uma realidade dura que, certamente, eles não gostariam de viver. Se os convenceu? Claro que não. Quem conhece a série e a personagem sabe bem que as suas boas intenções de chefe incompetente desembocam sempre numa série de acções constrangedoras, tão inúteis quanto hilariantes. Nesta irresistível comédia, as incongruências das dinâmicas sociais e produtivas vividas num escritório convencional são retratadas à lupa com muito humor non sense à mistura.

Pressinto que o sentimento colectivo dos funcionários da Dunder Miffin, ao se sentirem agrilhoados ao ecossistema duma empresa, é algo que assiste a muitos de nós. As horas perdidas no ir e vir até ao local de trabalho. As interrupções constantes nos momentos em que mais temos de nos concentrar. As inúmeras reuniões de equipa que não serviram assim de tanto. Aquele aroma desagradável que sai de um micro- ondas da copa partilhada por todos… Pois bem, todas estas vicissitudes de ter de se apresentar fisicamente numa empresa, durante oito horas por dia, cinco dias por semana, foram chocalhadas e revolvidas com o fenómeno Pandemia. Quem não perdeu dramaticamente o seu emprego, esteve a trabalhar remotamente a partir de casa. E, de um modo geral, parece que foram mais os ganhos do que as perdas desta experiência laboral forçada. Correu tão bem que, neste regresso progressivo à abertura da economia, empregadores e funcionários negociam diferentes formas presenciais de cumprir os seus objectivos de trabalho.

A empresa de pesquisa de mercado, Forrester, prevê que 70 por cento das empresas
americanas e europeias adoptem um modelo de trabalho híbrido neste pós-pandemia, em que os trabalhadores podem dividir o seu tempo de escritório entre trabalhar remotamente e dar o seu ar de graça no escritório da sua empresa. Também há empresas, como a agência californiana de Publicidade e Marketing, R/GA, que, em vez de renovar, no Verão de 2020, o dispendioso contracto de aluguer do seu escritório no centro de São Francisco, na Califórnia, decidiu abraçar o trabalho remoto por completo. É que, durante a pandemia, a sua equipa de criativos, designers, estrategas e executivos de contas aumentou significativamente a produtividade, a partir de casa.

Se assim é, então para quê dar dois passos atrás e regressar à fórmula convencional de ter de se apresentar ao vivo e a cores num posto de trabalho para provar que se merece o ordenado do fim do mês?

Everywhere Office está a chegar a… todo o lado

Depois da ‘série’ de grande sucesso “Trabalho a Partir de Casa e Gosto”, está a chegar a ‘série’ “Trabalho a Partir de Qualquer Sítio e Adoro”. Um pouco por todo o globo, empresas estão a dilatar as fronteiras do trabalho remoto, com políticas que incentivam os seus colaboradores a trabalhar num qualquer ponto do mapa que não seja o escritório. O que não significa que a filosofia “Em Qualquer Lugar” seja igual para todos. Alguns empregadores concedem que a sua equipa se concentre na província ou país respeitantes à sua empresa, enquanto outros permitem que as suas pessoas vivam alguns meses por ano num qualquer país estrangeiro.

Spotify e Dropbox são algumas das empresas que estão na proa deste movimento libertário de escritório em qualquer lugar. Os trabalhadores do ecossistema facebookiano também já usufruem de trabalho remoto permanente e, durante 20 dias por ano, podem trabalhar num qualquer paraíso com acesso à internet, sem quaisquer culpas ou anseios. Neste novo mundo, em que as fronteiras laborais se diluem no desejo e bem-estar dos funcionários, ser avaliado por assiduidade e cumprimento do horário de expediente são obrigações e expressões obsoletas. Esteja onde se estiver, o que mais conta é a produtividade e os resultados.

Quando Gavin Patterson, presidente da Salesforce, diz que estamos a passar por uma reinvenção da cultura de escritório e que isso vai ter um impacto na sociedade à escala de uma onda da Nazaré (esta referência é minha), eu aceno positivamente a cabeça, concordando que sim. E, por isso, recorro às suas palavras para explicar este novo movimento que nos livrará da imagem do escritório como uma prisão: “Não se trata apenas do futuro do trabalho. Trata-se da próxima evolução da cultura empresarial e da sociedade – os negócios a ajudarem a construir uma plataforma resiliente para mudanças positivas e crescimento.

Por Rodrigo Oliveira

É diretor geral e fundador da Zyrgon Network Group, agência de marketing e comunicação digital

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