Domingo, Junho 16, 2024
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Operadores equacionam charter para a Madeira “para contrariar falta de diálogo com a TAP e preços absurdos”

Os operadores turísticos portugueses estão a equacionar a realização de um charter para a Madeira, para contrariar “a falta de diálogo da TAP e os preços absurdos que estão a ser praticados”, disse Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), esta sexta-feira, dia 30 de abril.

O presidente da APAVT falava numa conferência de imprensa conjunta com o Secretário Regional de Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, depois de uma reunião em que participaram também os oito operadores turísticos portugueses que, no conjunto, mais vendem a Madeira.

Pedro Costa Ferreira não poupou críticas à atual postura da TAP para com a operação turística. “Se nos perguntarem qual é o maior problema identificado, é um problema que só tem três letras, mas que hoje é um elefante na sala, chama-se TAP”, começou por dizer.

Para o presidente da associação, “a TAP tem mantido inconsistência de operação e uma inflexibilidade tarifária brutal, ao contrário da sua concorrência, o que provoca um afastamento de reservas de grupos, corporate e charters”. Na opinião de Pedro Costa Ferreira, esta postura levará a companhia a perder quota de mercado.

“Em cima disto tudo, falta diálogo comercial”, acusa o presidente da APAVT. “A estrutura de vendas foi esvaziada, deixámos de falar com quem falávamos”, referiu. “Tarda uma substituição da estrutura comercial que dialogava com o trade e que permitia que, de mil milhões [de euros] de passagens aéreas emitidas em Portugal pelos agentes de viagens em 2019, só em linhas regulares, 50% fosse da TAP. Estes mil milhões têm um significado grande na relação com a TAP, primeiro, porque são mil milhões, segundo, porque são o maior número desde sempre do BSP”.

Como exemplo da falta de diálogo, Pedro Costa Ferreira indicou os voos charters para a ilha de Porto Santo. “Em cima de seis charters que fomos obrigados a colocar no mercado sem ser com a TAP, a companhia anunciou mais seis voos regulares, que afinal são três. Os seis charters praticamente lotam a capacidade hoteleira de Porto Santo. Por isso não sei se a TAP vai promover raves em Porto Santo, incluindo dormidas, ou se vai cancelar mais algum voo depois daqueles seis que foram anunciados”.

Pedro Costa Ferreira lamenta que ao, fim de trinta anos desde que os operadores voaram com charters para a Madeira, seja novamente equacionada essa opção. “O mais extraordinário é que acabámos a reunião a pensar se não será necessário os operadores unirem-se e fazerem um charter para a Madeira de modo a trazerem turistas nacionais a tarifas mais baixas do que aquelas que estão a ser feitas para Cancun”.

O presidente da APAVT reiterou, no entanto, a disponibilidade para dialogar com a companhia. “Estamos disponíveis porque sempre estivemos disponíveis, mas a TAP tem que querer”, afirmou, lembrando ainda que, “a companhia não respondeu a nenhum pedido de cotação para a Madeira e Porto Santo de nenhum operador nacional”.

“A Madeira não pode ser o mealheiro de uma companhia que depois precisa dos contribuintes nacionais para a manter viva”, Eduardo Jesus

Também o Secretário Regional do Turismo e Cultura da Madeira disse lamentar que a companhia de bandeira não esteja associada a operação para Porto Santo. “Naturalmente faz confusão, ate ao público em geral, como é que uma operação destas é concretizada com uma companhia estrangeira”, disse, aludindo ao facto dos charters dos operadores portugueses para a ilha de Porto Santo serem realizados este verão pela Iberia. “Seria muito mais agradável termos uma TAP associada à tour operação nacional. Lamento esse aspeto”.

Eduardo Jesus focou ainda “uma batalha muito antiga” com a companhia, relacionada com a “perda de competitividade”, em virtude “das tarifas praticadas pela TAP. “O presidente da APAVT deixou este apontamento: aparecerem preços mais baratos para ir de Lisboa a Cancun, do que de Lisboa para a Madeira. Não é compreensível e não é aceitável”.

“A Madeira reivindica uma postura diferente relativamente a este destino. Tanto mais porque sabemos que a linha da Madeira é a mais rentável, depois das ligações internacionais à América Latina. A Madeira não pode ser o mealheiro de uma companhia que depois precisa dos contribuintes nacionais para a manter viva”, concluiu. 

Oito operadores turísticos e um grupo de jornalistas viajaram para a Madeira esta quinta e sexta-feira no âmbito da iniciativa Destino Preferido da APAVT 2021.

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