A hotelaria nacional registou uma taxa média de ocupação de 77% durante o período da Páscoa de 2026, acima dos 75% verificados no ano anterior, enquanto o RevPAR aumentou ligeiramente de 109 para 110 euros. Já o preço médio por quarto recuou de 145 para 143 euros. Metade dos hoteleiros classificou ainda os proveitos totais como superiores aos registados na Páscoa de 2025, segundo os resultados do inquérito “Balanço Páscoa & Perspetivas Verão 2026”, divulgado esta terça-feira pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).
Apresentando os resultados do inquérito, a vice-presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, considerou que a evolução observada na Páscoa está alinhada com os dados mais recentes do INE para o setor do alojamento turístico. “Aquilo que temos é uma taxa de ocupação a subir ligeiramente, um preço médio ligeiramente abaixo e um RevPAR ligeiramente acima”, resumiu.
A responsável sublinhou ainda que os resultados refletem um crescimento moderado da atividade. “É um crescimento relativamente anémico, mas ainda assim crescimento”, afirmou.
Além dos indicadores operacionais, metade dos inquiridos classificou os proveitos totais da Páscoa como “melhores” ou “muito melhores” face ao mesmo período de 2025, enquanto 16% consideraram que se mantiveram iguais. Já 34% indicaram uma evolução negativa.
A nível regional, a Grande Lisboa voltou a apresentar a taxa de ocupação mais elevada do país, com 81%, seguida da Madeira (79%), Algarve (78%) e Península de Setúbal (78%). Contudo, foi a Região Autónoma da Madeira que registou o melhor desempenho em termos de rentabilidade, alcançando um preço médio por quarto (ARR) de 203 euros e um RevPAR de 161 euros, ambos os mais elevados a nível nacional.
Apesar de a ocupação na Madeira ter recuado de 85% para 79%, Cristina Siza Vieira considerou que a região apresentou uma “performance extraordinária”. Segundo explicou, os hotéis madeirenses optaram por privilegiar o aumento do preço médio em detrimento da ocupação. “Preferiram olhar para o lado do preço e menos para a ocupação”, afirmou, acrescentando que se trata de “uma opção económica e de gestão que tem dado bom resultado”.
Já a Grande Lisboa continua a merecer atenção por parte da associação. Embora tenha registado uma ligeira subida da ocupação, de 80% para 81%, o ARR caiu de 171 para 161 euros e o RevPAR recuou de 138 para 131 euros.
“Chamamos claramente a atenção para este alerta na região da Grande Lisboa”, afirmou Cristina Siza Vieira. A responsável admite que a situação poderá estar relacionada com o aumento da oferta de alojamento disponível, mas também com um abrandamento do ritmo de crescimento da procura e com constrangimentos associados à infraestrutura aeroportuária da região.
Em sentido inverso, os Açores registaram a evolução mais desfavorável entre as regiões analisadas. A taxa de ocupação caiu de 69% para 62%, o ARR recuou de 105 para 102 euros e o RevPAR passou de 72 para 63 euros. A responsável associou esta evolução, entre outros fatores, ao impacto da saída da Ryanair do mercado açoriano.
O inquérito revela também uma alteração nos padrões de reserva dos clientes. Mais de seis em cada dez hoteleiros (61%) indicaram que as reservas last minute aumentaram face à Páscoa de 2025, enquanto apenas 10% reportaram uma diminuição. Por outro lado, 32% dos inquiridos referiram um aumento da taxa de cancelamentos, contra 21% que observaram uma redução.
Segundo Cristina Siza Vieira, estes indicadores refletem um comportamento mais cauteloso por parte dos consumidores, que tendem a adiar as decisões de viagem até mais perto da data de partida, num contexto marcado pela incerteza económica e geopolítica.
Mercado nacional mantém liderança
Portugal voltou a surgir como o principal mercado emissor para a hotelaria nacional durante a Páscoa, sendo referido por 78% dos inquiridos entre os seus três principais mercados. Seguiram-se Espanha (49%), Reino Unido (48%), Estados Unidos (45%) e Alemanha (32%).
Comparativamente a 2025, destacam-se os crescimentos da importância relativa dos mercados norte-americano, que passou de 38% para 45%, e alemão, que subiu de 21% para 32%. Em sentido contrário, o mercado francês registou uma quebra significativa, passando de 22% para 12%.
A nível regional, os Estados Unidos destacaram-se na Grande Lisboa, sendo apontados por 76% dos inquiridos, enquanto o Reino Unido manteve forte relevância no Algarve (95%) e na Madeira (97%). Já o mercado nacional foi referido por 100% dos inquiridos nos Açores, Alentejo e Centro.
Os resultados têm por base um inquérito realizado entre 27 de abril e 17 de maio junto de 328 empreendimentos turísticos associados da AHP.
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