Sábado, Fevereiro 24, 2024
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Pedro Nuno Santos garante que decidirá sobre o novo aeroporto “à primeira oportunidade”

O secretário-geral do Partido Socialista (PS) e candidato às eleições legislativas de 10 de março, Pedro Nuno Santos, afirmou esta terça-feira, dia 6, que decidirá sobre o novo aeroporto de Lisboa “à primeira oportunidade”. “Não vou perder nem mais um segundo por duas razões, uma delas é prática, precisamos de avançar o quanto antes, e a segunda é simbólica, para passar uma mensagem clara que o país tem de avançar, não pode ter medo de decidir”, disse Pedro Nuno Santos, num almoço-debate promovido pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), e que juntou vários empresários do setor do turismo.

Pedro Nuno Santos respondia desta forma ao presidente da CTP que, momentos antes, tinha deixado algumas questões para o secretário-geral do PS responder, nomeadamente a questão do aeroporto, caso vença as eleições.

“Não vou perder nem mais um segundo por duas razões, uma delas é prática, precisamos de avançar o quanto antes, e a segunda é simbólica, para passar uma mensagem clara que o país tem de avançar, não pode ter medo de decidir”, Pedro Nuno Santos

“A CTP saudou, e bem, a sua decisão de curto prazo de avançar para o Montijo. Tinha razão. Sabemos o que aconteceu, no entretanto. Neste momento, estamos aparentemente a projetar um aeroporto para 90 milhões de passageiros por ano, que nunca vou ver. É com muita pena que vejo todos os dias recusarmos slots, estamos a recusar turistas que todos querem, dos EUA, da Ásia, com maior pernoita, que gastam mais. Damo-nos ao luxo de dizer que não venham e que não venham durante muitos anos. Não podemos desistir do Montijo, que é a única infraestrutura que em dois anos pode estar a funcionar”, afirmou Francisco Calheiros.

Para Pedro Nuno Santos, as décadas de espera para decidir sobre o novo aeroporto “traduzem-se numa cultura nacional que é preciso derrotar”, ou seja, “a incapacidade de decidir”. “Essa incapacidade custou ao país milhares de milhões de euros, não somos propriamente um país rico que se pode dar ao luxo de desperdiçar aquilo em que tem vantagens, temos vantagens claras no nosso posicionamento geográfico em fazer a ligação entre o Atlântico e Europa. Temos feito isso em condições precárias, temos um aeroporto com uma pista, esgotado, e sem as melhores condições para receber os nossos turistas. Não só é uma má experiência, como todos os anos negamos a possibilidade de milhares de pessoas visitarem o nosso país”, acrescentou.

Defendendo que nenhuma solução reunirá consenso, Pedro Nuno Santos afirma que “não podemos estar indefinidamente a arrastar os pés, a adiar uma decisão, porque vai haver contestação, porque ninguém vai gostar. São 50 anos, os primeiros estudos são de 1972, já passaram 50 anos, já se estudaram 19 localizações, o que é que Portugal está à espera?”, questionou.

Quanto à segunda questão deixada pelo presidente da CTP relacionada com o futuro da TAP, o líder socialista não foi claro. Durante a intervenção a que os jornalistas tiveram acesso, nem uma palavra para a privatização da TAP. Fez um mea-culpa aos erros e destacou, uma vez mais, os resultados obtidos depois do plano de reestruturação da companhia. “A TAP é um processo difícil, é uma mochila que carrego e carregarei para o resto da vida. O processo teve erros, falhas, mas temos a capacidade de nos focarmos naquilo que não correu bem e de não falar de mais nada. Na realidade, pegámos numa empresa falida, com cerca de 500 milhões de euros de capitais próprios negativos, que já dava prejuízos antes da pandemia – e a gestão não era pública, fizemos um plano de reestruturação, negociámos com Bruxelas, e não ficou nenhuma tapzinha, contratámos uma administração que pôs a empresa a funcionar e a empresa dá dinheiro. Ao fim deste tempo todo, continua a ser um tema usado contra mim. Não foi a única empresa de Portugal resgatada. Temos o exemplo da SATA, também intervencionada, por um governo PDS/CDS apoiado pelo IL e Chega. Este dualismo que caracteriza a política em Portugal é que nos impede de olhar para os temas como devem ser vistos. A intervenção da SATA correspondeu a 10% do PIB nos Açores num ano, a SATA continua a dar prejuízo e a TAP não”, realçou.

“Achamos que o turismo deve estar sentado no Conselho de Ministros, para poder resolver os problemas do turismo com os seus pares”, Francisco calheiros

O tema da governance do turismo também foi traduzido ao debate pelo presidente da CTP, com este a indagar Pedro Nuno Santos sobre qual o modelo de governance que defende para o turismo. “O turismo até tem vindo a ter sorte com as pessoas com quem dialoga, seja o ministro da Economia, a Secretaria de Estado ou o Turismo de Portugal, o problema é que o turismo é muito transversal, e os problemas que atravessamos no turismo, normalmente, têm a ver com as Finanças, Infraestruturas, SEF, Administração Interna, Negócios Estrangeiros. Achamos que o turismo deve estar sentado no Conselho de Ministros, para poder resolver os problemas do turismo com os seus pares. Este Governo achou que, não só não devia ter Ministério, como deveria dividir a Secretaria de Estado com o comércio e os serviços. Gostaria de saber qual o seu entendimento nesse sentido. Todos os países nossos concorrentes têm ministro”, questionou Francisco Calheiros.

De Pedro Nuno Santos não recebeu uma resposta concreta, mas vários elogios ao turismo. “Não vou fazer a composição do Governo, não é o lugar certo, o que posso dizer é que o turismo tem uma centralidade na economia portuguesa e na vida do país a vários níveis, que não pode ser ignorada, ou fazer de conta que é mais alguma coisa, não é mais um setor, por isso, o turismo terá a centralidade que ganhou por direito próprio”. Em vários momentos do discurso, Pedro Nuno Santos elencou a importância do turismo para a riqueza do país, exportações, criação de emprego, revitalização das cidades, aproveitamento do território e para puxar por alguma da nossa indústria. “O PS percebe a importância deste setor e quer continuar a ter um Governo que seja parceiro do setor do turismo em Portugal”.

Composição do Governo: “O turismo tem uma centralidade na economia portuguesa e na vida do país a vários níveis que não pode ser ignorada, por isso, o turismo terá a centralidade que ganhou por direito próprio”, Pedro Nuno Santos

A CTP pretende, com esta iniciativa, dar a conhecer aos agentes do turismo as propostas dos dois principais partidos portugueses. O secretário-geral do PS participou no primeiro almoço que se realizou esta terça feira, 6, enquanto o presidente do PSD, Luís Montenegro, participa no segundo almoço a 15 de fevereiro.

Os agentes do turismo tiveram também a oportunidade de questionar o líder do PS, numa sessão de perguntas fechada à comunicação social.

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