O “primeiro hotel de bandeira portuguesa em Itália” chegou pela mão do Pestana Hotel Group. A aquisição do Le Massif Courmayeur, nos Alpes italianos, concretiza o “desejo” antigo de entrar no destino e assinala a estreia no segmento dos hotéis de montanha. “Somos os únicos [no mercado nacional] que conseguem oferecer esta diversidade”, referiram responsáveis do grupo durante uma viagem de imprensa realizada entre 16 e 18 de junho, na qual o TNews participou.
Integrado no portfólio do grupo, o Le Massif Courmayeur Hotel & Lodge reabriu portas a 5 de junho. Em declarações aos jornalistas, João Martins, diretor de Operações para a Europa, afirma que “Itália era um destino que o grupo Pestana já procurava há algum tempo”, acrescentando que a área de desenvolvimento, liderada por José Roquette, esteve “incessantemente à procura de uma oportunidade” no país.
Localizado em Courmayeur, aos pés do Monte Branco, o ponto mais alto dos Alpes, o hotel de cinco estrelas integra a rede The Leading Hotels of the World. A unidade surgiu como “uma oportunidade de trazer para dentro do grupo um ativo que soma. Não é só entrar no destino por entrar. Se fosse esse o propósito, já teríamos entrado noutros destinos em Itália há mais tempo”, sublinha.
“É um produto que entra em Itália dentro da Pestana Collection [marca de hotéis de luxo] e traz-nos a experiência de montanha enriquecida com o ski resort [em que se transforma] no inverno. É um ativo que vai agregar valor ao grupo”, destaca João Martins.

Com esta aquisição, o Pestana Hotel Group passa a estar presente em 17 mercados internacionais. Além disso, o Le Massif Courmayeur torna-se o “primeiro hotel de bandeira portuguesa em Itália”, refere Paulo Garcia, diretor da unidade, que acompanha a sua integração no universo Pestana.
O responsável acredita que a operação poderá replicar o percurso realizado noutros mercados internacionais. “Comparo com [o exemplo de] Marrocos: é entrar num mercado onde ninguém conhecia o Grupo Pestana e, passados alguns anos, toda a gente conhece a marca”, afirma. Além de ser “uma forma de oferecer aos clientes fidelizados um novo destino”, permite também atrair “os clientes de Itália para hotéis do grupo noutros destinos” e “fazer cross selling”.
Apesar de ter reaberto em época baixa, a unidade já registou níveis de ocupação de cerca de 70% aos fins de semana. Segundo Paulo Garcia, metade dos hóspedes são italianos, sobretudo provenientes de Milão e Turim. Entre os principais países emissores encontram-se ainda mercados de proximidade como Suíça e França, bem como Reino Unido e Estados Unidos.
Mas a estratégia passa também por atrair o mercado português. Para isso, o grupo lançou uma campanha de comunicação direcionada aos membros do Pestana Guest Club, o programa de fidelização do grupo. “Foi uma excelente surpresa”, admite João Martins, referindo que o número de hóspedes portugueses registado até ao momento é “muito superior ao passado”.
João Martins sublinha ainda que a entrada em Itália reforça a estratégia de diversificação. “Aquilo que os clientes habituais reconhecem é um portfólio muito diversificado, que tem vindo cada vez mais a enriquecer a qualidade dos seus ativos”, afirma, destacando que o grupo opera “desde hotéis self-catering, hotéis all inclusive, hotéis de cidade com excelente localização e, agora, um hotel de montanha”.
Para o responsável, esta amplitude de oferta “provavelmente há poucos a conseguir oferecer ao mesmo nível”, afirma. “No mercado nacional, com uma oferta internacional tão diversificada, diria que dentro das redes portuguesas não existem. Somos os únicos que conseguem oferecer esta diversidade, a par de outras companhias internacionais”.
Experiência de montanha durante o ano inteiro
Com 80 quartos e suites, o ativo integra não apenas o hotel localizado no centro de Courmayeur, mas também o La Lodge du Massif, situado a 1.700 metros de altitude. Trata-se de “uma infraestrutura com um bar, um restaurante, um snack bar e uma área de cacifos e de lounge para receber os clientes”, explica João Martins.
Um dos elementos distintivos da operação é precisamente a ligação entre as duas estruturas durante a época de neve. O grupo disponibiliza um serviço diário de ski butler, assumindo o transporte dos equipamentos dos hóspedes entre o hotel e a montanha. “Somos o único operador em Courmayeur que, no período de inverno, tem um serviço de ski butler todos os dias”, afirma o responsável. Os equipamentos são transportados para cacifos individualizados associados a cada quarto, permitindo aos clientes aceder diretamente ao material quando chegam ao Lodge. “Na véspera da saída, transportamos esses equipamentos novamente para baixo”, acrescenta.
A oferta gastronómica é outro dos pilares da unidade. Além do restaurante Chétif, dedicado à cozinha regional e aos vinhos do Vale de Aosta, o hotel conta com o Il Gigante Bistrot e um lounge com propostas mais informais. Já no La Lodge du Massif, a aposta passa por criar uma experiência diferenciadora em altitude.
“No Lodge consegue-se encontrar o inesperado: chegar à montanha e ter uma boa oferta de marisco, de vinhos locais e de champanhe, e ter um ambiente de festa”, destaca João Martins. O conceito foi desenhado para responder ao perfil do cliente que frequenta Courmayeur durante o inverno, oferecendo uma experiência que o responsável descreve como “enriquecedora e exuberante”.
A componente de bem-estar completa a proposta do hotel, através de um spa em parceria com a Natura Bissé, que inclui tratamentos e massagens, sauna interior e exterior, banho turco, jacuzzi, circuito de águas e ginásio disponível 24 horas por dia.
Embora associada sobretudo ao ski, a região procura afirmar-se cada vez mais como destino de montanha durante todo o ano. Na primavera e no verão, a oferta passa por atividades como trekking no maciço do Mont Blanc, percursos de bicicleta de montanha, rafting e visitas ao Skyway Monte Bianco, teleférico panorâmico que proporciona vistas sobre os Alpes.
No hotel, a operacionalização destas experiências é reforçada por um serviço de concierge especializado. Segundo Paulo Garcia, o hotel mantém uma “parceria permanente” com a empresa What A Trail, responsável pela organização de atividades para hóspedes individuais e grupos, desde caminhadas e passeios de bicicleta no verão até experiências mais exclusivas no inverno, como voos de helicóptero combinados com ski.
A unidade assume ainda uma política pet friendly, permitindo a estadia de um cão por quarto, até 15 quilos, com algumas restrições aplicadas a raças consideradas potencialmente perigosas.
Apesar da forte dependência da época de neve, o Grupo Pestana pretende contribuir para reduzir a sazonalidade do destino. “Courmayeur é um destino sazonal, embora esteja nos nossos planos trabalhar para contrariar essa sazonalidade”, afirma João Martins. “Acrescentar mais meses de operação é um ganho de mais-valia para os hóspedes, para as equipas, para a operação e para a manutenção do standard de serviço”. Nesse sentido, o grupo está “comercialmente muito empenhado para conseguir viabilizar mais operação do que aquilo que existia”, acrescenta.
Consolidar antes de transformar
Recém-chegado ao mercado italiano, o Grupo Pestana não prevê, para já, intervenções no ativo. A prioridade passa por consolidar a operação e integrar a unidade na cultura e nos padrões do grupo.
“Acabámos de chegar. A roda já está inventada. É consolidar e somar o que já foi feito”, afirma João Martins. “Respeitamos tudo aquilo que está para trás. Tudo o que estava bem feito é para manter”. O facto de o grupo ser proprietário do hotel permite, contudo, uma atenção adicional ao imóvel. “Como somos donos do ativo, estimamos e vamos mimar o imóvel com outro carinho”, refere.
O foco imediato passa sobretudo pela consolidação dos serviços e pelo aprofundamento da ligação ao destino. “É conhecer a língua, conhecer melhor a comunidade, conhecer as pessoas”, acrescenta.
Segundo Paulo Garcia, a unidade encontrava-se já plenamente operacional no momento da aquisição, tendo sido efetuadas apenas algumas intervenções de modernização de equipamentos.
Crescimento sem pressão
A empresa garante que continua atenta a oportunidades que possam acrescentar valor ao portfólio. “O Grupo Pestana não descarta avaliar nenhuma oportunidade”, afirma João Martins. “Hoje as oportunidades podem surgir a qualquer momento, desde que sejam oportunidades que acrescentem valor à marca. O objetivo é crescer em qualquer destino”.
A estratégia mantém-se assente num crescimento seletivo e sem metas rígidas de expansão. “Não temos pressa de crescer. Não há uma pressão de querermos ter, até ao ano X, dois ou três hotéis por destino ou um determinado número de hotéis no total do portfólio”, explica.
Depois da entrada em Bruxelas e da abertura do Pestana Dunas Porto Santo este ano, os próximos passos já estão definidos. “Estamos a construir em Paris um hotel que temos a expectativa de abrir no próximo ano. Será um hotel com a marca CR7. À partida será esse o próximo hotel inaugurado, mas as coisas mudam e as oportunidades vão surgindo”, adianta João Martins.
Paralelamente, o grupo continua a desenvolver outros projetos na área da restauração. Entre eles está o Cotidiano em Amesterdão, que entra em soft opening esta sexta-feira, 19 de junho, marcando a internacionalização da insígnia lançada em Lisboa.
*A jornalista viajou para Courmayeur a convite do Pestana Hotel Group.












Parabéns pelo sucesso e oferta diversificada, irei ficar atenta a uma oportunidade no destino Courmayeur!
Bandeira portuguesa 😳 nao a vi!