Quinta-feira, Julho 18, 2024
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Porto e Norte quer acabar com “rótulos” e reforça apoio ao segmento LGBTI+

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Por Filipe Batista

A Agência Regional de Promoção Turística Porto e Norte escolheu a última edição do Festuris, em Gramado, no Brasil, para fazer uma exposição sobre a forma como esta região está comprometida em afirmar-se ainda mais como um destino LGBTI+.

A apresentação foi feita pela diretora executiva da agência, Susana Ribeiro, que perante uma assistência atenta, falou do que está feito e a ser desenvolvido, para que todos se sintam bem vindos ao norte do país.

A seguir à sessão de esclarecimento, que incluiu um momento de perguntas e respostas, Susana, em declarações exclusivas ao TNews, explica que ainda há um caminho a percorrer neste campo. “Este não é um caminho assim tão simples. O Porto vai-se preparando para segmentos de nicho de mercado, nos segmentos de leisure ou de MICE, porque há muito LGBT neste segmento que podemos aproveitar”, diz-nos.

Com efeito, a diretora executiva revela que há dois anos que o Porto e Norte tenta trazer para a Invicta, a convenção da International Gay & Lesbian Travel Association (IGLTA), a líder mundial de empresas de turismo que acolhem LGBTI+, para Portugal.

Sobre a realidade atual do turismo LGBTI+ no norte, Susana afirma que o Porto cidade “ainda vai tendo recursos humanos suficientes e mais liberdade de expressão, o resto já não acontece na restante região”. O caminho passa por alterar isto e criar condições para expandir este segmento a toda a região.

“A estratégia como região é, a partir da cidade do Porto, nós conseguirmos gerar fluxo para o turismo de Natureza, para o Enoturismo, para o saúde e bem-estar, que complementam muito bem a oferta urbana. Usamos a marca Porto como o grande chavão, mas o nosso objetivo é este”, defende Susana Ribeiro.

Esta meta torna tudo mais difícil. Pegando no mercado brasileiro como exemplo, a diretora analisa que uma grande parte do que viaja para esta região já vai aos locais LGBT. “Não é por aí e não queremos engrossar essa fileira. Nós queremos chamar a atenção e mostrar complementos ao Porto”, reforça.

Para isso é preciso qualificar uma fileira da oferta que não está muito habituada a receber este segmento. “Um dos temas que nós fizemos, quer com a Variações (associação LGBTI+ que apoia a iniciativa do Porto e Norte) e com a IGLTA é a capacitação das empresas. Pô-las a comunicar individualmente, melhor, para este segmento e pô-las a perceber melhor e fazer um combate às ideias pré-concebidas”. Esta capacitação estende-se a todos os agentes do turismo, com o objetivo de normalizar um segmento que ainda hoje se depara com muitas barreiras.

Turismo do norte com “números fantásticos”

Durante a conversa, Susana falou ainda dos números da sua região e diz com orgulho que “os números estão fantásticos. Nós estávamos em setembro como ranking dois, do país. Não nos esqueçamos que a região norte, em sete, era sempre ranking quatro. Andamos sempre a debatermo-nos com a Madeira”, conta.

Sem falar em valores, Susana diz que a sua região está com o crescimento acima dos dois dígitos e para isso contribuem as frequências no aeroporto Sá Carneiro, que “já recuperou para níveis de pré-pandemia.”
Nesta altura do ano os números já suplantaram os do ano passado e o mercado brasileiro está em crescimento. “Neste momento estamos com o Brasil em  terceiro lugar. Em primeiro e segundo estão Espanha e França. Estados Unidos passa muitas vezes o Brasil.”

Atualmente o perfil do turista do Porto continua a ser, na primeira viagem, o short-break. O enoturismo e o turismo de Natureza cresceram bastante nos últimos 10 anos entre as intenções de quem viaja para o norte, a par da gastronomia.

No que à distribuição de turistas diz respeito, as cidades de Porto e Vila Nova de Gaia “estão mais ou menos com 70%, vinte e poucos no minho e o restante, Douro e Trás-os-Montes com valor inferior. Mas também tem a ver com a capacidade hoteleira”, refere.

Sem rodeios, Susana acredita “nesta marca de Porto alargada, de Porto Natureza, vinho, para lá dos limites da circunvalação. Nas feiras, nas conversas que vou tendo com o trade, quase nunca me pedem só cidade”, conclui.   

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