Sábado, Novembro 26, 2022
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Portugal Film Commission diz que Portugal tem potencial “gigantesco” para o cinema e espera continuidade em 2023

“Vamos fazer tudo o que podermos enquanto cá estivermos. Espero que todos estes indícios sirvam para fundamentar a continuidade deste projeto, porque acredito que tem um gigantesco potencial”, afirmou Sandra Neves, diretora executiva da Portugal Film Commission. Este projeto foi criado em 2019, com o objetivo de promover o país como destino internacional de produção de filmagens, e foi prorrogado até ao final de 2022. Durante a conferência “Turismo e Cinema: Promoção dos Destinos Turísticos no Grande Ecrã”, que decorreu na Universidade Lusófona na passada quarta-feira, 21 de setembro, a responsável pela comissão constatou que “este mecanismo está a ser vítima do seu próprio sucesso”.

A moderadora da conversa, Carina Monteiro, recordou que a relação do turismo e do cinema é relativamente recente, porque em 2018 o governo assumiu o compromisso de apostar no cinema como um veículo de promoção do turismo e criou na altura um Fundo de Apoio ao Cinema e Turismo e, mais tarde, em 2019, a Portugal Film Commission. Este fundo já apoiou cerca de 130 projetos, com cerca de 46 milhões de euros, correspondendo a um investimento global em Portugal de 171 milhões de euros.

Quando questionada se este mecanismo financeiro foi determinante para o aumento de produções cinematográficas em Portugal, este ano, ou se há outras razões que expliquem este crescimento, Sandra Neves disse que “há um mix de razões, mas obviamente que a existência deste mecanismo, que é ‘clean’ e extremamente competitivo em termos europeus, foi a alavanca essencial para influenciar esta decisão”.

“A Portugal Film Commission foi criada em junho de 2019 e tem tido a seu cargo a promoção internacional do destino Portugal e deste mecanismo de apoio e eu acho que a conjugação de ambos tem funcionado bastante bem. Mas é óbvio que, por mais que internacionalmente se diga: ‘Nós temos sol, nós temos um bom sistema nacional de saúde, nós temos excelente alojamento, hotelaria e restauração’, é óbvio que a componente financeira nesta fase de arranque foi determinante”, constatou a diretora executiva da Portugal Film Commission.

A estrutura de missão da Portugal Film Commission tinha uma duração de três anos, de maio de 2019 até maio de 2022, mas o Governo aprovou, no final de julho, um prolongamento do mandato e uma alteração de competências.

O orçamento anual da comissão foi esgotado “por todo um conjunto de produções” e não apenas pelas grandes produções internacionais que foram filmadas este ano em Portugal, como o 10º filme da sequela Velocidade Furiosa que foi gravado na cidade de Lisboa, Vila Real e Viseu; e as filmagens que decorreram em Monsanto da nova série da HBO, House of Dragons.

“Este fundo foi criado – e não nos podemos esquecer disto – para apoio às produções nacionais, mas que tenham uma componente de internacionalização do destino Portugal relevante. Por isso, é normal que se queremos que o país cresça em termos internacionais, vão aparecer grandes produções e muitas vezes é através delas que conseguimos essa captação da internacionalização pretendida. Por isso, é obvio que se temos mais produções, se temos mais internacionalização, vamos ter projetos de valor mais elevado”, explicou a responsável do projeto, que constatou que “este mecanismo está a ser vítima do seu próprio sucesso, mas não é por termos tido produções internacionais, é porque tivemos um grande conjunto e uma grande diversidade de produções”.

Vantagens competitivas de Portugal

As vantagens competitivas de Portugal passam, não só pela qualidade dos locais de filmagens, mas por sermos um país pequeno que “tem de tudo”, segundo Sandra Neves. Quando é interpelada por algum produtor internacional que contacta a comissão, a responsável costuma dizer: “Diga-nos o que quer e acredito que em Portugal encontrará o que necessita”.

“Este mecanismo está a ser vítima do seu próprio sucesso, mas não é por termos tido produções internacionais, é porque tivemos um grande conjunto e uma grande diversidade de produções”.

“A verdade é que nós temos uma grande diversidade e podemos ir de norte a sul, de uma paisagem montanhosa a uma paisagem de praia em cinco ou seis horas. Temos aeroportos internacionais, temos as ilhas que são uma mais-valia e que têm uma paisagem completamente diferente, temos este clima fantástico, bom sistema de saúde, boas referências a nível de hotelaria e restauração e a criação deste mecanismo de apoio financeiro acho que foi mesmo a chave para este pacote que podemos oferecer. Temos elementos mais do que suficientes para sermos competitivos e, como eu costumo dizer, brincar no ‘playground’ dos grandes”, reforçou Sandra Neves. “Estes três anos da Portugal Film Commission têm-nos ensinado isso mesmo, nós neste momento já lá estamos, agora temos de consolidar, sedimentar, e temos de continuar a fazer este trabalho que tem sido desenvolvido ao longo deste período”, acrescentou.

A diretora executiva da Portugal Film Comission explicou que a comissão tem várias vertentes de ação, no âmbito das competências que lhe foram atribuídas, “nós fazemos a promoção internacional do Cash Rebate e do destino Portugal no seu todo e, quando digo destino Portugal, é de norte a sul, ilhas incluídas. Temos material de merchandising de informação e divulgação e tentamos estar presentes nos principais mercados que conseguimos”.

“A verdade é que nós temos uma grande diversidade e podemos ir de norte a sul, de uma paisagem montanhosa a uma paisagem de praia em cinco ou seis horas. Temos elementos mais do que suficientes para sermos competitivos e, como eu costumo dizer, brincar no ‘playground’ dos grandes”

O crescimento de Portugal na última década, em termos turísticos, facilitou a atração de produções internacionais para o nosso país, segundo a responsável. “Muitos dos ‘locations managers’ com quem reunimos conhecem Portugal, ou porque já cá tinham estado, ou porque viram alguma produção em que Portugal aparecia, por isso facilita a apresentação que nós estamos a fazer. São dois setores que andam de mãos dados e têm de continuar”, notou.

Sandra Neves contou que, no caso da série House of Dragon, os produtores começaram a analisar Portugal muito antes de saberem que vinham gravar no nosso país. “O contacto que eles fazem connosco, para já muitas vezes não divulgam para o que é que se destina, dizem-nos qual é o tipo de ‘locations’ que procuram, nós tentamos localizar vários espaços e muitas das vezes quando encontram algum local que vá ao encontro daquilo que pretendem, a verdade é que eles depois, por autonomia própria, ou contratando produtores executivos, acabam por direcionar para que local é que vão. Nós somos muitas vezes contactados nas fases iniciais mas depois perdemos um bocadinho o caminho quando já existem efetivas decisões”.

Portugal Film Commission: Facilitadora entre produções e os vários organismos

Outro dos papéis da Portugal Film Commission é ser facilitadora entre as produções e os vários organismos, o que, de acordo Sandra Neves, é “um processo muito complexo”. “Nós temos uma rede de pontos focais junto de várias entidades da administração, e portanto conseguimos ter um interlocutor diretor, o que muitas das vezes facilita quando algum produtor tem uma determinada dificuldade, nós conseguimos tentar ajudá-lo e encaminhá-lo pelos meios mais simples. [Relativamente às autarquias] começámos a fazer um levantamento para perceber o ponto de situação dos 308 municípios que temos, a auferir a sensibilidade que eles têm para o tema, perceber se têm algum tipo de sistema já automatizado quanto a estes pedidos de autorização, perceber em termos de regulamentos, de taxas. A primeira dificuldade foi obter respostas, neste momento já conseguimos passar as 250 respostas, o que é excelente, mas continuamos a ter, ainda assim, muitos a dizer ‘não temos, não sei, nem temos qualquer ligação a esse tipo de atividade’, aquilo que eu gostaria era de já ter este levantamento feito e de já estar a trabalhar com cada um deles para criarmos esta sensibilização, mas a verdade é que ainda estamos na fase do ‘queremos que colaborem connosco, queremos que façam'”, explicou.

A comissão também está a trabalhar em simultâneo com a AMA “para desmaterializar pedidos de filmagem. Mas de facto é um caminho complexo, longo, são entidades muito diferentes a nível de procedimentos, uns implementados, outros nem tanto, muitos deles já com formulários, outros ainda com o sistema do telefone e do e-mail. Isto torna as coisas muito mais complexas e depois há a necessidade de educar o próprio setor, porque muitas vezes os produtores nacionais têm já enraizados determinados procedimentos e há sempre alguma aversão à mudança”.

Impacto direto e indireto das grandes produções cinematográficas em Portugal

As rodagens da série da HBO House of Dragon, em Monsanto, tiveram um impacto direto imediato em todos os serviços de hotelaria e restauração daquela região, mencionou a responsável. “Tiveram a hotelaria esgotada, o que é um impacto direto e imediato. Houve cash flow a entrar naquela região, houve serviços, houve catering, e tudo isso é um impacto direto no turismo”.

O impacto indireto é “mais difícil de analisar”. “Eu acredito que a legião de fãs de House of Dragons vá ter curiosidade para investigar os locais onde a série foi gravada e se calhar terá curiosidade em conhecer o local. Agora, se depois Monsanto, que é um local pequeno, vai ter a capacidade de resposta se o afluxo turístico aumentar de uma forma relevante não sei, mas a verdade é que neste momento nós ainda não temos os dados suficientes que permitam fazer esse tipo de avaliação e perceber se é benéfico ou prejudicial, não é possível medir”, constatou Sandra Neves.

House of Dragons: “[Durante as filmagens, Monsanto] teve a hotelaria esgotada, o que é um impacto direto e imediato. Houve cash flow a entrar naquela região, houve serviços, houve catering, e tudo isso é um impacto direto no turismo”

Quando questionada se o projeto irá manter-se durante o próximo ano, a responsável disse que a única informação que tinha, de momento, era que a comissão tinha sido prorrogada até 31 de dezembro de 2022. “Acredito que haja uma intenção de continuidade, em termos de quando e como, ainda não tenho dados. Neste momento o que posso dizer é que até 31 de dezembro a Portugal Film Commission está operacional, está aqui para ajudar nacionais e internacionais em tudo o que seja necessário, nas suas mais diferentes valências: seja a nível de promoção, ‘locations’, processos de autorização de filmagem, contacto com os nossos interlocutores privilegiados junto das várias entidades, desenvolver com a AMA o serviço de filmar em Portugal, desenvolver a componente do ‘green shooting’ – lançámos um guia e estamos também a trabalhar com a Lusófona para tentar que essa componente da sustentabilidade seja também incorporada no setor do cinema e audiovisual – mas até 31 de dezembro estamos cá.”

“Vamos fazer tudo o que podermos enquanto cá estivermos. Espero que todos estes indícios sirvam para fundamentar a continuidade deste projeto, porque acredito que tem um gigantesco potencial”, concluiu a diretora da Portugal Film Commission.

Clique em baixo para assistir à conferência “Turismo e Cinema: A promoção de destinos turísticos no grande ecrã”:

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