Sexta-feira, Junho 14, 2024
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Setor do turismo “está a pagar melhor” de acordo com a secretária de Estado

A secretária de Estado do Turismo disse esta segunda-feira, 26 de setembro, que as empresas do setor, que enfrenta um problema de falta de mão-de-obra, estão a fazer “um esforço muito grande” e estão já a pagar melhores salários.

“Há uma aceleração muito elevada por parte das remunerações médias no setor do turismo, que nesta altura tem uma aceleração que é dupla face aos outros setores da atividade, ou seja, há aqui recuperação para tentarmos, de alguma forma, remunerar melhor no setor”, disse a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, em entrevista à agência Lusa, referindo-se a dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) que confirmam, disse, que o “setor está a pagar melhor”.

Segundo dados do INE, no trimestre terminado em junho de 2022, a remuneração bruta base dos trabalhadores do alojamento, restauração e similares era em média de 752 euros mensais, o que representava um aumento de 3,9% face ao mesmo período do ano anterior. Já a remuneração bruta total destes trabalhadores, naquele período, era segundo o INE de 907 euros, mais 7% do que no segundo trimestre de 2021.

Relativamente aos acordos de mobilidade assinados com seis dos oito países (além de Portugal) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), para facilitar a vinda de trabalhadores para o setor turístico, Rita Marques adiantou que há uma deslocação a Cabo Verde agendada para entre 20 e 22 de outubro, que será o “primeiro passo” para incentivar essas contratações.

“Esperamos que, na sequência dessa visita de trabalho, dessa missão empresarial, possamos trazer alguns trabalhadores connosco”, afirmou a secretária de Estado. Além da CPLP, o turismo português está também a trabalhar com outros 10 países, como por exemplo Marrocos, Índia ou Indonésia, que, segundo a governante, “mostraram mais disponibilidade para, de alguma forma, replicar estes acordos de mobilidade”.

“Trata-se de processos morosos, complexos também porque, enfim, estamos a envolver aqui uma comunidade intensa de países, mas estou confiante de que, muito em breve, teremos bons resultados”, realçou a secretária de Estado.

O setor do turismo empregava cerca de 400.000 pessoas em 2018, mas perdeu mais de 100.000, devido à pandemia, tendo atualmente em falta entre 45.000 a 50.000 trabalhadores. “Muitos fugiram do setor do turismo, porque é sempre muito difícil conciliar esta atividade e vida pessoal com a vida profissional e, portanto, enfim, outros valores mais altos provavelmente se levantaram [depois da pandemia] e muitos destes profissionais acabaram por ser assediados por outros setores, designadamente pela logística, pela indústria”, apontou.

Para Rita Marques, a solução passa também por valorizar estes profissionais, “ajudando” as empresas “a poder pagar melhor, para garantir que estes trabalhadores possam se sentir devidamente remunerados, nutridos, acarinhados” pelo setor.

Inflação e diminuição do poder de compra

Questionada sobre as consequências que o contexto atual de inflação alta e diminuição do poder de compra poderá ter no setor, a secretária de Estado admitiu que as viagens são muitas vezes preteridas face a outras despesas consideradas mais prioritárias, mas destacou que Portugal, que já “não é um destino barato”, tem uma “oferta muito competitiva”.

A secretária de Estado descartou também o risco de se voltar a ser um destino turístico de baixo custo, devido à crise. “Neste momento, Portugal é visto com uma marca muito forte, também a nível turístico, de qualidade extraordinariamente elevada e, portanto, com uma capacidade de resposta de excelência. […] Esse caminho tem vindo a ser feito, no sentido de prestarmos serviços com maior qualidade e naturalmente cobrando mais”, apontou.

Rita Marques referiu que, atualmente, em média, cada turista gasta cerca de 1.035 euros em Portugal, o que faz com que o país compare “muito positivamente” com outros países, como a Itália, Espanha, ou Grécia.

“Manter-nos-emos atentos, tentando estimular os mercados – e aqui uma particular atenção não só aos três mercados emissores mais importantes – a Espanha, Alemanha e o Reino Unido –, mas a outros que possam também ajudar-nos a trazer mais turistas para Portugal”, garantiu.

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