Sexta-feira, Agosto 12, 2022
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Portugal lidera recuperação do volume de passageiros pré-covid. SkyExpert analisa resultados dos aeroportos nacionais

“Na aviação, é normal estarmos um mês atrasados para podermos consolidar dados e avaliar com segurança ”, afirmou Pedro Castro, diretor da SkyExpert, relativamente aos dados recolhido pela empresa Air Service One sobre o tráfego aéreo no mês de junho 2022. No seu “Anker Report”, a Air Service One dá conta da liderança de Portugal na recuperação do volume de passageiros pré-covid. Analisando o mês de junho de 2022, os aeroportos portugueses foram, em toda a Europa, os que mais se aproximaram de junho de 2019.

“Mas será que a recuperação foi toda igual nos vários aeroportos nacionais? Que companhias terão contribuído para estes resultados?”, questionou Pedro Castro.

O aeroporto do Funchal foi o que teve o maior crescimento em termos percentuais (28%). “É uma consequência direta da abertura da base da Ryanair no Funchal, ou seja, não só a Ryanair não operava nenhum voo para a Madeira em 2019, como hoje tem uma base com várias rotas domésticas e internacionais e isso explica essa diferença”, comentou o diretor da SkyExpert.

O segundo maior crescimento também se verifica nas ilhas, desta vez em Ponta Delgada com mais 3%. “Os Açores foram durante toda a pandemia um caso de sucesso, seja pelo aumento da procura de turismo por parte dos continentais, seja pela Tarifa Açores que estimulou as deslocações intra-ilhas. O aumento claro que agora se vê está relacionado com uma série de novos voos internacionais da Azores Airlines (Barcelona, Bermuda, Paris, Nova Iorque) e de outras companhias, das quais se destaca o voo diário da United Airlines entre Newark e Ponta Delgada que também não existia em 2019, ou seja, só esse voo representa um movimento de 300 passageiros a mais por dia, mais 9 mil passageiros por mês num aeroporto que movimenta
cerca de 160 mil passageiros por mês”, explicou.

O aeroporto do Porto teve um crescimento de 2%, de 2019 para 2022, de acordo com o Anker Report. “Para um aeroporto desta dimensão, crescer 2% significa ter algo como mais 25 mil passageiros do que em 2019”. Para Pedro Castro, a razão deste crescimento encontra-se no abandono da TAP de quase todas as rotas europeias do Porto. “Hoje são apenas 5, quando em 2019 eram 12 – a este abandono o mercado responde logo e não apenas as companhias low cost. Lufthansa, British Airways, SWISS, Air France, KLM, Iberia e Turkish aumentaram as suas frequências para o Porto, sinal de que este é um aeroporto muito rentável para se operar”. Como resultado, o número de passageiros TAP no Porto decresceu mais de 30% em junho de 2022 comparando com 2019. “Ou seja, totalmente em contraciclo”, rematou Pedro Castro.

Paralelamente, o aeroporto de Faro decresceu 8%. Sendo este aeroporto usado quase exclusivamente por turistas e reportando-se às taxas de ocupação da hotelaria fornecidas pela AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Pedro Castro destacou a não recuperação das taxas de ocupação pré-covid e a preponderância do mercado nacional que, “na sua esmagadora maioria, não se desloca de avião para o Algarve”. Assim sendo, “a recuperação do volume do aeroporto de Faro está intimamente ligada à própria recuperação do destino junto dos mercados internacionais tradicionais, como o inglês, alemão e holandês. Ou, em alternativa, a criação de rotas para novos mercados que possam compensar algum declínio que já era sentido antes da pandemia”, concluiu.

A pior queda em números absolutos vem mesmo do aeroporto de Lisboa, com menos 7%, que corresponde praticamente aos 145 mil passageiros que a TAP perdeu neste aeroporto nesse mês comparando com 2019, de acordo com o diretor. “Pelo peso de Lisboa, esta queda na Portela não é compensada pela subida dos outros aeroportos, mas claramente podemos fazer caminho nesse sentido”. Para Pedro Castro, as verdadeiras causas
deste declínio da capital não estão a ser debatidas porque “estão todos muito mais preocupados em discutir o novo aeroporto para 2030 do que falar sobre o que se passa agora”.

“Injetou-se 3.2 mil milhões de euros numa companhia baseada em Lisboa, que não abdicou de nenhum slot até agora e o resultado é este?”, questionou. “Não só a TAP impede outras companhias de crescerem pelo açambarcamento que faz dos slots, como é a companhia responsável pelo decréscimo de passageiros em Lisboa. Com os novos voos da easyJet em novembro, será percetível como e onde se pode obter crescimento em Lisboa”, finalizou Pedro Castro.

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