O cenário previsto para 2024 no mercado europeu de investimento imobiliário é caracterizado como “um ano desafiante”, segundo a análise da Colliers. A empresa aponta para uma provável diminuição das expectativas de preços entre compradores e vendedores, impulsionada por previsões de taxas de juro mais elevadas, uma medida destinada a conter a inflação. A nível europeu, observa-se um crescente interesse dos investidores em dois segmentos opostos: o luxo e o económico.
“Com a previsão de taxas de juro mais elevadas durante mais tempo, para combater a inflação, as expectativas de investimento imobiliário estão a abrandar. Se surgirem maiores certezas, aliadas a um abrandamento das avaliações subjacentes, isso conduzirá a um maior volume de transações no próximo ano. Os investidores mais bem posicionados serão aqueles que estiverem preparados para tirar partido das oportunidades”, afirmou Luke Dawson, Diretor dos Mercados de Capitais Globais e da EMEA.
O relatório Global Investor Outlook, publicado na quarta-feira pela Colliers, destaca que os investidores imobiliários procuram “carteiras cada vez mais diversificadas” e que os critérios ESG “estão a tornar-se mais relevantes” na tomada de decisões de investimento. De tal forma que 25% dos investidores inquiridos implementaram estratégias de venda e aquisição baseadas em ESG, contra 10% há dois anos.
Para 2024, antecipa-se uma redução das discrepâncias nas expectativas de preços entre compradores e vendedores, promovendo uma recuperação no investimento imobiliário. Seis cidades europeias – Londres, Paris, Berlim, Munique, Madrid e Amesterdão – despontam como as preferidas para investimentos neste setor.
A Colliers destaca que, no âmbito imobiliário, incluindo a hotelaria, continuam a surgir “bolsas de oportunidades”. As empresas, em resposta às dificuldades, estão a libertar capital através de operações de Sale & Lease Back, enquanto os fundos imobiliários enfrentam as pressões dos seus ciclos de investimento.
Luke Dawson observa que a recuperação do mercado imobiliário “será desigual, com disparidades entre os mercados globais”. Os setores industrial e logístico (I&L), multifamiliar e de escritórios permanecerão como escolhas principais para o próximo ano. Na hotelaria e no retalho, observam-se padrões semelhantes, com os segmentos ‘acessíveis’ a ganharem peso, enquanto o segmento de luxo cresce globalmente, impulsionado por uma procura crescente em várias áreas, incluindo residencial, hoteleira e retalhista. O mercado médio, por sua vez, enfrenta desafios para atrair investidores, a menos que apresente significativos descontos.



