Segunda-feira, Março 9, 2026
Segunda-feira, Março 9, 2026

SIGA-NOS:

Procura por viagens de longo curso abranda em 2026, mas Europa mantém atratividade

Os viajantes de longa curso entraram em 2026 com maior cautela. Custos elevados, tempo limitado para férias e uma crescente preferência por viagens mais próximas estão a moldar as intenções para este ano. Ainda assim, o interesse em visitar a Europa “continua sólido”, beneficiando sobretudo da forte perceção de segurança.

Estas são algumas das principais conclusões do novo “Barómetro de Viagens de Longa Distância”, divulgado esta segunda-feira, 9 de fevereiro, pela European Travel Commission (ETC) em parceria com a Eurail, que analisa as intenções, preferências e obstáculos às viagens em sete mercados estratégicos para a Europa: Austrália, Brasil, Canadá, China, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.

De acordo com o estudo, 59% dos inquiridos planeiam realizar uma viagem de longa distância em 2026, entre janeiro e dezembro, o que representa uma “queda significativa de 5%” face ao ano anterior. Apesar de as variações por mercado serem relativamente moderadas, a tendência global aponta para uma “crescente sensibilidade aos custos, ao valor e às restrições de tempo quando se planeiam viagens com mais antecedência”.

Europa mantém interesse, mas com diferenças entre mercados

De acordo com a ETC, “o interesse em visitar a Europa continua sólido”, com 42% dos viajantes de longo curso a considerarem uma viagem à região em 2026, ainda que com uma ligeira descida de 3% em comparação com o ano passado.

A China (59%) e o Brasil (54%) lideram o interesse pela Europa. No mercado chinês, a procura mantém-se elevada, apesar de um ligeiro abrandamento, com os viajantes a privilegiarem cada vez mais itinerários personalizados e experiências diferenciadoras. Já no Brasil, embora o entusiasmo continue, os custos mais elevados estão a levar alguns viajantes a optar por viagens domésticas ou de curta distância, apesar de Portugal se manter como um dos destinos preferidos.

Em contraciclo, vários mercados demonstram uma maior inclinação para viagens mais próximas e acessíveis. A Austrália regista a quebra mais acentuada, com 47% (-7%), refletindo um desvio das viagens de longa distância para destinos asiáticos mais próximos. No Canadá, o interesse pela Europa recua ligeiramente para 45%, influenciado pela forte procura interna e por destinos de clima quente. Nos Estados Unidos, as intenções caem para 34%, penalizadas pela incerteza económica e receios de recessão.

A Coreia do Sul apresenta uma recuperação modesta (34%), embora com maior taxa de desistência das viagens de longa distância, enquanto o Japão continua a ser o mercado menos recetivo, com apenas 20% a considerar uma viagem à Europa em 2026.

Custos, tempo e contexto global condicionam decisões

Entre os viajantes que não planeiam viagens internacionais, os custos elevados surgem como o principal fator dissuasor (52%), seguidos pela crescente preferência por viagens domésticas. A acessibilidade financeira continua a ser a principal barreira para viajar para a Europa (43%), sobretudo entre os viajantes mais jovens, dos 18 aos 34 anos.

O tempo limitado de férias é particularmente penalizador na Coreia do Sul e no Japão, enquanto os viajantes chineses revelam uma maior sensibilidade às tensões geopolíticas, comparativamente a outros mercados emissores.

Segurança reforça competitividade da Europa

A segurança afirma-se como o principal critério na escolha de um destino europeu, referida por 51% dos inquiridos, registando um “aumento significativo face ao ano anterior”. A Europa lidera a perceção global em todas as dimensões de segurança analisadas, incluindo estabilidade política, segurança pessoal e riscos naturais, com destaque para o mercado chinês, onde esta imagem é “particularmente forte”.

Segundo a ETC, estes dados reforçam a posição da Europa “como um destino fiável e seguro num ambiente global incerto”.

Planeamento mais flexível e foco na experiência

O estudo revela também uma maior incerteza no comportamento de reserva. Apenas 36% dos viajantes já reservaram a sua viagem à Europa, uma descida face a 2025, com quebras mais expressivas na China e na Coreia do Sul.

A procura por pacotes de viagem completos continua a diminuir, enquanto cresce o interesse por pacotes parciais, impulsionado sobretudo pelos viajantes chineses. Nos EUA, Canadá e Austrália, predominam as reservas separadas, refletindo um planeamento mais independente.

O lazer mantém-se como a “principal motivação para viajar para a Europa” (75%), mas as viagens de negócios ganham peso, atingindo 9% (+3%), com maior expressão na Austrália e na Coreia do Sul. Cultura e história lideram as atividades planeadas, seguidas pela gastronomia, escapadelas urbanas e natureza, enquanto o turismo slow está a ganhar força, passando de 22% em 2025 para 26% em 2026.

Ao nível da despesa, alimentação e bebidas continuam a representar a maior fatia do orçamento, enquanto o interesse pelas compras recua. “Isto deve-se principalmente à China, onde a intenção de compra caiu de 66% para 51%”, explica a ETC. O bem-estar, embora ainda um nicho, regista um crescimento de 3%, novamente liderado pelo mercado chinês (25%).

Europa como destino de confiança

Citado no comunicado, Miguel Sanz, presidente da European Travel Commission, sublinha que, apesar da maior cautela, a Europa mantém vantagens claras. “À medida que os viajantes planeiam com mais antecedência para 2026, observamos uma abordagem mais cautelosa em relação às viagens de longa distância. Neste contexto, a forte percepção de segurança da Europa, as infraestruturas de qualidade e a vasta gama de experiências culturais e em contacto com a natureza continuam a ser pontos fortes evidentes”, afirma.

Segundo o responsável, a Europa “continua a destacar-se como um destino de confiança”, mas é essencial reforçar uma narrativa clara e diferenciadora. “Com a evolução das preferências, é mais importante do que nunca que a Europa reforce a sua marca e posicionamento global em torno de viagens focadas na experiência, atraindo viajantes que ficam mais tempo, viajam de forma responsável e gastam localmente”.

-PUB-spot_img

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui