O setor hoteleiro alcançou marcos históricos em 2023, registando recordes de ADR e RevPAR e aumentando a rentabilidade em 16,5%, conforme indicado pelo barómetro conjunto da STR e da Cushman & Wakefield. As perspetivas para este ano são favoráveis, mas María Zarraluqui, Vice-Presidente Global de Desenvolvimento da Meliá Hotels International, e Javier Coll, Presidente do Grupo Hyatt Hotels Inclusive Collection, identificam desafios a curto e médio prazo, conforme discutido no II Updating Hotelero Hosteltur, realizado esta quinta-feira.
“Estamos acima dos preços médios de 2019, mantendo ocupações semelhantes”, comentou Zarraluqui, acrescentando que “a COVID foi um paradigma, mas desde então temos tido outras situações que confirmam que vivemos num mundo convulsivo e que a velocidade e a capacidade de gerir de forma ágil se tornarão uma necessidade real”.
“A tendência segue o que já observámos em 2019 e, economicamente, registámos um crescimento recorde em todos os destinos, embora com um início mais tardio na Ásia, mas já está a ganhar ritmo”, afirmou Javier Coll.
Apesar dos resultados encorajadores, Coll aponta “a escassez de pessoal qualificado” como um dos desafios do ano, e Zarraluqui concorda que “a gestão de talentos é difícil, desde atrair até reter profissionais”.
“O aumento dos custos generalizados (energia, alimentação, pessoal) é outro desafio, porque as margens estão a diminuir”, destaca o Presidente do Grupo Hyatt Hotels Inclusive Collection. A Hyatt recorreu à tecnologia como parte da solução: “Investimos em Inteligência Artificial para muitos processos, tanto no front end como no back end, o que nos ajuda a ser mais eficientes e a conseguir lidar com os desafios acima mencionados”.
O diretor da Meliá Hotels International concorda que “em 2024, a gestão das margens será crucial”. “A questão exige atenção e reforça a necessidade de tecnologia e digitalização, não só para vendas, mas também para otimização de recursos”, acrescenta.
Zarraluqui salienta que “a necessidade de recursos ambientais” será um tema central este ano. “As alterações climáticas estão a causar impactos significativos; um exemplo específico é o da Catalunha, onde enfrentamos desafios para o abastecimento de água das piscinas e a irrigação dos jardins nos nossos hotéis. Esta é uma realidade que precisamos enfrentar de frente.”
“Devemos encarar seriamente o desafio da sustentabilidade, não apenas devido às regulamentações, mas também pela necessidade de usar os recursos de forma eficiente, tanto do ponto de vista ambiental quanto económico, pois tudo isso afeta diretamente os nossos resultados financeiros”, observa.
“É essencial mantermos um olhar vigilante sobre a volatilidade dos mercados”, afirma Zarraluqui, defendendo que os riscos macroeconómicos, financeiros e geopolíticos exigem estratégias mais flexíveis e menos orientadas para o longo prazo. “Podemos ter um plano definido, mas devemos incorporar uma análise contínua que nos permita ser ágeis e adaptáveis na tomada de decisões.”
Os desafios não se limitam a estes. Javier Coll explica que “a questão das taxas de juro impacta-nos de várias maneiras”, pois influencia os custos para promotores na construção de novos projetos e aumenta os encargos para hotéis existentes nos seus empréstimos, o que dificulta o crescimento geral do setor.
Além disso, há a preocupação com “a concorrência desleal, uma realidade global. A falta de regulamentação ou a sua eficácia limitada afetam diretamente os hoteleiros. Não nos opomos à concorrência justa, mas ficamos preocupados quando existem desigualdades”, conclui.



