A Ryanair registou um lucro líquido de 2,15 mil milhões de euros no primeiro semestre do exercício fiscal de 2027, terminado a 30 de setembro de 2026, uma queda de 15% face aos 2,54 mil milhões de euros alcançados no período homólogo. A companhia aérea atribui esta redução à “subida dos preços do combustível não coberto por contratos de proteção (hedging)” e à diminuição de 4% das tarifas médias, apesar de o número de passageiros transportados ter aumentado 6%.
De acordo com os resultados divulgados esta segunda-feira, 2 de novembro, a transportadora irlandesa movimentou 125,8 milhões de passageiros entre abril e setembro, mais 6% do que no mesmo período do ano anterior. A taxa de ocupação manteve-se nos 95%, enquanto a tarifa média recuou de 58 para 55,70 euros.
As receitas totais aumentaram 3%, para 10,08 mil milhões de euros, enquanto os custos operacionais cresceram 10%, atingindo 7,69 mil milhões de euros.
“As receitas do primeiro semestre aumentaram 3%, para 10,08 mil milhões de euros. As receitas de bilhetes cresceram 1%, para 7 mil milhões de euros, uma vez que o tráfego aumentou 6%, mas com tarifas 4% mais baixas”, afirmou Michael O’Leary, CEO da Ryanair, citado no comunicado.
O responsável explicou que a redução das tarifas esteve relacionada com o calendário da Páscoa e com a evolução da procura. “As tarifas do primeiro semestre diminuíram (abril não incluiu a totalidade do período da Páscoa), uma vez que o conflito no Médio Oriente levou os consumidores a mostrarem hesitação e a efetuarem reservas mais tardias”, referiu.
Por outro lado, as receitas provenientes de serviços adicionais aumentaram 6%, para 3,08 mil milhões de euros.
Quanto aos custos operacionais, Michael O’Leary explicou que o aumento de 10% resultou, em parte, da duplicação do preço do combustível de aviação correspondente aos 20% das necessidades da companhia que não estavam cobertos por contratos de proteção. A transportadora deixou também de beneficiar de compensações de fornecedores após a entrega da última aeronave Boeing 737-8200, na primavera de 2026.
A Ryanair tem atualmente cerca de 80% das suas necessidades de combustível para o exercício fiscal de 2027 cobertas a um preço aproximado de 67 dólares por barril (cerca de 60 euros). Para o exercício seguinte, a companhia aumentou a cobertura para 25%, a cerca de 95 dólares por barril (cerca de 85 euros).
Ryanair reduz previsão de passageiros para 214 milhões
A Ryanair reviu em baixa a previsão de tráfego para o exercício fiscal de 2027, de 216 milhões para 214 milhões de passageiros, uma decisão anunciada em setembro e que a companhia associa à necessidade de reduzir a exposição à volatilidade dos preços do combustível.
“Este corte na programação significa que o tráfego de inverno (novembro a março) ficará, em termos gerais, estável face ao ano anterior”, afirmou Michael O’Leary.
Para o próximo exercício fiscal, a transportadora prevê ultrapassar os 220 milhões de passageiros, o que representará um crescimento de aproximadamente 3%.
A companhia espera receber os primeiros 16 Boeing 737 MAX-10 na primavera de 2027, a tempo da temporada de verão, estando a aguardar a certificação da aeronave pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA).
A Ryanair tem atualmente à venda 126 novas rotas e uma nova base em Rimini, Itália, para o verão de 2027.
Segundo Michael O’Leary, a transportadora continuará a direcionar a sua capacidade para mercados que reduzam os impostos sobre a aviação e as taxas aeroportuárias, identificando a Albânia, Itália, Marrocos, Eslováquia e Suécia como exemplos.
Em contrapartida, a companhia pretende transferir voos e passageiros de mercados que considera apresentar custos mais elevados, nomeadamente a Áustria, Alemanha e algumas regiões de Espanha.
“Continuamos a atribuir esta capacidade limitada aos países, regiões e aeroportos que estão a reduzir os impostos sobre a aviação e a baixar as taxas para incentivar o crescimento”, afirmou o CEO da Ryanair.
Companhia mantém perspetivas de crescimento, mas não apresenta previsão de lucros
Para o conjunto do exercício fiscal de 2027, a Ryanair mantém a previsão de transportar 214 milhões de passageiros, mais 3% do que no ano anterior.
A companhia considera que a cobertura de 80% das suas necessidades de combustível até março de 2027 permitirá limitar o impacto da volatilidade dos preços do petróleo nos resultados anuais.
No entanto, Michael O’Leary alertou que os custos finais por unidade dependerão do preço do combustível não coberto por contratos de proteção (hedging) durante o segundo semestre.
“Embora a procura no terceiro trimestre seja forte, com as tarifas a apresentarem uma tendência ligeiramente superior à do mesmo trimestre do ano passado, o período de antecedência das reservas continua a ser mais curto, o que reduz a visibilidade”, explicou.
Segundo o responsável, o desempenho das tarifas no terceiro trimestre dependerá, em grande medida, das reservas de última hora para as férias escolares de outubro e novembro e para o período do Natal.
“Como é habitual nesta altura do ano, não temos qualquer visibilidade sobre o quarto trimestre. Por isso, ainda é demasiado cedo para apresentar uma previsão significativa dos lucros para o exercício fiscal de 2027”, acrescentou.
A companhia sublinha ainda que os resultados anuais permanecem dependentes de fatores externos, incluindo uma eventual escalada dos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, a evolução dos preços do combustível, choques macroeconómicos e perturbações no controlo de tráfego aéreo europeu.




