O setor da hotelaria em Portugal deverá manter um percurso de crescimento em 2026, sustentado pela “diferenciação da oferta, pela sofisticação crescente das estruturas” e pela valorização contínua da experiência do cliente. A conclusão é da mais recente análise da Michael Page, especializada em recrutamento, que traça um retrato das tendências de emprego, funções mais procuradas e níveis de remuneração no setor.
De acordo com o estudo, a experiência do cliente continua a assumir um papel central nas estratégias das empresas, em particular no segmento de Food & Beverage (F&B), onde a criação de novos conceitos tem como objetivo atrair hóspedes e público externo, “maximizando as receitas e a rentabilização dos espaços”.
Área operacional continua no centro do recrutamento
A análise da Michael Page indica que a área operacional permanece no foco dos processos de recrutamento, com uma procura significativa por perfis como diretor de hotel, assistente de direção, direção de F&B, revenue manager e governanta. Para responder a estas necessidades, as organizações têm vindo a reforçar o investimento em formação interna, valorização salarial e planos de progressão, fatores considerados determinantes para a retenção de talento e para a excelência da execução operacional.
Paralelamente, funções estratégicas associadas a Marketing, IT, Revenue Management e Expansão ganham relevância, refletindo o aumento da complexidade das operações e a profissionalização do setor.
Segundo o estudo, a transformação digital e a adoção de ferramentas de análise de dados estão a reforçar a procura por profissionais com “competências analíticas, visão estratégica e capacidade de interpretação de indicadores operacionais e financeiros”. Estes perfis são considerados essenciais para “otimizar recursos, maximizar resultados e apoiar a tomada de decisão informada”.
Os candidatos valorizam, por sua vez, modelos de trabalho flexíveis, perspetivas de progressão e cultura organizacional, enquanto as organizações que melhor conjugam gestão baseada em dados, inovação na experiência do cliente e excelência operacional se destacam na atração e retenção de profissionais qualificados.
Salários sobem e ganham peso na decisão dos profissionais
O relatório revela ainda que 38% dos profissionais do setor considera o salário e os incentivos o principal fator na decisão de aceitar um novo desafio, num contexto em que 45% afirma estar ativamente à procura de novas oportunidades.
Em termos remuneratórios, os valores variam consoante a função e a localização. Em Lisboa, um diretor de operações pode auferir entre 77 mil e 140 mil euros brutos anuais, enquanto um diretor de hotel pode alcançar até 105 mil euros. No Porto, os valores máximos situam-se nos 95 mil euros para diretor de operações e 88 mil euros para diretor de hotel. Na área de cozinha, a função de chef pode atingir remunerações anuais até 98 mil euros em Lisboa e 88 mil euros no Porto.
Os valores apresentados dizem respeito à remuneração anual bruta fixa, excluindo componentes variáveis como bónus.

Além do salário, as empresas do setor estão a reforçar a oferta de benefícios, como subsídio de alimentação, dias de descanso consecutivos, turnos fixos, fins de semana como período regular de descanso e seguro de saúde.
A Michael Page sublinha que o setor atravessa uma “fase de transformação estratégica e competitiva, em que a sustentabilidade e o crescimento futuro dependem da capacidade de integrar tecnologia, análise de dados e práticas de gestão eficientes”, garantindo, simultaneamente, “experiências memoráveis para os clientes e resultados sólidos para as organizações”.




