O grupo madeirense Savoy Signature ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos 100 milhões de euros de faturação em 2025, devendo fechar o ano na ordem dos 120 milhões de euros. O anúncio foi feito esta quarta-feira, 25 de fevereiro, pelo CEO Roberto Santa Clara, à margem da BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market.
“Superámos pela primeira vez a barreira dos 100 milhões de euros de faturação, algo que ambicionávamos há muito. Andaremos na ordem dos 120 milhões de euros. Para uma marca regional, é um enorme motivo de satisfação para a equipa e para quem diariamente trabalha nos nossos hotéis”, afirmou o responsável.
Apesar de o exercício ainda estar em fase de fecho de contas, o CEO destacou que os resultados consolidam a estratégia de valorização do produto e de aposta numa hospitalidade de luxo assente na autenticidade do destino e na diferenciação do portefólio.
Em 2025, o grupo registou um crescimento de 12% no ADR e de 14% no RevPAR. As receitas de alojamento, que representam a principal fatia do negócio, aumentaram igualmente 14%.
“Esta cifra é importante e é um motivo de orgulho, mas acima de tudo é um motivo de enorme responsabilidade”, sublinhou Roberto Santa Clara, alertando para um contexto mais exigente. “É um ano em que não pode haver erro de estratégia nem erro na implementação. Tem de haver muito foco nas pessoas, nos custos e naturalmente nas receitas.”
Gardens fecha para obras em outubro
Entre as novidades anunciadas, destaca-se a remodelação profunda do Hotel Gardens, no Funchal. A unidade vai encerrar em outubro de 2026 para iniciar uma intervenção significativa, mantendo-se como hotel de quatro estrelas, mas com um novo posicionamento.
“Sentimos claramente que era o momento certo de dar um passo em frente. Se olharmos para o Next, para o Palace ou para o Saccharum, acreditávamos que estávamos num patamar à frente. Agora vamos investir de forma significativa no Gardens para corresponder ao mercado”, explicou.
Para já, o grupo não prevê a abertura de novos hotéis. “Continuamos ativamente à procura, mas seria precipitado anunciar algo que não está consubstanciado. Mantemos a intenção de expansão para o continente, e quando houver novidades, diremos.”
Mercados estratégicos e aposta nos EUA
Reino Unido, Alemanha, Portugal e Estados Unidos continuam a ser os principais mercados para o grupo. Em algumas unidades, como o Savoy Palace ou o conceito The Reserve, o mercado norte-americano já ocupa a segunda posição.
Roberto Santa Clara defendeu que a Madeira deve afirmar-se estrategicamente nos segmentos que quer captar. “Não acreditamos que haja turismo a mais na Madeira. O que temos é um momento em que precisamos perceber que segmentos queremos valorizar, mantendo os pilares diferenciadores do destino: natureza, mar e qualidade.”
O responsável destacou ainda a importância da formação e da aposta em mercados como os Estados Unidos e o Canadá, sobretudo pela capacidade de gerar estadias mais longas e equilibrar a sazonalidade.
Apesar de reconhecer sinais de maior exigência no contexto internacional, o CEO mostrou-se confiante para 2026. “A Madeira iniciou este ciclo positivo um pouco mais tarde do que outros destinos nacionais, o que nos dá ainda algum otimismo. Temos um início de ano que nos gera confiança, mas com muito foco.”
Para o líder da Savoy Signature, o marco alcançado em 2025 não é apenas simbólico: é também a confirmação de que o investimento contínuo na valorização do produto tem sido reconhecido pelo mercado. “É também uma prova de que aquilo que o acionista tem feito na valorização do produto foi recebido e valorizado numa fase positiva do mercado.”



