Segunda-feira, Março 9, 2026
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“Se quisermos reter as pessoas em Portugal temos de lhes dar melhores condições de vida”

O presidente da Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, afirmou na passada quarta-feira, dia 23, numa conferência de imprensa sobre o balanço da atividade do grupo, que o grupo Vila Galé tem tido uma enorme dificuldade no recrutamento de pessoal.

Jorge Rebelo de Almeida não acredita que a solução para a falta de mão-de-obra seja ir buscar colaboradores ao estrangeiro. “Eu continuo a achar que estamos em Portugal, isto sem chauvinismo ou misoginia nenhuma, e por isso, temos de dar prioridade aos portugueses, até para caracterizar o nosso produto turístico. Se eu tiver este hotel cheio de estrangeiros (Vila Galé Estoril), passa uma imagem multicultural e internacional, mas por outro lado perdemos a autenticidade portuguesa, que tem características extremamente importantes”, defende o presidente do grupo.

A primeira prioridade para lidar com este problema é aliciar jovens à procura do primeiro emprego, refere Jorge Rebelo de Almeida, salientando que a atração de jovens é a grande campanha que têm implementada neste momento, de norte a sul do país, especialmente em escolas de hotelaria.

“Um hotel pode ser maravilhoso, mas se o pessoal não funcionar bem o hotel não vale nada. É tão, ou mais importante a componente das pessoas, numa atividade sobretudo como a nossa, e por isso é fundamental cativar pessoas”, afirma.

O presidente do grupo defende que a Vila Galé tem tido, desde sempre, uma grande preocupação com os seus colaboradores, começando pelos refeitórios. O Vila Galé Estoril tem o restaurante Inevitável para os hóspedes, por isso decidiram transformar o refeitório do staff no Inevitável Staff Lounge, onde não há diferenciação entre a comida dos clientes e dos colaboradores.

Além dos refeitórios, Jorge Rebelo de Almeida refere que, desde o primeiro hotel, sempre deu importância à qualidade dos vestiários e balneários do staff, porque considera que é importante que “as pessoas se sintam bem e felizes”.

São pioneiros no seguro de saúde nesta área, em Portugal. Em 2019, em plena crise, lançaram um seguro de saúde para o staff, “que é uma grande vantagem para o pessoal”. O seguro de saúde só cobria o colaborador mas mais tarde foi, também, estendido a outros membros da família.

Considera, também, importante pensar em carreiras. O presidente do grupo revela ter prazer em ver um trabalhador a começar como, por exemplo, bagageiro e a chegar aos cargos de topo da empresa. Têm formação interna no grupo Vila Galé e Jorge Rebelo de Almeida afirma que “nós estamos cá para ajudar as pessoas a subir na carreira.”

Porém, acredita que existem trabalhadores da área a emigrar para o estrangeiro, porque é uma área mal paga. “O nosso país é maravilhoso para morar, mas isso não chega para atrair pessoas.”

“As pessoas precisam de ganhar mais, é um facto. Se queremos continuar como país temos de ter mais gente, mas compete ao Estado deixar as empresas fazerem o seu trabalho. Podem, por exemplo, construir habitação”, afirma Rebelo de Almeida, referindo que a maior dificuldade dos seus colaboradores, tanto em Portugal, como no Brasil, é terem acesso à habitação, porque as rendas estão com preços muito elevados.

“Se quisermos reter as pessoas em Portugal temos de lhes dar melhores condições de vida. A habitação é essencial. É preciso rendas acessíveis para jovens”, finaliza.

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