Se tivesse o poder absoluto sobre o país por uma hora, que decisão tomaria para o setor do turismo? Por João Pedro Marques

-PUB-spot_img

Para assinalar o 4º aniversário do TNEWS, lançamos uma rubrica especial que reúne vozes do setor do turismo. Convidamos personalidades a refletirem sobre o futuro do turismo em Portugal, respondendo à seguinte questão: “Se tivesse poder sobre o país por uma hora, qual seria a decisão que tomaria para o setor do turismo?”

Por João Pedro Marques, Operations & Develpment Director at Oásis Atlântico

O setor do turismo em Portugal tem se evidenciado como um dos principais motores da economia nacional, representando uma parcela significativa do PIB, gerando emprego, promovendo a coesão territorial, sendo também um motor da recuperação do património cultural e arquitectónico do nosso país. Com base na minha experiência, reconheço com clareza, os progressos alcançados nas últimas décadas. Contudo, também identifico fragilidades estruturais que carecem de resposta estratégica urgente.  

Se tivesse o poder absoluto para tomar uma única decisão com impacto directo no turismo nacional, apostaria na implementação imediata de uma Estratégia Nacional de Qualificação e
Valorização dos profissionais
do setor hoteleiro e da hospitalidade.

O sucesso do turismo depende de múltiplos factores – infraestruturas, promoção, acessibilidade, sustentabilidade ambiental. No entanto, nenhum é tão determinante como a qualidade da experiência humana proporcionada ao visitante. É precisamente aqui que residem alguns dos principais desafios que enfrentamos hoje: dificuldade em atrair e reter talento, escassez de perfis técnicos qualificados, desadequação entre a formação existente e as exigências do mercado, e uma perceção social ainda pouco valorizadora das profissões ligadas ao setor.

Esta estratégia deve ter como eixos principais:

  • Reforço e atualização da formação Técnica / Profissional
  • Criação de incentivos para as empresas que investem em formação contínua
  • Campanhas institucionais de valorização das profissões da área da hospitalidade

Esta medida teria impacto direto na qualidade do serviço prestado, na competitividade do destino Portugal e, sobretudo, na dignificação das milhares de pessoas que diariamente fazem do turismo uma realidade. O reconhecimento do valor humano é, acima de tudo, um imperativo estratégico para garantir a sustentabilidade do setor a médio e longo prazo.

Num contexto global altamente competitivo e em permanente transformação, Portugal não pode continuar a depender exclusivamente dos seus recursos naturais, do seu património ou da hospitalidade inata do seu povo. A diferenciação sustentável só será possível com investimento sério e consistente nas pessoas que integram o setor.

Esta opção, tomada num cenário hipotético de poder absoluto, deve, na realidade, ser partilhada e gerida por todos os agentes do setor, públicos e privados.

É através de compromissos coletivos e acções coordenadas que conseguiremos assegurar um futuro mais resiliente, inclusivo e qualificado para o turismo nacional.

Nota de editor

Também queremos ouvir a sua voz! Envie sugestões e ideias sobre o futuro do turismo em Portugal para cmonteiro@tnews.pt e faça parte deste debate crucial para a transformação da nossa indústria.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img