Quinta-feira, Fevereiro 12, 2026
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Se tivesse o poder absoluto sobre o país por uma hora, que decisão tomaria para o setor do turismo? Por Rui Terroso

Para assinalar o 4º aniversário do TNEWS, lançamos uma rubrica especial que reúne vozes do setor do turismo. Convidamos personalidades a refletirem sobre o futuro do turismo em Portugal, respondendo à seguinte questão: “Se tivesse poder sobre o país por uma hora, qual seria a decisão que tomaria para o setor do turismo?”

Por Rui Terroso, CEO e fundador da Living Tours

O turismo é um dos pilares da economia portuguesa, mas para manter a sua competitividade global é preciso visão, ousadia e desburocratização. Se tivesse poder absoluto por 60 minutos, implementaria duas medidas estratégicas: a regulamentação inteligente e ágil da animação turística e a transformação de Portugal no maior estúdio de cinema a céu aberto da Europa. 

1. Legislar a Animação Turística com Autonomia Municipal

A liberalização do setor do turismo nas últimas décadas foi essencial para o seu crescimento. Antes da Troika, o setor estava engessado:

  • Guias turísticos eram obrigatórios para visitar património, com custos proibitivos (por exemplo: €500/dia para duas pessoas).
  • Agências de viagens enfrentavam barreiras absurdas (€15.000 para licença, €100.000 de capital social mínimo).

Felizmente, a desregulamentação trouxe um novo dinamismo ao setor, sendo agora essencial encontrar o equilíbrio certo entre liberdade e qualidade. A minha proposta:

  • Regulamentar os tuk-tuks e outros veículos de animação turística (como triciclos e quadriciclos), atribuindo às Câmaras Municipais a autonomia necessária para adaptarem as regras à sua realidade local (por exemplo, Lisboa poderá impor limites para garantir a sustentabilidade urbana, enquanto cidades como Braga ou Aveiro poderão adotar medidas para incentivar novos operadores).
  • Tornar obrigatória a formação de condutores e animadores turísticos, garantindo um profissionalismo necessário e evitando modelos monopolistas que favoreçam atividades não profissionais ou restrinjam o acesso ao setor.

O resultado? Uma oferta mais diversificada, experiências turísticas mais acessíveis e cidades menos congestionadas pela presença de operadores informais.

2. Turismo de Cinema: Portugal como Estúdio Global

O cinema é um dos maiores impulsionadores de turismo no mundo. Séries como “Game of Thrones” colocaram a Croácia no mapa, e “The White Lotus” fez o mesmo na Sicília. Portugal, com a sua diversidade de paisagens e património único, tem um potencial imenso nesta área, no entanto, capta atualmente menos de 1% de um mercado que vale cerca de 180 mil milhões de euros por ano.

Ao atrair produções para locais menos óbvios, como o interior e regiões com menor densidade populacional, o país pode estimular o turismo de forma mais equilibrada, promovendo o desenvolvimento em todo o território nacional.

Algumas medidas imediatas – como isenções fiscais para produções que realizem pelo menos 70% das filmagens em território nacional – poderiam ter um impacto significativo na atração de produções internacionais e na descentralização do turismo em Portugal.

Se a Islândia virou “Star Trek” e a Croácia virou “Game of Thrones”, Portugal pode ser o próximo universo cinematográfico com o melhor vinho e pastéis de nata nos craft services.

Estas duas medidas – a regulação flexível da animação turística e o impulso do cinema como motor do turismo em todo o território nacional, incluindo as ilhas – transformariam Portugal num destino ainda mais dinâmico, preservando, ao mesmo tempo, a essência que nos torna únicos.


Fontes:
Os dados são baseados em dados indiretos e comparações com países europeus que têm políticas ativas de atração de produções cinematográficas.

  • Dados da Motion Picture Association (MPA) e PwC indicam que a indústria audiovisual global (incluindo cinema, streaming e TV) movimenta entre €160-200 mil milhões/ano.
  • Portugal vs. Outros Países Europeus: Hungria, República Checa e Croácia atraem centenas de milhões em produções/ano (ex.: Hungria recebe €400M/ano em filmagens).
  • Portugal, segundo o ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual), movimentou €50-70M/ano em produções internacionais recentes (ex.: House of the DragonFast X), o que representa 0,03% a 0,04% do mercado global (muito abaixo de 1%).

Nota de editor

Também queremos ouvir a sua voz! Envie sugestões e ideias sobre o futuro do turismo em Portugal para cmonteiro@tnews.pt e faça parte deste debate crucial para a transformação da nossa indústria.

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