Portugal reúne hoje condições particularmente favoráveis para reforçar o seu posicionamento no mercado internacional de reuniões e eventos. A leitura é de Catherine Chaulet, presidente e CEO da Global DMC Partners, que falou ao TNews à margem da convenção anual da rede, realizada entre 8 e 10 de janeiro, em Lisboa.
Em entrevista ao TNews, a responsável traçou um retrato detalhado das prioridades atuais dos meeting planners, do papel crescente da segurança e da resiliência operacional, e do potencial específico de Portugal num contexto internacional marcado por incerteza económica e tensões geopolíticas.
O que procuram hoje os meeting planners?
Segundo Catherine Chaulet, a escolha de destinos MICE é hoje mais complexa e criteriosa. “A segurança é um dos principais fatores neste momento. Quão fácil é chegar a um destino e quão seguro é”, afirmou.
Neste contexto, o papel dos parceiros locais assume uma importância estratégica. Catherine Chaulet explicou que a atuação da Global DMC Partners assenta numa monitorização permanente dos níveis de segurança e numa forte presença local. “Trabalhar com um parceiro que fala a língua, conhece o sistema de saúde e consegue gerir rapidamente qualquer crise é um verdadeiro game changer”, sublinhou, acrescentando que esta camada adicional de segurança é decisiva para muitos organizadores internacionais.
A par dos destinos tradicionais, assiste-se a uma mudança relevante na procura. “Continuamos a ver pedidos para capitais e grandes cidades, mas há cada vez mais interesse por destinos secundários, algo que é muito positivo”, explicou. Esta tendência, acrescenta, permite aliviar a pressão sobre os grandes centros e criar novas oportunidades para regiões menos exploradas.
Para a CEO da Global DMC Partners, os destinos vencedores são aqueles que combinam facilidade de acesso, segurança e diversidade de experiências. “Se um destino é fácil de chegar, é seguro e consegue oferecer atividades e experiências variadas, então ganha”, resumiu.
“Continuamos a ver pedidos para capitais e grandes cidades, mas há cada vez mais interesse por destinos secundários, algo que é muito positivo”.
Portugal: conhecido no lazer, por descobrir no MICE
Questionada sobre o mercado português, a presidente e CEO da Global DMC Partners foi inequívoca. “Portugal tem imenso para oferecer ao MICE”, afirmou, reconhecendo que, apesar da forte notoriedade no turismo de lazer, o país continua a ser menos explorado do que poderia no segmento de reuniões e eventos internacionais.
“Muitos dos clientes que estão aqui conheciam Portugal, mas nunca tinham organizado uma conferência no país”, revelou ao TNews, explicando que a escolha de Lisboa para acolher a convenção anual da rede teve precisamente como objetivo mostrar, no terreno, o potencial do destino.
Entre os principais fatores diferenciadores, Catherine Chaulet destacou a conectividade aérea, a facilidade de acesso e a proximidade do aeroporto ao centro urbano. “É muito fácil voar para Portugal, com a TAP e muitas outras companhias”, referiu, sublinhando ainda a diversidade de experiências disponíveis em todo o território. Outro elemento-chave é a reduzida sazonalidade. “Portugal é um país onde se pode organizar eventos durante todo o ano, algo que nem todos os destinos conseguem oferecer”, acrescentou.
Embora os grandes congressos se concentrem naturalmente em Lisboa e no Porto, o impacto do MICE estende-se muito além dessas cidades. “Os eventos combinam frequentemente alguns dias nos grandes centros com programas noutras regiões, o que beneficia o país como um todo”, afirmou.
“Não ouvimos falar de excesso de turismo em Portugal como noutros destinos. Estão a gerir bem esta questão. Bravo, Portugal.”
A segurança surge como um dos maiores trunfos nacionais. “Portugal é um dos países mais seguros do mundo e extremamente acolhedor”, disse Catherine Chaulet ao TNews, acrescentando que o elevado nível de inglês falado facilita significativamente o trabalho dos organizadores internacionais. “É fácil fazer negócios em Portugal”, reforçou, apontando também para a perceção muito positiva dos participantes estrangeiros. “Existe um sentimento real de que os internacionais são bem-vindos, o que é fundamental quando se organiza um evento com participantes de todo o mundo.”
Sobre o risco de overtourism, a responsável reconhece que se trata de um fenómeno global, mas elogia a forma como Portugal tem vindo a gerir esta questão. “O Ministério do Turismo tem feito um trabalho extraordinário na gestão proativa do overtourism”, afirmou, salientando a aposta na promoção do país como um todo e não apenas das grandes cidades. “Não ouvimos falar de excesso de turismo em Portugal como noutros destinos. Estão a gerir bem esta questão. Bravo, Portugal.”
Para o futuro, Catherine Chaulet defende uma estratégia clara e consistente. “Quanto mais meeting planners trouxermos a Portugal, mais sucesso teremos na captação de conferências”, afirmou. Iniciativas como fam trips, eventos profissionais e encontros dedicados ao segmento MICE são, na sua perspetiva, ferramentas essenciais. “Experimentar o destino é a melhor forma de perceber tudo o que é possível fazer.”
“O facto de Portugal ser mais acessível do que outros destinos europeus é uma enorme vantagem.”
Perpetivas para 2026
Olhando para 2025, a CEO da Global DMC Partners descreve um ano marcado por contrastes. “Foi um ano muito bom, mas também assustador”, confessou, referindo a falta de visibilidade nos últimos trimestres, apesar de um resultado final muito positivo, próximo de 2024, o melhor ano de sempre para o setor.
A incerteza global continua a dificultar as previsões. “É muito complicado fazer projeções”, admitiu, explicando que o setor aprendeu a operar com pouca visibilidade desde a pandemia. Ainda assim, a resiliência mantém-se e a Europa surge bem posicionada para o crescimento futuro.
Nesse contexto, Portugal beneficia também de um fator económico relevante. “O facto de Portugal ser mais acessível do que outros destinos europeus é uma enorme vantagem”, concluiu, reforçando a ideia de que segurança, competitividade e hospitalidade colocam o país cada vez mais no radar dos meeting planners internacionais.


