Segunda-feira, Maio 27, 2024
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Sevenair: “Queremos crescer na formação com o objetivo de sermos líderes europeus e lusófonos nesta área”

A companhia aérea regional de origem portuguesa Sevenair anunciou que irá concorrer à concessão da rota Porto Santo-Funchal cujo concurso foi recentemente lançado pelo governo regional. Caso vença o concurso, a companhia garante que tem intenção de analisar a possibilidade de efetuar outros voos a partir do arquipélago, nomeadamente ligações a Faro e a Casablanca. Porém, os voos regionais são apenas uma parte do negócio do grupo Sevenair que opera também nas áreas da formação, manutenção área, táxi aéreos e serviços de handling.

Em entrevista ao TNews, Alexandre Alves, administrador do grupo, explica por onde passa o crescimento da Sevenair e do transporte aéreo regional.

A Sevenair anunciou que irá concorrer à concessão da rota Porto Santo-Funchal. O que é que pode adiantar mais sobre esta candidatura? Que tipo de aeronave estaria baseada em Porto Santo? Quantas ligações? Quando se saberá o resultado?

Neste momento apenas podemos mesmo confirmar que vamos entregar uma proposta para a concessão. Estamos numa fase final de preparação do concurso e, como tal, não podemos anunciar os detalhes do mesmo. Existem prazos para se saber o vencedor, contamos que em outubro já seja conhecido.

Quais as razões para concorrer a este concurso?

A Sevenair operou esta concessão durante vários anos e, sendo a nossa companhia aérea especializada neste tipo de operação, não faria sentido não concorrermos e apenas nos focarmos em operações internacionais. Conhecemos esta rota muito bem, os passageiros também nos conhecem e sabem que o nosso serviço sempre primou pela pontualidade, conveniência, proximidade dos funcionários e, obviamente pela segurança.

Criámos vários empregos locais, desde o handling, a pilotos e mecânicos. Foi uma operação que nos deixou saudades e, acreditamos, também teremos deixado saudades aos passageiros que nos utilizavam.

“No caso de não ganharmos o concurso [Porto Santo-Funchal], não descartamos a possibilidade de arrancar na mesma com a exploração destas rotas, mas será seguramente mais difícil”

Caso vençam, têm a intenção de analisar a possibilidade de efetuar outros voos a partir do arquipélago, nomeadamente ligações a Faro e a Marrocos (Casablanca). Porquê estes dois destinos? Por que não Marraquexe, que já é operado pela Binter?

Foi uma ideia que já anunciámos, a de estudarmos a possibilidade de efetuarmos mais voos a partir da Madeira. Com uma operação e uma estrutura local, teremos capacidade de expandir essas operações para outros destinos. Faro e Casablanca são claramente destinos onde já existe mercado mas que têm sido obrigados a fazer ligações por outras cidades. Relativamente a Marraquexe, a Binter terá a sua estratégia e acreditamos que irão manter a sua rota, como tal, não faz sentido operar o mesmo destino. A nossa estratégia passa por dinamizar novas rotas, onde existem dados de tráfego positivos e que possam dinamizar essencialmente a economia madeirense. 

Caso não vençam, têm interesse em abrir estas rotas?

No caso de não ganharmos o concurso, não descartamos a possibilidade de arrancar na mesma com a exploração destas rotas, mas será seguramente mais difícil, pois a concessão garante uma base de operações que torna mais fácil ampliá-las e a não existência dessa base implica uma análise de risco diferente.

Pandemia e operação em 2022

“temos perto de 900 alunos de mais de 40 nacionalidades e este dinamismo que a formação tem, fez com que, mesmo com valor abaixo do que seria previsível, conseguíssemos obter crescimento mesmo em período pandémico”.

A aviação foi dos setores mais afetados pela pandemia. Como é que a Sevenair sobreviveu a este período?

Operamos um nicho de mercado dentro da aviação, que é a aviação regional, e dentro desta operamos um outro nicho que são as chamadas PSO – Public Service Offer, concessões públicas e nesta matéria acabámos por não ser tão prejudicados quanto outros. A pandemia obrigou-nos a expandir a outra área da companhia que são os charter e os ACMI [aluguer de aviões, incluindo os pilotos, tripulação, manutenção e seguros] , sendo que neste período efetuámos operações em Marrocos, Tunísia, Argélia, Estónia, Açores, entre outros. Fizemos inclusive uma operação charter entre Cascais e Porto Santo com bastante sucesso. Por isso, apesar de afetados, como a economia em geral, podemos dizer que no nosso sector, teremos sido dos menos afetados.

Em 2021 registaram um crescimento de faturação. A que se deveu este crescimento? Têm várias áreas de negócio dentro da aviação (formação, manutenção área, táxi aéreos, serviços de handling e uma companhia de voos regionais), qual a que respondeu melhor?

O grupo atua muito com sinergias entre as suas empresas numa perspetiva de cross-selling de serviços, por isso é normal que crescendo uma área as outras também cresçam por defeito. Nos últimos anos a área que tem tido maior crescimento, também notoriedade, é a área da formação aeronáutica. Somos claramente a maior escola de pilotos de Portugal e somos também a maior escola de técnicos de manutenção da Península Ibérica. No global, temos perto de 900 alunos de mais de 40 nacionalidades e este dinamismo que a formação tem, fez com que, mesmo com valor abaixo do que seria previsível, conseguíssemos obter crescimento mesmo em período pandémico.

Como perspetivam o ano de 2022 para as diferentes áreas de negócio?

A pandemia fez com que adiássemos alguns projetos e decidimos, logo no final do ano passado, que 2022 seria o ano de retoma e de crescimento para o grupo. A aviação é cíclica e acreditamos muito neste setor a longo prazo ou não tivéssemos já 34 anos de existência. Com essa crença definimos um plano de investimentos com vista a um crescimento orgânico acelerado, mas também não descartamos aquisições.

Em janeiro inaugurámos uma base de formação de pilotos em Bragança, sendo a primeira escola aeronáutica naquela região. Inaugurámos também um hangar de 2400m2 em Ponte de Sor, dedicado às áreas de manutenção de aeronaves e formação de técnicos de manutenção. Na companhia aérea estamos desde maio a operar em São Tomé e Príncipe para a STP Airways, num contrato que terminará a 4 de setembro, mas que temos expectativas que possa ser prolongado em moldes diferentes do atual. Teremos novidades muito interessantes para serem anunciadas em breve na área da formação e temos também a expetativa da concessão da ligação de Porto Santo-Funchal.

Crescimento e futuro

Por onde passa o crescimento da Sevenair ainda este ano e no próximo?

Cada área tem um plano ambicioso, mas na companhia aérea passa claramente por obter mais dois contratos de PSO ou ACMI de longa duração; na manutenção será o aumento de capacidades e de clientes externos, principalmente na área de componentes como os motores ou a aviónica; e na formação passa por um crescimento muito acentuado com o objetivo claro de sermos líderes europeus e lusófonos nesta área.

Existem planos de novas aberturas tanto na área da formação aeronáutica como no transporte aéreo regional. Que planos são esses?

Existem mas nesta fase não podemos ainda anunciar, são situações em negociação e com o dinamismo dos negócios e do setor, apenas iremos anunciar quando forem factos consumados.

Como é que perspetivam o futuro do transporte regional? Que projetos estão a desenvolver?

Acreditamos que, com a introdução de novas tecnologias, principalmente no que toca à propulsão das aeronaves, com a introdução de aeronaves elétricas ou híbridas, a aviação regional e a de last mile como aquela onde operamos, pode vir a ter um crescimento muito interessante. Se retirarmos o fator combustível ou diminuirmos o seu peso, deixam de existir problemas relacionados com o ruído, que permitirá aumentar o horário de operação dos aeroportos; problemas ambientais, pois ou são reduzidas totalmente ou em grande percentagem as emissões e diminuem os custos com manutenção. Isto tudo permitirá que os custos de operação baixem e o acesso aos voos seja muito mais generalizado.

Existem muitos projetos nesse sentido. Nós estamos ligados a um que consideramos poder ter pernas para andar, a Heart Aerospace, uma start-up sueca que conta com financiamento da Breakthrough Energy do Bill Gates, da United, entre muitos outros investidores de referência. Teremos novidades para anunciar no Portugal Air Summit em oOutubro, seguramente.

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