A Sorisa, empresa portuguesa especializada em equipamentos, tecnologia e consultoria para as áreas do wellness, spa, saúde e fitness, celebra 45 anos de atividade em Portugal. Ao longo de mais de quatro décadas, acompanhou a evolução do setor do bem-estar e assistiu à transformação dos spas hoteleiros, que passaram de simples serviços complementares para verdadeiros fatores de diferenciação e criação de valor na hotelaria.
Segundo Miguel Charneca, assessor de administração da Sorisa, em entrevista ao TNews, a empresa acompanhou esta transformação, evoluindo de fornecedora de equipamentos e soluções técnicas para parceira estratégica no desenvolvimento de projetos integrados de wellness, saúde e longevidade.
“Hoje trabalhamos lado a lado com hotéis, spas e clínicas para criar experiências diferenciadoras, alinhadas com as novas expectativas do consumidor”, explica.
A própria função dos spas na hotelaria mudou radicalmente. Há cerca de duas décadas eram vistos sobretudo como “um complemento da oferta”. Atualmente, assumem um “papel estratégico” na diferenciação das unidades hoteleiras, na valorização das marcas e na captação de novos segmentos de clientes.
“Em muitos casos, o wellness já é um dos principais fatores de decisão na escolha do destino ou do hotel”, sublinha.
O wellness entra na era da longevidade
O setor atravessa atualmente uma nova fase de evolução, marcada por conceitos como longevidade, preventive wellbeing, recovery & regeneration e personalização baseada em tecnologia.
De acordo com Miguel Charneca, “o wellness está a evoluir para uma abordagem muito mais integrada, personalizada e orientada para resultados”. Segundo o responsável, existem hoje várias tendências globais com enorme impacto no setor. “Uma delas é a procura por experiências de longevidade e preventive wellbeing, ou seja, soluções que ajudam não apenas a relaxar, mas a melhorar qualidade de vida, performance, sono, recuperação física e equilíbrio emocional”, refere.
A personalização é outra das grandes tendências, impulsionada por ferramentas de diagnóstico e monitorização que permitem adaptar tratamentos e programas ao perfil de cada cliente.
Ao mesmo tempo, cresce a procura por experiências de recovery & regeneration, “muito impulsionadas pelo aumento do stress, burnout e fadiga associados ao estilo de vida atual, assim como experiências ligadas à natureza, autenticidade e sustentabilidade”. Conceitos como eco spa, forest bathing ou programas de bem-estar ao ar livre ganham relevância, sobretudo em destinos com forte componente natural.
“A sustentabilidade tornou-se um pilar essencial. Os spas e resorts apostam em design ecológico, materiais naturais e práticas energeticamente eficientes, privilegiando a ligação à natureza”, afirma.
“Em muitos casos, o wellness já é um dos principais fatores de decisão na escolha do destino ou do hotel”


Portugal reúne condições para liderar
Para a Sorisa, Portugal está a acompanhar esta evolução internacional e reúne condições particularmente favoráveis para se afirmar como destino de referência no turismo de bem-estar. “Portugal tem uma oportunidade extraordinária para se posicionar como um dos destinos de referência na Europa nesta área”, considera Miguel Charneca.
O responsável destaca ainda o crescimento da procura internacional por experiências que combinem turismo, saúde preventiva, recuperação física e qualidade de vida, segmentos onde o país tem condições para competir. Wellness retreats, programas de longevidade, recovery tourism e medical wellness surgem entre as áreas com maior potencial de crescimento.
Apesar da evolução registada nos últimos anos, Miguel Charneca considera que alguns mercados continuam mais avançados na integração do wellness na estratégia hoteleira. Países como a Áustria, Suíça e Alemanha, bem como alguns destinos asiáticos, destacam-se pela forma como incorporam conceitos de bem-estar, prevenção e longevidade na experiência global dos hóspedes.
Ainda assim, o responsável acredita que Portugal reúne vantagens competitivas difíceis de replicar, nomeadamente a autenticidade, o clima, o estilo de vida, a segurança e uma relação qualidade-preço muito atrativa. “O próximo passo passa por reforçar a diferenciação, apostar em conceitos mais integrados e continuar a investir em inovação, formação e especialização”, defende.
O novo consumidor procura resultados
A evolução do setor acompanha também uma mudança profunda no perfil do consumidor. Segundo Miguel Charneca, o cliente wellness atual é “mais informado, exigente e consciente”. Além disso, procura “experiências autênticas, personalizadas e com impacto real no seu bem-estar”, valorizando fatores como o sono, equilíbrio emocional, a alimentação saudável, a gestão do stress, a recuperação física e a longevidade. “Hoje, o cliente procura sentir-se melhor depois da viagem do que antes dela”, refere.
O wellness deixou também de estar associado exclusivamente ao segmento de luxo. Atualmente abrange diferentes gerações e perfis de viajantes, incluindo públicos mais jovens, ativos e até o segmento corporate, onde as empresas demonstram crescente preocupação com o bem-estar dos colaboradores durante viagens e eventos.
Na visão da Sorisa, os hotéis que pretendem diferenciar-se terão de integrar o wellness na estratégia global da unidade. “O primeiro passo é integrar o wellness na estratégia global do hotel e não vê-lo apenas como uma amenity”, recomenda.
A aposta passa por criar experiências completas que envolvam diferentes momentos da jornada do hóspede, desde o sono e a alimentação até à atividade física, mindfulness, recuperação e programas personalizados.
“Os hotéis que estão a marcar a diferença são aqueles que criam experiências integradas, onde o wellness está presente em toda a jornada do cliente”, destaca Miguel Charneca.
Esta transformação exige investimento em conceito, equipas, formação e tecnologia, permitindo que os spas evoluam para verdadeiros hubs de bem-estar avançado.
“Hoje, um SPA pode tornar-se um verdadeiro centro de bem-estar avançado através da combinação de experiências sensoriais, terapias de recuperação, soluções tecnológicas e programas orientados para objetivos concretos, seja relaxamento, detox, performance, anti-stress ou longevidade”, defende.
“Os hotéis que estão a marcar a diferença são aqueles que criam experiências integradas, onde o wellness está presente em toda a jornada do cliente”



Wellness exige estratégia e não apenas investimento
Apesar do crescimento do segmento, Miguel Charneca considera que muitos hotéis continuam a enfrentar desafios na construção de uma proposta de wellness verdadeiramente diferenciadora.
“O principal desafio é compreender que wellness não significa apenas construir um SPA bonito. É necessário definir conceito, posicionamento, experiência, equipa e uma estratégia de longo prazo”, afirma.
O responsável destaca igualmente a crescente dificuldade na formação e retenção de profissionais especializados, numa área cada vez mais técnica e exigente. A rápida evolução das tendências e das tecnologias obriga ainda os operadores a realizarem investimentos sustentados e capazes de gerar diferenciação.
Outro dos desafios passa pela capacidade de medir o impacto do wellness nos indicadores de negócio. “Muitos hotéis ainda precisam de perceber o wellness como uma área estratégica e não apenas operacional”, sublinha.
“O wellness gera uma forte ligação emocional à experiência do hotel. Quando um cliente associa uma estadia a recuperação, equilíbrio e bem-estar, a probabilidade de regressar é muito maior”
Tecnologia ganha espaço, mas sem substituir o fator humano
A inovação tecnológica está igualmente a redefinir o setor. Soluções ligadas à crioterapia, fotobiomodulação, hidroterapia avançada, terapias de contraste, regeneração celular e monitorização personalizada estão entre as mais procuradas. Ainda assim, Miguel Charneca considera que a tecnologia deve funcionar como complemento e não como substituto da experiência humana. “O equilíbrio entre inovação tecnológica, componente sensorial e contacto humano será sempre essencial”, defende.
Além da experiência do cliente, o wellness está também a afirmar-se como uma ferramenta de negócio. Segundo a Sorisa, uma estratégia “bem estruturada nesta área permite aumentar a receita direta, prolongar a permanência média dos hóspedes, reforçar a fidelização e elevar o valor percebido da marca”.
Programas de membership, retiros temáticos, corporate wellness e experiências exclusivas são algumas das oportunidades apontadas para gerar novas fontes de receita.
“O wellness gera uma forte ligação emocional à experiência do hotel. Quando um cliente associa uma estadia a recuperação, equilíbrio e bem-estar, a probabilidade de regressar é muito maior”, afirma Miguel Charneca.
Sorisa quer liderar nova fase do turismo wellness
Olhando para o futuro, a Sorisa acredita que os próximos anos serão marcados por uma “forte convergência entre hotelaria, saúde preventiva, longevidade e tecnologia” e a empresa que “estar na linha da frente dessa transformação”.
A empresa pretende continuar a posicionar-se como “parceiro estratégico de inovação” no setor do wellness, saúde e hospitalidade e “apoiar hotéis e operadores na criação de projetos mais diferenciadores, sustentáveis e alinhados com as novas exigências do consumidor global”.
“Mais do que fornecer equipamentos ou soluções, queremos contribuir para elevar o posicionamento de Portugal como destino internacional de wellness e qualidade de vida”, conclui Miguel Charneca.




