As viagens de negócios continuaram a registar um aumento de custos no primeiro trimestre do ano, impulsionado pela subida dos preços dos combustíveis e pelas pressões no setor dos transportes. Ainda assim, as empresas mantiveram, de forma geral, a sua atividade de viagens, privilegiando as deslocações presenciais apesar do contexto de preços mais elevados, segundo dados divulgados pela SAP Concur.
De acordo com a análise, realizada com base em reservas e despesas efetuadas entre 1 de janeiro e 31 de maio deste ano, as tarifas aéreas aumentaram cerca de 4% face ao período homólogo, enquanto os preços dos hotéis cresceram aproximadamente 5% e os custos de aluguer de automóveis subiram 3%.
Também as despesas com combustível registaram um aumento acentuado. A nível global, o valor médio das transações no Concur Expense na categoria de combustível passou de 42 euros em fevereiro para 48 euros em março, representando um aumento de cerca de 14%.
Em Portugal, dados da Direção-Geral de Energia e Geologia indicam que o custo médio nesta categoria foi de 30 euros em janeiro, 29 euros em fevereiro e 33 euros em março de 2026.
Despesa média de gás por país
| Janeiro 2026 | Fevereiro 2026 | Março 2026 | |
| Média Global | 43€ | 42€ | 48€ |
| EUA | 43€ | 42€ | 49€ |
| Reino Unido | 52€ | 51€ | 54€ |
| Alemanha | 61€ | 61€ | 73€ |
| Portugal | 30€ | 29€ | 33€ |
| Austrália&Nova Zelândia | 69€ | 64€ | 75€ |
| Canadá | 50€ | 50€ | 57€ |
Apesar da subida dos custos, o volume global de reservas de voos e hotéis manteve-se relativamente estável face ao ano anterior. Já os padrões de mobilidade nos destinos sofreram algumas alterações: as reservas de aluguer de automóveis diminuíram 4% a nível global, enquanto as viagens de comboio cresceram 6%, sugerindo que algumas organizações estão a procurar alternativas de transporte “mais económicas ou eficientes, à medida que os preços dos combustíveis sobem”, segundo a SAP Concur.
A análise revela ainda que as empresas não reduziram o recurso a classes de viagem superiores. As reservas em classe executiva e primeira classe aumentaram cerca de 9% no primeiro trimestre, enquanto a classe económica registou um crescimento de aproximadamente 2%. Em sentido contrário, as reservas em classe económica premium caíram cerca de 16%.
Segundo a SAP Concur, as empresas estão a “equilibrar a experiência dos viajantes com as pressões orçamentais”, sobretudo em viagens de longa distância. O estudo refere que, em voos internacionais e mais longos, algumas organizações continuam a considerar as viagens em classe premium como “um investimento que vale a pena”.
Perspetivas para o segundo trimestre
Relativamente aos próximos meses, a empresa antecipa que o aumento das tarifas aéreas e a redução da capacidade em algumas regiões poderão começar a influenciar a procura. No entanto, os dados atuais indicam que “as empresas estão dispostas a absorver custos de viagem mais elevados, em vez de reduzir os planos de viagem”.
A SAP Concur destaca ainda que as viagens de negócios continuam associadas ao desenvolvimento profissional e à criação de relações. Numa pesquisa recente realizada nos Estados Unidos em seu nome, 90% dos viajantes de negócios frequentes afirmaram que viajar em trabalho teve um impacto positivo nas suas carreiras, “sublinhando os benefícios em termos de experiência dos colaboradores e retenção de pessoal, mesmo com o aumento dos custos”.
Perante este cenário, a empresa conclui que muitas organizações continuam a encarar as deslocações profissionais como “um investimento valioso em termos de relações, desenvolvimento dos colaboradores e crescimento a longo prazo”.




